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Vamos cumprir todos os compromissos de campanha, garante Izídio

Para o secretário de organização do Sindicato, os associados do SMetal podem esperar muito trabalho da nova diretoria frente aos desafios políticos, econômicos e sociais que o Brasil enfrenta

Quarta-feira, 26 de Maio de 2021 - 10:15
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Izídio logo começou a se destacar na fábrica como um grande defensor dos direitos trabalhistasImprensa SMetal
Em 1982, o Brasil estava em ebulição, com o povo nas ruas exigindo o fim da ditadura militar. Na linha de frente desta batalha estavam os metalúrgicos, desafiando os generais com grandes greves que sacudiam o ABC Paulista.

Enquanto isso, o jovem Izídio de Brito Correia, de 21 anos, era contratado pela Metalac para trabalhar como preparador de máquinas. Inspirado pelas lideranças sindicais da época, Izídio logo começou a se destacar na fábrica como um grande defensor dos direitos trabalhistas.

Dois anos depois, o jovem já ajudava a organizar sua primeira greve e, em 1992, foi convidado para ingressar na direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região. Desde então, Izídio foi presidente do SMetal por quatro vezes, vereador por dois mandatos e se tornou uma das principais lideranças políticas de Sorocaba. Sob seu comando, o Sindicato arrancou acordos históricos com as fábricas, que ampliaram - e muito - as conquistas dos metalúrgicos.

Para além da luta trabalhista, Izídio ajudou, através do SMetal, a fundar o Banco de Alimentos de Sorocaba e duas importantes ONGs que trabalham para desenvolvimento social de Sorocaba: o Ceadec e o Instituto Gestão Cidadã.

Casado, pai de dois rapazes e uma moça, Izídio agora foi eleito para mais um mandato no SMetal, para ocupar o cargo de Secretário de Organização. Confira abaixo os principais pontos da entrevista que ele concedeu ao site do Sindicato.

Imprensa SMetal: Nos últimos anos, os trabalhadores brasileiros estão sofrendo uma série de ataques por parte do governo, do Congresso Nacional e dos empresários. Muitos direitos foram extintos com a Reforma Trabalhista, a aposentadoria ficou mais distante e difícil com a reforma da previdência e a liberdade para terceirizar tudo está acabando com a carteira assinada e a proteção da CLT. Como o SMetal tem reagido aos ataques e quais as perspectivas para o futuro do trabalhador?

Izídio: Estamos reagindo de várias maneiras, mas a nossa principal arma tem sido a Convenção Coletiva. Ela sempre foi muito importante para nós, metalúrgicos, e se mostrou fundamental para proteger os nossos direitos nos últimos anos. Graças à nossa Convenção Coletiva, conseguimos minimizar os impactos da Reforma Trabalhista para a categoria metalúrgica de Sorocaba e Região. Fizemos negociações muito importantes com as empresas e conseguimos, inclusive, ampliar alguns direitos numa época em que os trabalhadores estão sob forte ataque. Também usamos a nossa organização sindical para nos defender. Nos últimos anos, não só protegemos como ampliamos os comitês sindicais nas fábricas, fortalecemos a nossa organização e conseguimos fazer com que os metalúrgicos fossem uma das poucas categorias que não perderam suas conquistas. Nossas negociações, inclusive, garantiram a proteção ao emprego sem perda de direitos e, em algumas fábricas, até conseguimos aumentar os postos de trabalho em plena crise econômica.
Sobre o futuro, eu acredito que a nova diretoria do Sindicato precisa reunir o pessoal novo que foi eleito e, ao lado dos sindicalistas mais velhos, fazer uma bela avaliação do momento político e econômico do país. Precisamos aprofundar o diagnóstico feito pelos metalúrgicos no chão das fábricas e transformar as demandas em ações concretas na defesa da classe trabalhadora. Precisamos impedir que esta retirada de direitos continue. Precisamos virar a chave para que a gente, não apenas reconquiste esses direitos, mas também vá em busca de mais conquistas. Para esta luta ter sucesso, precisamos fazer mudanças profundas no cenário político. Para isso, temos que mobilizar os metalúrgicos e a classe trabalhadora para as eleições do ano que vem. Precisamos barrar este processo de retirada de direitos que vêm desde o golpe contra a presidenta Dilma. Tanto com Temer quanto com Bolsonaro, o Governo Federal tem patrocinado todos os ataques que os trabalhadores estão sofrendo.

Imprensa SMetal: Por falar em política, nas últimas eleições, os empresários ganharam ainda mais força no Congresso Nacional. Atualmente, 230 deputados e senadores representam diretamente o meio empresarial e o mercado. Por outro lado, a bancada sindical diminuiu e hoje os trabalhadores contam com apenas 60 parlamentares, quase quatro vezes menos que os empresários. Como conscientizar os trabalhadores sobre a importância de eleger políticos comprometidos com as causas trabalhistas?

Izídio: Não podemos esperar as eleições chegarem para fazer isso. Precisamos começar essa conscientização imediatamente. Acho interessante fazer um levantamento do histórico de votação no Congresso dos deputados da nossa região. Como eles votaram em cada projeto que retirava os nossos direitos? Os deputados aprovaram muitos projetos que prejudicaram a gente. Não foi só as Reformas Trabalhista e da Previdência que retiraram nossos direitos. Houve muitos projetos que mexeram, por exemplo, na legislação que protege a saúde do trabalhador. Também esvaziaram ou acabaram com uma série de instituições que podem ou podiam ser nossas parceiras, como o Ministério do Trabalho, a própria Justiça do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho... O movimento sindical precisa fazer esta denúncia de forma organizada no Brasil inteiro, mostrando para os trabalhadores como os políticos da sua região atuaram para atacar ou defender os nossos direitos.

