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'Saúde e segurança do trabalhador' é tema de assembleia na Gerdau

Para os dirigentes do SMetal, acidente de trabalho não pode ser tratado como fatalidade e deve ser prevenido. Em menos dois meses, cinco trabalhadores sofreram acidentes na Gerdau, em Araçariguama

Sexta-feira, 28 de Junho de 2019 - 13:51 - Atualizado em 28/06/2019 14:56
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Durante a assembleia, o diretor sindical Tiago Almeida do Nascimento lembrou que só existem três tipos de fatalidades: raio, terremoto e meteoroFoguinho/Imprensa SMetal
“O ato inseguro que um trabalhador pode cometer é ir trabalhar com medo, o restante é condição de trabalho inseguro”, afirmou o secretário de administração e finanças do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Tiago Almeida do Nascimento, durante assembleia sobre segurança e saúde no trabalho realizada na Gerdau, em Araçariguama, nesta quinta-feira, 27.

Em menos de dois meses ocorreram cinco acidentes de trabalho na metalúrgica, o mais grave em 30 de maio. Segundo o membro do Comitê Sindical da Gerdau (CSE), Clodoaldo Lisboa, um cabo de aço estourou e acertou o rosto do trabalhador.

“Ele precisou de cirurgia para introdução de placa para reconstrução do rosto e passa bem, mas ainda não retornou ao trabalho. Nos demais casos, não foi necessário afastamento, porém os trabalhadores foram colocados em locais compatíveis às lesões causadas pelos acidentes”, explica.

Após serem pautados pelo SMetal, na última quarta-feira, 26, representantes da Gerdau estiveram no Sindicato, junto ao técnico de segurança da fábrica, para debater as causas dos acidentes e buscar soluções. “Nós não podemos ficar vendo as coisas acontecerem e depois de alguma fatalidade entrar no assunto. Prevenção é o que mais pode dar resultado”, afirmou o assessor sindical Francisco José Ferreira.

Segundo ele, com auxílio do Sindicato, a empresa ficou incumbida de analisar as condições de trabalho e averiguar se o ritmo pode estar contribuindo para os acidentes. “Não se investiga acidente de trabalho procurando culpados, mas sim as causas e é sim possível combater”, assegurou.

O diretor do SMetal, Tiago Almeida, que é responsável pelo departamento de saúde do trabalhador na entidade, comentou que trabalhar na metalurgia é um trabalho pesado, com suas insalubridades e periculosidades, “mas se já executamos uma função que nos compromete fisicamente e psicologicamente, tem que ser em segurança. Não podemos trabalhar com medo, pensando em quem vai ser o próximo”.

Acidente de trabalho não é fatalidade

Durante a assembleia, o diretor sindical lembrou que só existem três tipos de fatalidades: um raio, um terremoto e um meteoro. “E nenhuma dessas coisas aconteceram na Gerdau. Portanto, todas as demais nós poderíamos e podemos prevenir”, garantiu Tiago.

E completou: “são os trabalhadores que devem dizer chega, que não aceitam trabalhar em tais condições. Se constatarmos que o ritmo que está alto, tem que ser falado até chegar na chefia ou no Sindicato e cabe a empresa contratar mais pessoal para dar conta da demanda”, disse.

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O papel da CIPA na prevenção de acidentes também foi destaque na assembleia da GerdauFoguinho/Imprensa SMetal
Francisco também defendeu que a segurança do trabalhador deve estar sempre em primeiro lugar. “Por mais que os equipamentos estejam em condições ideais, nada é suficiente se não tivermos preocupados continuamente com a segurança de si próprios e das pessoas em nossa volta”, explicou.

“Se perceber qualquer tipo de falha que possa causar um acidente, mínima que seja, o trabalhador deve denunciar e até mesmo não executar aquela função até que tenha certeza que ela será realizada com segurança”, destacou Francisco Ferreira, que lembrou ainda que qualquer tipo de irregularidade dentro da empresa deve ser denunciada ao Sindicato.

Eleição de CIPA

No próximo mês tem eleição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) na Gerdau e os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos alertaram sobre a importância de eleger cipeiros que efetivamente estejam comprometidos com a saúde e segurança no trabalho.

Eles informaram que o Sindicato tem uma política sobre o tema e, caso haja necessidade, a entidade pode auxiliar na qualificação do cipeiro. Se houver interesse, é só procurar o CSE da empresa ou qualquer outro membro da diretoria do SMetal.

“O Sindicato não quer que o cipeiro seja o ‘Superman’ ou a ‘Mulher Maravilha’, que coloque a cueca em cima das calças e saia segurando os cabos de aço que vão estourar no rosto de alguém. Mas sim que, se existe a possibilidade de um cabo de aço estourar e pegar em alguém, deve-se verificar medidas que possam evitar que isso ocorra e cobrar da empresa formas de prevenção”, concluiu.

A Gerdau produz laminados longos de aço, tem aproximadamente 370 trabalhadores e fica em Araçariguama, na Rodovia Castelo Branco.

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