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Verdinho reforça o sindicato como ferramenta de enfrentamento

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Valdeci Henrique da Silva, destaca a necessidade do fortalecimento dos sindicatos para a defesa de toda a classe trabalhadora

Quinta-feira, 27 de Maio de 2021 - 16:00 - Atualizado em 27/05/2021 16:11
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Verdinho realiza diversos trabalhos sociais voluntários, como no Banco de Alimentos e segue na luta para que o movimento sindical resistaImprensa SMetal
Não se deixe levar pelo apelido: a militância de Verdinho, atual vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), é bastante vermelha! Tanto que o próprio codinome nasceu lá no início da década de 1990, quando deu início à luta pelos trabalhadores integrando a CIPA da empresa Johnson (atual Clarios), mesmo momento que se filiou ao SMetal. A cor verde do uniforme que distinguia os cipeiros dos demais trabalhadores virou segundo “nome” de Valdeci Henrique da Silva. Do mesmo modo, o envolvimento com a categoria segue firme até hoje, prestes a completar 20 anos na direção do SMetal e indo para mais um mandato.

Passadas essas décadas, é com a mesma vontade e disposição que encara, diariamente, os desafios dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, principalmente nesse momento bastante crítico. Aos 50 anos, casado e pai de duas meninas, além do Sindicato, realiza diversos trabalhos sociais voluntários, como no Banco de Alimentos de Sorocaba e segue na luta para que o movimento sindical resista.

Imprensa SMetal: A nova direção do SMetal foi empossada para mais quatro anos de mandato. No entanto, ao voltarmos no tempo, em 2017, quando a diretoria anterior tomou posse para a gestão 2017/2021, enfrentou um cenário bastante conturbado para o trabalhador com as reformas da previdência e trabalhista e, agora em 2020, tendo que lidar com uma pandemia. Analisando todos esses percalços, como você avalia a atuação do SMetal nesses quatro anos e o que destaca das lutas em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras nesse ambiente bastante árido para todas as categorias?

Verdinho: O nosso mandato que terminou agora, em maio, foi de muitos desafios para o movimento sindical. A Reforma Trabalhista, o fim do imposto sindical e a retirada de muitos outros direitos dos trabalhadores, configurou em um ataque ferrenho desse governo a todo o movimento sindical, seja ele de luta, como nós, ou não.

Nos últimos tempos os sindicatos têm sido muito atacados de modo geral, e o resultado desse ataque é sentido pelos trabalhadores. No entanto, como temos uma história de luta, conquistas e, sobretudo respeito em Sorocaba, região e no País, esse nosso legado garantiu acordos coletivos, garantia de direitos, piso, Convenção Coletiva de Trabalho e muitas conquistas não foram perdidas.

Perante muitos ataques ao movimento sindical, lutamos para que o grande capital não retirasse ainda mais direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Isso reforça a importância da ferramenta SMetal à categoria. Alguns trabalhadores dão valor, outros não, mas se não fosse esse legado de lutas, teríamos amargados grandes derrotas.

Mas destaco que tivemos condições para manter os mínimos direitos conquistados em convenções e acordos coletivos com várias empresas, garantindo a representação sindical, o número de sócios necessários para a sobrevivência do Sindicato, o que é muito significativo.

Garantir direitos nesse momento de ataques só foi possível por meio das lutas, dos nossos CSE’s e Executiva, que trataram todas as questões sindicais com planejamento, tato e respeito à história da classe trabalhadora. Foi isso que nos permitiu chegar até aqui, sem deixar que o movimento sindical morra.

Imprensa SMetal: Tivemos um resultado bastante significativo nas urnas nessa eleição sindical, acredita que isso reflete a confiança da categoria no Sindicato?

Verdinho: Nos últimos dias a categoria metalúrgica de Sorocaba e região, mais uma vez, depositou o seu voto e a sua confiança na diretoria que vem tocando esse Sindicato há alguns mandatos. A partir do momento que recebemos esse voto de confiança, principalmente em um momento tão conturbado, de muitos ataques ao movimento sindical, além da pandemia, isso reflete reconhecimento ao nosso trabalho e confiança para os próximos desafios.