Imprensa SMetal: Você já foi presidente do SMetal por quatro vezes e tem uma longa história dentro do Sindicato. O que mudou, no movimento sindical e no trabalho dos metalúrgicos, nas últimas décadas?

Izídio: Nas décadas de 1980 e 1990, o trabalho dos metalúrgicos ainda era muito manual. Com a abertura da economia, nos anos 90, as fábricas começaram a automatização, que evoluiu muito nos últimos anos. Nossas demandas também mudaram. Hoje, nas grandes fábricas, não precisamos mais reivindicar água potável, refeitório, convênio médico, transporte... Na década de 1980 não tinha nada disso. Mas nas fábricas menores, ainda hoje, os trabalhadores sofrem com esses problemas. Inclusive nas fábricas que prestam serviços para as grandes. As empresas de ponta, chamadas de 4.0, têm fornecedoras que, em alguns casos, deveriam se chamar -8.0. Nosso desafio, hoje, é garantir isonomia nas condições de trabalho entre as fábricas grandes e as menores. Aliás, vale destacar, que todas essas melhorias que ocorreram nas fábricas grandes foram resultado da luta do Sindicato. As empresas não deram nada de graça, como muita gente acredita.
Outra mudança que eu destaco no mercado de trabalho é a cultura, hoje muito focada no indivíduo. Antigamente, pensávamos mais no coletivo e era mais fácil organizar a luta por questões coletivas. Hoje, até as metas são individualizadas! Os trabalhadores também se interessavam mais pela política, até porque tínhamos pautas mais concretas, como a redemocratização do Brasil, o voto direto...

Imprensa SMetal: Além de defender os metalúrgicos, o SMetal investe, há décadas, no conceito de Sindicato Cidadão. Explica pra gente como funciona o Sindicato Cidadão e o que o SMetal já fez.

Izídio: O SMetal trabalha com o conceito de Sindicato Cidadão desde 1992. Trata-se de um sindicato que não olha só para as questões trabalhistas da sua categoria, mas se preocupa com toda a sociedade. O metalúrgico, por exemplo, tem uma situação mais confortável que a maioria dos trabalhadores. Tem carteira assinada, tem plano de saúde, tem um bom salário... Mas quando ele chega em casa, olha para o lado e vê a realidade do seu bairro, as dificuldades que seus vizinhos e seus parentes enfrentam... O Sindicato Cidadão luta por uma sociedade melhor, não apenas por seus associados. Nos anos 90, quando começamos a implantar este conceito, tinha muita gente passando fome. A princípio, lançamos a campanha Natal Sem Fome e, depois, fundamos o Banco de Alimentos de Sorocaba, que até hoje é mantido pelo SMetal. Também fundamos o Ceadec, que é uma ONG voltada para o desenvolvimento econômico e social das pessoas. Por meio do Ceadec, organizamos cooperativas de catadores de reciclados, formamos muitos trabalhadores e arrumamos empregos. Também procuramos ocupar espaços nas comissões e conselhos municipais, sobretudo nas áreas de emprego, saúde e assistência social. Quando assumi uma cadeira na Câmara de Vereadores, procurei trabalhar várias pautas de cidadania que tínhamos no SMetal. O Hamilton Pereira, como deputado, também fez várias leis na Assembleia Legislativa com pautas do Sindicato. O Geraldinho, atual prefeito de Piedade, era da direção do SMetal e com certeza está trabalhando pautas de cidadania que nasceram no Sindicato. É importante transformar nossas bandeiras em políticas públicas. Também engrossamos a luta das mulheres, dos LGBTs, do movimento negro, da juventude, dos idosos...

Imprensa SMetal: Quais são os planos do Sindicato para o novo mandato, que vai começar oficialmente em maio?

Izídio: Acho que o nosso principal desafio é aproximar ainda mais o Sindicato da base. A pandemia do novo coronavírus atrapalhou bastante nosso trabalho na porta das fábricas, até as assembleias foram virtuais no ano passado... No curto prazo, precisamos trabalhar para resolver os problemas causados pela pandemia e pela incompetência dos nossos políticos. Temos de pressionar para que a vacina chegue imediatamente para todos, temos que lutar pela volta do auxílio emergencial... do ponto de vista sindical, temos que impedir a retirada de direitos e ampliar as conquistas da nossa Convenção Coletiva. Precisamos discutir com as direções das empresas os limites da rotatividade e trabalhar para melhorar os planos de cargos e salários. Queremos que nossos direitos e nossos rendimentos tenham como referência um trabalhador da Alemanha e não do México, como querem nossos patrões. As grandes indústrias multinacionais querem retirar direitos dos trabalhadores dos países mais pobres para compensar os direitos existentes nos países ricos. E isso não vamos aceitar nunca, pois o trabalhador brasileiro é dos mais competentes. A própria Toyota, por exemplo, considera suas fábricas no Brasil entre as mais produtivas do mundo. Queremos ser valorizados como merecemos. Queremos empoderar o trabalhador brasileiro e, no nosso caso, resgatar o orgulho de ser metalúrgico. Enfim, os associados podem esperar muito trabalho da nova diretoria do Sindicato, vamos cumprir integralmente os compromissos que assumimos na campanha.

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