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Luta permanente

Saiba o que pensam lideranças populares frente aos desafios

As militantes afirmam que a luta por direitos é permanente!

Quarta-feira, 09 de Janeiro de 2019 - 16:50 - Atualizado em 10/01/2019 12:09
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Manifestação histórica das mulheres contra o retrocesso, contra o fascismo, em São Paulo, no segundo semestre de 2018Mídia Ninja
A luta das mulheres em 2018 foi muito importante para colocar em pauta questões que influenciam tanto o dia a dia das mulheres quanto da classe trabalhadora, como um todo.

Unidas nas ruas e também nas redes sociais, milhares de mulheres denunciaram o machismo, a violência doméstica, o racismo, a xenofobia e outros itens do pacote que contém o fascismo.

O movimento ganhou força e impressionou pela junção de segmentos, de diversidade partidária e justamente por ter balançado o esqueleto do conservadorismo também foi alvo de represálias e de ataques.

Talvez como consequência da visibilidade que ganhou o movimento feminista, hoje, o Brasil tem como uma das declarações oficiais a de que “o modelo ideal de sociedade é onde as mulheres fiquem em casa”.

Será que é isso que elas querem? Leia abaixo os depoimentos das mulheres Emanuela Barros, Marcia Vianna e Maria Teresa Ferreira, representantes de movimentos que lutam por autonomia, dignidade, por uma sociedade mais justa e igualitária, carregadas de esperança de que um outro mundo é possível.

 

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Emanuela Barros é advogada e luta pela defesa dos direitos das mulheresFoguinho/ Arquivo SMetal
Emanuela O. A. Barros – Advogada, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Sorocaba

Como feminista, militante e atual presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Sorocaba, entendo que a busca da igualdade e o enfrentamento das desigualdades de gênero apresentam-se como um dos mais importantes desafios, que ao poder público compete responder e a nós, mulheres, compete reivindicar e tornar realidade.

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), após atuar muitos anos como órgão consultivo, entrou em 2018 como órgão deliberativo, dando oportunidade para que a sociedade civil pudesse pautar a política pública que ela quer no município: "Ganhou autonomia e poder de efetividade”, o que é primordial num cenário de retrocessos principalmente após o golpe de 2016 que retirou do poder a primeira mulher democraticamente eleita pelo voto popular da presidência da república.

Assim como o golpe foi sexista, o novo governo que chegou ao poder em 2019 também apresenta um discurso que se baseia no preconceito e na discriminação sexual, há claramente um temor diante de possíveis retrocessos a direitos conquistados pelas mulheres brasileiras através de muita luta.  Foi através da luta e da união das mulheres que o feminismo avançou ao longo dos anos, mas a consolidação dos nossos direitos precisa ser efetivada. Por exemplo, só na primeira semana de 2019 foram oficialmente registrados 19 casos de feminicídio no país. Por isso, é tão importante a sociedade brasileira repensar o problema da violência de gênero de forma a romper com os papeis culturais hoje existentes, pois não bastarão leis para proteger as mulheres se suas vozes não forem ouvidas, é preciso lutar contra o machismo e contra a cultura da violência tão enraizada na nossa sociedade.

Diante de um governo que tem à frente do principal ministério que nos representa uma ministra que já declarou é contrária ao movimento feminista e LGBT, bem como pautas de luta histórica das mulheres, chegando a dizer que “o modelo ideal de sociedade é onde as mulheres fiquem em casa”, penso que a única saída para 2019 é resistir e lutar, por nenhum direito a menos, mas essa luta deve ser coletiva e envolver toda a sociedade. Seguiremos na luta!

 

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Marcia Vianna, secretária da Secretaria da Mulher na CUT/SP, na Vigília Lula Livre, em Curitiba nesta quarta-feira, dia 9Divulgação
Márcia Vianna – sindicalista e Secretária da Secretaria Estadual da Mulher trabalhadora da CUT/SP

2018 foi um ano que não terminou, de muita luta e resistência. Houve aumento na desigualdade no nosso país, muitos ataques aos direitos sociais, aumento de desemprego, aprovação da Reforma Trabalhista, o congelamento dos gastos públicos - que afeta toda a população, especialmente as mulheres.