Por esse voto que mais uma vez recebemos, é com muita gratidão que afiramos à categoria que terá luta, respeito, organização, solidariedade, e continuaremos como um Sindicato Cidadão, que toca todas a pautas que é de interesse da categoria e também da sociedade como um todo.

Imprensa SMetal: A aprovação da Chapa 1 demonstrou confiança no trabalho desenvolvido pelas diretorias anteriores também. Hoje, contudo, temos um novo perfil de metalúrgico: mais escolarizados, mais jovens, e com mais representação feminina. Como o SMetal pretende trabalhar com essa nova realidade?

Verdinho: É, sem dúvida, um perfil mais plural e representativo, mas também um desafio. A mulher metalúrgica, na maioria das vezes, ainda é arrimo de família, que vive nessa nossa sociedade machista. Muitas dividem seu pouco tempo com outras obrigações como filhos, casa, trabalho, estudos, por isso precisam, urgentemente, de representatividade e olhar específico para suas necessidades.

Os jovens também são um desafio, pois o SMetal precisa fazer com que entendam, historicamente, a importância das lutas do movimento para os trabalhadores. E, cabe a nós, trabalhar muito para atrair a juventude que anda desacreditada de tudo e, ao mesmo tempo, acha que sabe de tudo. Temos que mostrar a eles o quanto precisamos desse entendimento e dessa mobilização e luta da nova geração, para a existência e fortalecimento do movimento sindical, principalmente na categoria metalúrgica.

O movimento sindical brasileiro infelizmente não é reconhecido como agente transformador pelos nossos acadêmicos, por isso acredito que um dos caminhos que temos que trilhar é a integração com esse metalúrgico ou metalúrgica que tem acesso à educação mais ampla no seu primeiro dia de trabalho na fábrica, para que não caia no vício de acreditar que ele por si já basta, que não precisa de sindicato, de governo e nenhuma outra representatividade, o que é uma falácia! O SMetal tem que estar na mente do jovem aprendiz, desde o primeiro contato no local de trabalho!

Imprensa SMetal: Com o início dessa nova gestão, dentro de um cenário de pandemia e problemas políticos e econômicos que refletem na vida do trabalhador, como você vê a importância do Sindicato nesse momento?

Verdinho: Quero destacar a importância de um sindicato como o nosso na vida da sociedade, no mundo, na nossa cidade, como um todo. Trata-se de um sindicato que tem na sua história a criação de um Banco de Alimentos, além de outras ferramentas para garantir o mínimo de direitos e respeito a cada cidadão. Isso extrapola o muro do SMetal e vai para outros espaços, realidades, refletindo não só na vida do metalúrgico e da metalúrgica, mas no ambiente que estão inseridos e arredores.

O SMetal tem responsabilidade não apenas com a categoria, por isso ele é muito importante para toda a nossa sociedade. Espero que possamos gritar o quanto é importante um sindicato que organiza, faz a luta, tem responsabilidade, transparência, história e respeito. Pontuar o sindicato é uma ferramenta que tem condições de fazer frente à ganância do grande capital, a arrogância dos governos e a falta de solidariedade das pessoa. O SMetal faz essa construção.

Um bom exemplo foi agora na pandemia, quando se mostrou propositivo, garantindo acordos e direitos. Por isso reforço que valorizar essa ferramenta faz a diferença em nossa sociedade, pois o SMetal é um farol para toda a classe trabalhadora.

Imprensa SMetal: Nosso momento político é bastante conturbado e sem nenhum comprometimento com a classe trabalhadora. Como o SMetal pretende enfrentar essa realidade e de que forma a categoria pode fazer a diferença nas urnas em 2022?

Verdinho: Entendo que esse momento que estamos vivendo é bastante difícil sim, conturbado, cheio de oportunistas, mas o SMetal tem condições suficientes para dialogar com a categoria e demostrar que, ressalvadas as devidas críticas em relação aos companheiros do nosso campo de esquerda, se quisermos sobreviver enquanto classe trabalhadora e sem a perda de direitos do que já

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