SMetal

Imprensa

SELF-SERVICE COMBUSTÍVEIS

Sorocaba: 1200 frentistas podem ficar sem emprego com proposta de Kim Kataguiri

Para o deputado, automatizar as bombas diminuiria o preço dos combustíveis. No Brasil, o número de trabalhadores nessa função chega a 500 mil. 

Quinta-feira, 16 de Setembro de 2021 - 13:30 - Atualizado em 16/09/2021 14:27
Imprensa SMetal com informações da CUT Brasil

combustiveis, combustivel, postosdecombustivel, frentistas, sindicato, Imagem cedida/Sindicato dos Frentistas
Sindicato dos Frentistas de Sorocaba e Região entrega boletim para conscientizar a categoria.Imagem cedida/Sindicato dos Frentistas
Sorocaba tem aproximadamente 1200 frentistas atuando em 120 postos de combustíveis, segundo dados do Sindicato dos Frentistas da região. Todos esses trabalhadores perderiam seu emprego caso fosse aprovada a proposta do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) de deixar sob a responsabilidade dos motoristas e consumidores o abastecimento de seus próprios veículos. No Brasil, o número de trabalhadores nessa função chega a 500 mil.

A solução dada pelo parlamentar, vem como forma de emenda à Medida Provisória (MP) nº 1063, que permitiria apenas a venda direta de etanol entre usinas e postos. Para o deputado, a proposta “milagrosamente” diminuiria o preço dos combustíveis que hoje pesa no bolso dos próprios trabalhadores brasileiros, mas de acordo com a Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados do Petróleo, os salários pagos à categoria representam apenas 2% no preço do combustível.

Ao invés de propor uma mudança econômica, Kim quer aumentar ainda mais o desemprego e a instabilidade, gerando mais perdas do que ganhos. Hoje o combustível brasileiro é reajustado de acordo com a Política de Preços Internacionais (PPI) , ou seja, o preço varia de acordo com o valor do barril de petróleo internacional, baseado no dólar estadunidense. Essa medida só beneficia as petroleiras. 

Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina é de R$ 6,059, mas em vários estados o litro passa de R$ 7. Já o diesel ficou em R$ 4,695 e o etanol, R$ 4,653. De dezembro de 2015 a setembro de 2021, a gasolina aumentou em média 65%.

De acordo com Luiz Alberto Teixeira de Oliveira, presidente do Sindicato dos Frentistas de Sorocaba e região, a categoria está unida para que essa medida não seja aprovada. “Nós fizemos, unidos no Brasil inteiro, um boletim que estamos distribuindo para todos os trabalhadores. Essa proposta precariza o trabalho, é injusta. Só aqui são 120 postos de combustíveis, é muita gente prejudicada”, afirma.

combustivel, postodecombustivel, frentistas, proposta, MP, deputado, sindicato, Roberto Parizotti/Fotos Públicas
Proposta gera desemprego ao invés de queda nos preços dos combustíveisRoberto Parizotti/Fotos Públicas

A Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados do Petróleo tem se mobilizado nacionalmente e divulgou uma Carta Aberta aos Frentistas de todo o País. No dia 14 de setembro, se reuniu com o deputado Kim Kataguiri para expor a preocupação. Um debate com a participação do deputado, dos trabalhadores e das empresas deve acontecer em São Paulo.

Além das questões econômicas, a Federação alerta ainda para o risco de acidentes graves, incêndios e contaminações, já que o cliente não é treinado para manusear a bomba.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Leandro Soares, o que precisamos é criar empregos e não acabar com o ganha pão das pessoas. "Projetos como só servem para aprofundar a crise econômica que vivemos, causando desemprego e atirando as pessoas na informalidade ou na miséria. Precisamos de projetos que incluam as pessoas no mercado de trabalho e não propostas que extingam postos de trabalho", conclui.

Mais um ataque

Em Sorocaba, esse é o segundo ataque à categoria. Em agosto, o vereador sorocabano Vitão do Cachorrão (Republicanos) apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal que teria como proposta altera a Lei nº 10.130, de 2012, desobrigando empresas interessadas em instalar postos de combustíveis em Sorocaba a seguir a Convenção Coletiva do setor.

Após pressão dos frentistas, com apoio de trabalhadores e organizações de outros segmentos, o vereador retirou de pauta a discussão o projeto. 

Deixe seu Recado