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SMetal cobra da Metso medidas para acabar com os acidentes

Dirigentes do SMetal cobram as medidas necessárias para que a multinacional Metso pare de ceifar vidas dos trabalhadores

Quinta-feira, 01 de Março de 2018 - 10:50 - Atualizado em 01/03/2018 11:16
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Os dirigentes solicitaram a diligência da Gerência Regional do Trabalho e acompanharam João Lúcio na fábrica logo após o acidente fatalFoguinho/ Imprensa SMetal
Os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) realizaram assembleias na porta da Metso Fundição, nos dias 27 e 28 de fevereiro, para informar os trabalhadores que estão acompanhando de perto, juntamente com a Gerência Regional do Trabalho, as mudanças necessárias no local onde ocorreu o acidente fatal do último dia 21.

Além de lamentar a morte do companheiro Jailton Teixeira da Silva, de 33 anos, o diretor Alessandro Pereira Oliveira, que é membro do Comitê Sindical da Empresa, alertou que, infelizmente, esta não é a primeira morte por acidente de trabalho na Fundição. Ele lembrou que um metalúrgico morreu em 2003 e, até hoje, a empresa nunca explicou aos trabalhadores como, de fato, o acidente aconteceu.

“Esperamos nunca mais voltar aqui, na porta da fábrica, para tratar de acidente fatal, se for preciso, denunciaremos a Metso na Organização Mundial do Trabalho. Faremos o que for possível para evitar que trabalhadores percam a vida trabalhando”, reforçou o secretário de organização do SMetal, Izídio de Brito.

 

Mudanças no layout

Em entrevista à imprensa SMetal, o auditor fiscal do trabalho da Gerência Regional do Trabalho de Sorocaba, João Lúcio Spindola Sanches, explicou que o setor onde Jailton trabalhava tem dois fornos e que foi ordenado à empresa que mudasse o controle de comando de ambos para uma distância segura, com o intuito de evitar outro acidente.

“A empresa está fazendo essa alteração e o setor só voltará a funcionar quando eu verificar no local se tudo está adequado conforme as exigências das normas reguladoras de segurança”, afirma João Lúcio.

Ele lembra que, infelizmente, esse é o terceiro acidente grave na Fundição, incluindo mais uma morte e um caso que deixou o metalúrgico paraplégico.

O auditor fiscal explicou também que a empresa tem obrigação de contratar perícia e mostrar o laudo do acidente. Ele acompanhará todo processo para analisar a possibilidade de tomar outras providências, além da mudança do layout do setor.

 

Metso já foi condenada pela Justiça do Trabalho

Em 2008, nos meses de setembro e outubro, dois trabalhadores da Metso Equipamentos, de Sorocaba, morreram após sofrerem acidentes no trabalho. Sidnei Aparecido Fogaça e Ari de Souza França.

Em 2013, a multinacional foi condenada por descumprir termo firmado com Ministério Público após a morte de dois funcionários em suas instalações. Ela foi multada em R$ 2,9 milhões.

O acordo, assinado em 2010, após a ocorrência das duas mortes por acidente de trabalho na fábrica de Sorocaba em 2008, exigia o cumprimento de 40 obrigações relativas à segurança e saúde no ambiente de trabalho. Entre as cláusulas estavam programas médicos e de segurança, como o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional.

No compromisso, a Metso também se obrigou a observar integralmente as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, dentre as quais a NR-10 – que exige a manutenção de instalações elétricas em condições seguras de funcionamento -, e a NR-12 – que obriga o empregador a manter máquinas e equipamentos em condições adequadas.

Em dezembro de 2011, morreu o terceiro metalúrgico, Júlio Valladão Neto. Com o terceiro óbito em pouco mais de três anos, o MPT requereu nova fiscalização à Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Sorocaba, que flagrou o descumprimento da NR-12, no que se refere à falta de proteção em máquinas no setor de usinagem pesada.

Segundo o MPT, o não cumprimento do acordo o levou a ingressar, em 2012, com o processo de execução da multa prevista no TAC, alegando o risco de novos acidentes envolvendo os demais 599 funcionários da unidade.

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