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Em cinco meses

Sorocaba registra 1.364 mortes por Covid-19 somente em 2021

Número representa 70,8% das 1927 pessoas que faleceram pela doença desde março de 2020; trabalhador em serviços de limpeza de área pública e faxineiro foram as ocupações com mais desligamento por morte desde o começo da pandemia

Quarta-feira, 02 de Junho de 2021 - 15:30 - Atualizado em 02/06/2021 19:01
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A taxa de letalidade da doença em Sorocaba, que era de 2,1% no final de 2020, disparou para 3,1% em maio deste ano Arquivo/Foguinho Imprensa SMetal
A situação de Sorocaba no enfrentamento à Covid-19 vai de mal a pior, especialmente se compararmos os anos de 2020 e 2021. Em apenas cinco meses, de janeiro a maio deste ano, foram contabilizados 1.364 óbitos contra 563 mortes ocorridas em todo o ano passado. Ou seja, dos 1927 sorocabanos que perderam a vida para a doença desde o começo da pandemia, 70,8% faleceram no ano de 2021.

Em abril deste ano, inclusive, Sorocaba chegou à triste marca de 1º lugar no ranking de cidades de mais 300 mil habitantes do Estado de São Paulo em crescimento no número de óbitos em 2021. Foi um aumento de 142,29% entre 1º de janeiro e 13 de abril – data do levantamento.

morte, covid, sorocaba,, Fonte: Retirado do Estadão / Boletim Evolução da Covid-19 em Sorocaba
Dentre as cidades com mais de 300 mil habitantes, Sorocaba ficou no 1º lugar de crescimento de óbitos no ano de 2021 (+ 142,29% em 13 de abril)Fonte: Retirado do Estadão / Boletim Evolução da Covid-19 em Sorocaba
Os dados são do Boletim Independente sobre a Evolução da Covid-19 em Sorocaba, elaborado pelo professor e economista Flaviano Agostinho de Lima e divulgado na última segunda-feira, dia 31 de maio.

O número de casos confirmados em 2021 também é maior, foram de 35.304 (57,3%) em apenas cinco meses contra 26.320 (42,7%) no ano de 2020. Contudo, a taxa de letalidade que era mais baixa, de 2,1% no final de 2020, disparou para 3,1% em maio deste ano.

“Considerando somente 2021, a taxa de mortalidade alcançou 3,9%, ou seja, de cada 100 casos, quase quatro pessoas vêm a óbito. Sem dizer outras mortes em consequência das sequelas pós-Covid-19 e as taxas de ocupação de leitos que estão num patamar crítico”, enfatiza Lima no boletim.

Para Leandro Soares, presidente do SMetal, os números da Covid-19 em Sorocaba são resultado da falta de políticas de enfrentamento à doença não só a nível federal, mas também municipal. “Em Sorocaba, o prefeito opta apenas por soluções paliativas, como abrir leitos somente depois que muita gente já morreu nas filas dos hospitais. Não existe nenhuma ação preventiva para evitar que tantas pessoas morram na cidade. Unido à falta de vontade do governo Bolsonaro em proteger a população, resulta no aumento nos números de contaminação e de mortes na cidade, que são alarmantes”, enfatiza.

Desligamento do emprego por morte

Um levantamento realizado pela subseção do Dieese dos Metalúrgicos de Sorocaba revela que os desligamentos por morte de trabalhadores com carteira assinada em Sorocaba em abril de 2021 cresceram 144% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Os dados são do novo Caged e quando analisamos os números do primeiro quadrimestre (de janeiro a abril de 2021) ao mesmo período de 2020, o aumento foi de 78,3%.

Até o último levantamento, os meses de março e abril de 2021 foram os que tiveram mais trabalhadores desligados por óbito durante a pandemia, com 68 e 71 pessoas, respectivamente. Segundo o economista do Dieese, Fernando Lima, no levantamento não é possível identificar a causa da morte, porém, “percebemos uma explosão de desligamento por morte no período pós-Covid-19 e uma relação entre a evolução do número de casos/mortes na cidade e no desligamento por morte”.

Entre as ocupações com mais desligamento por morte durante entre março de 2020 (quando foi registrado o primeiro caso em Sorocaba) e abril de 2021, estão: trabalhador em serviços de limpeza e conservação de áreas públicas (25); faxineiro (19); vendedor de comércio varejista (18); motorista de caminhão (17); porteiro de edifícios (16); assistente administrativo (15) e alimentador de linha de produção (14).

Quando analisamos toda a categoria metalúrgica de Sorocaba, os números de desligamento por óbito também apontam para o crescimento em 2021. Dos 70 metalúrgicos que morreram desde o início da pandemia, 32 foram registrados apenas nos quatro primeiros meses deste ano.

De acordo com Silvio Ferreira, secretário-geral do SMetal, o levantamento do Dieese demonstra o quanto a classe trabalhadora tem sofrido nessa queda de braço constante entre os governos federal, estadual e municipal sobre o que é mais importante, a vida ou a economia.

“Desde o começo da pandemia, o SMetal assumiu como sua principal diretriz nesses tempos difíceis e luta pela preservação da dignidade humana. Sem saúde, não há trabalho, mas sem emprego e renda, o trabalhador não consegue sobreviver, por isso coloca sua vida e de seus familiares em risco todos os dias para trabalhar, especialmente quem mais precisa”, lamenta.

O presidente do SMetal, Leandro Soares, lamenta ainda a ‘normalização’ das milhares de mortes que vêm ocorrendo por Covid-19. “Todo dia perdemos um conhecido, um amigo ou familiar para essa doença, que já tem vacina e, por incompetência do atual presidente e dos governantes que o seguem, como o prefeito Manga, ficamos à mercê da própria sorte e sem perspectiva nenhuma de quando isso vai mudar”, critica.

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