Tivemos o assassinato da Marielle, a prisão do Lula, que culminou com o avanço da extrema direita. Mesmo com tudo isso nós tivemos um papel fundamental, conseguimos impedir a votação da Reforma da Previdência e foi fundamental ter travado essa votação.

A Vigília Lula Livre continua um movimento de muita solidariedade e de uma unidade incrível. Em 2018, um fato muito importante foi o #EleNão, no qual as mulheres fizeram a denúncia contra o fascismo, conseguimos colocar em pauta o machismo, racismo e xenofobia. A luta das mulheres foi muito importante em 2018, milhares de mulheres lutaram contra o retrocesso.

Está claro que esse governo, que tomou posse neste mês, não nos representa. Ele vai aprofundar ainda mais a exclusão social. Mulheres, negros e LGBT não estarão na pauta do governo.

Por isso, é fundamental a unidade da classe trabalhadora. Teremos o Congresso da CUT este ano e precisamos voltar às ruas e conseguir conscientizar os trabalhadores e as trabalhadoras sobre o que está em jogo no país.

Espero que a gente consiga unificar as estratégias de luta e ter muita disposição para lutar porque esse governo quer excluir até a Justiça do Trabalho.

Pela Secretaria de Mulheres teremos um seminário no dia 31 para traçar estratégias e lutas para 2019, dando continuidade à nossa Jornada de Lutas por Direito, em defesa da democracia.

 

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Maria Teresa Ferreira é da Unegro e não se cansa da luta por direitosDivulgação
Maria Teresa Ferreira – ativista do Momunes (Movimento de Mulheres Negras de Sorocaba) e militante da Unegro. Confira trechos de sua coluna no blogueirasnegras.org

Pensando no que foi esse ano (2018), começando pelo final, o processo eleitoral e o balanço dos estragos deixados por ele, desde o resultado das eleições até as feridas deixadas nas relações pessoais, fica fácil imaginar que será um ano de superar as fissuras deixadas ao longo do caminho, haverá de ser dias de reconstruir, seja pessoalmente ou socialmente, as perspectivas, não sem dor e sem luta, de que temos possibilidades.

Considerando a abertura da Caixa de Pandora e o seu efeito em homens e mulheres que se diziam bons, de bem e tementes a Deus, este ano (2019) também será um momento de reavaliação da fé, aquele átimo de segundo que os princípios básicos que moralmente vem guiando a humanidade saem do nosso inconsciente direto para o espelho nos dizendo o quanto equivocados estamos quando traduzimos a Divindade a partir dos nossos interesses, necessidades e interpretações.

Os dias que se avizinham exigirão de nós mais compreensão das interpretações alheias do que propriamente criticas a elas e sinceramente isso serve para a polarização posta entre esquerda e direita. Serão dias que o empate valerá mais que a vitoria e os troféus, porque nos trará de volta a uma realidade que deixamos para trás quando passamos a afirmar que nossa verdade pode se sobrepor a dor do outro, nos colocando num patamar de igualdade.

Para o alvorecer do próximo ano recomendo uma receita, que a mim parece infalível. Coloque no caldeirão da própria consciência sua capacidade de escutar e compreender, a disposição de engolir alguns sapos e alguma empatia pelos que pensam diferente de você. Acrescente doses cavalares de paciência, tolerância e respeito. Misture tudo com boa vontade e o fermento da coragem, coloque para crescer na prateleira da esperança que felizmente ainda acalentamos, principalmente em dias que a previsão é de chuvas e trovoadas.

Aqueça o forno e no explodir dos fogos coloque a massa para assar certo de que esse bolo há de crescer para ser saboreado com luta nossa de todo dia e dividido entre os que se mantiveram de mãos dadas.

Se não esquecermos os ingredientes e nem diminuirmos a receita, tenho fé, sobreviveremos.

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