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Trabalhadores x Patrões: a luta de classes é contínua

A Fiesp, de Paulo Skaf, apoiadora de Temer (PMDB) defende a retirada de direitos. As negociações da campanha salarial dos metalúrgicos dependem de união e muitas mobilizações

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016 - 16:30 - Atualizado em 27/12/2016 15:11
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A Fiesp, de Paulo Skaf, apoiada de Temer (PMDB) defende a retirada de direitos. As negociações da campanha salarial dos metalúrgicos dependem de união
A categoria dos metalúrgicos de Sorocaba é uma das mais expressivas economicamente. A massa salarial representa 27,2% em relação aos demais ramos de atividade. Sendo que os outros segmentos da indústria, na cidade, representam 14%, conforme informações da subseção do Dieese/SMetal.

A pauta dos metalúrgicos inclui:

• Reposição da inflação e aumento real, reposição dos pisos;
• Manter os 40% de vale salarial;
• Manter a promoção por critérios objetivos e pré-determinados;
• Desburocratização do acesso ao auxílio funeral;
• Assegurar efetivamente o pagamento da PLR;
• Defesa da redução de jornada sem redução de salário.


No ano passado, o reajuste da campanha salarial dos metalúrgicos da base do Sindicato injetou R$ 15 milhões por mês na economia.

A data-base da categoria é 1º de setembro e a campanha salarial deste ano teve início no dia 7 de julho, com a entrega de pauta de reivindicações aos sindicatos patronais pela Federação estadual da categoria (FEM-CUT/SP).

O tema da campanha deste ano é "Sem pato, sem golpe, por mais empregos e direitos" e são cinco eixos: não à terceirização e à perda de direitos; estabilidade e geração de empregos; reposição integral da inflação mais aumento real; valorização dos pisos e jornada semanal de 40 horas.

Logo após a entrega da pauta ao patronal, a diretoria do SMetal começou as mobilizações em frente às fábricas para alertar os trabalhadores sobre os riscos e ameaças que costumam emperrar as negociações.

"Este ano houve um grande avanço conservador que quer a flexibilização irrestrita dos direitos e garantias dos trabalhadores. Isso parte do governo golpista de Michel Temer (PMDB) e de seus apoiadores - representantes dos grandes empresários", ressalta o secretário-geral da FEM-CUT/SP, Adilson Faustino (Carpinha), que também é diretor do SMetal.

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"A campanha deste ano exige ainda mais união dos trabalhadores e muitas mobilizações nas fábricas", Afirma Carpinha.

União para o Enfrentamento

A campanha salarial sempre exigiu esforços do movimento sindical para avançar nas propostas, mas neste ano, a ofensiva está mais forte porque tem apoio midiático.

Os empresários apresentaram uma ‘contra-pauta' com pontos que representam retrocessos trabalhistas. Entre os itens estão o congelamento dos pisos e salários, sem reposição da inflação e sem aumento real, por três anos.

O governo interino de Temer, com ministros atolados de processos e comprometidos com a elite empresarial, já propôs aumento de jornada para 12 horas diárias, totalizando 60h semanais, e a defesa da ampliação da terceirização. Outro tema importante à classe trabalhadora e que já está ameaçada por Temer é a Previdência Social.

Além de anunciar o corte de benefícios a trabalhadores acidentados e acometidos por doença ocupacional, o projeto é mexer na aposentadoria, aumentando o tempo de serviço.

Primeiras rodadas de negociação

A Federação Estadual dos Metalúrgicos da FEM-CUT/SP já colocou em andamento o calendário de negociação com as bancadas patronais. Na última semana de julho aconteceram reuniões com a Fundição e com o Grupo 3.

A última negociação agendada até o final desta reportagem (última semana de julho) é no dia 11 de agosto, com o G2.

Os representantes de Forjaria e Parafusos procuraram a FEM-CUT para voltar a negociar com o Sindipeças, que não assina a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) desde 2014.

Conforme destaca o presidente da Federação, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, o G3 volta a ter três sindicatos patronais que negociam em conjunto neste início de Campanha Salarial.

Neste ano, as negociações serão divididas em oito bancadas patronais, e não mais em seis. O G8 passa a ter cinco sindicatos, já que o Sicetel e o Sindicel saíram do grupo no ano passado. O G10 passou por reestruturação na coordenação.

A data-base é 1º de setembro e estão em campanha 202.213 trabalhadores na base da FEM-CUT no Estado de São Paulo.

Como a inflação afeta o salário do trabalhador

De acordo com o economista da subseção do Dieese/SMetal, Fernando Lima, a inflação afeta diretamente o trabalhador diminuindo o poder de compra.

O índice para a reposição para a campanha salarial é calculado de setembro de 2015 a agosto de 2016, já que a data-base da categoria é em setembro.
Mas com apenas dois meses para a data-base, o índice da inflação era de 8,59% (de setembro de 2015 a junho de 2016). "Isso significa que para um metalúrgico que recebe R$ 1500 por mês, o poder de compra dele diminui em R$ 128,85", afirma Fernando Lima.

"O orçamento da classe trabalhadora já é apertado e se recusar a pagar ao menos a reposição da inflação é se negar a manter a vida do trabalhador no mesmo padrão. Por isso, é importante a conscientização da categoria de que sem enfrentamento não há manutenção e avanço nos direitos", alerta Carpinha.

Contra o retrocesso: o combate à terceirização

A regulamentação da terceirização é uma das propostas que devem ser encaminhadas ao Congresso Nacional pelo governo interino de Michel Temer, que pertence ao PMDB, partido que já declarou suas intenções para o país no documento "Ponte para o Futuro".

Colocar as leis trabalhistas em desuso é uma das intenções declaradas dos ministros de Temer e de seus apoiadores, do setor patronal. O movimento sindical já está articulado para combater essa e outras ameaças aos direitos dos trabalhadores.

Por isso, esse tema é um dos eixos da campanha salarial de 2016 da FEM-CUT. Para se evitar a precarização do mundo do trabalho.

 

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Os presidentes do SMetal e da FEM-CUT, Ademilson Terto e Luizão, entregaram a pauta da Campanha aos sindicatos patronais no dia 7 de julho.

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