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Revista Time ignora Temer e entrevista Dilma na cobertura das Olimpíadas

Segunda-feira, 01 de Agosto de 2016 - 16:32 - Atualizado em 27/12/2016 15:04
PT Senado

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Presidenta fala sobre a conjuntura do Brasil na entrevista para a publicação dos EUA
Os golpistas estão mordendo os cotovelos de raiva e despeito, em mais uma prova de que, no exterior, fracassaram as mentiras que o Ministério das Relações Exteriores está sendo obrigado a divulgar sobre os usurpadores que tomaram o poder, contra a vontade da maioria dos votos dos brasileiros.

Internamente, os golpistas têm a cumplicidade da meia dúzia de empresas que controlam a mídia no Brasil, parceiras da ilegalidade do impeachment, que semearam o golpe contra a legalidade com uma longa campanha de descrédito e pessimismo deflagrada logo após a redução forçada dos juros bancários, em 2012.

A nova prova de ilegitimidade do golpe chegou na sexta-feira, dia 29, às bancas de jornais dos Estados Unidos e da Europa: a principal revista semanal do mundo, a norte-americana Time, em sua edição desta semana, não cita o chefe dos usurpadores, Michel Temer, nem qualquer um de seus ministros provisórios. Na apresentação dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começa na sexta-feira (5), a Time traz a presidenta legítima do Brasil garantindo que não haverá sobressaltos com a segurança, nem a ameaça do vírus da Zika durante a realização do principal evento esportivo do mundo - "se o governo interino e provisório, não interrompeu os investimentos programados pelo meu governo", alerta a presidenta.

A Time não traz Dilma Rousseff no lugar de Michel Temer por acaso. Pelo contrário. A ausência do chefe dos usurpadores, oportunistas e desaprovados pelo voto é mais uma prova de que o impeachment é ilegal, ilegítimo e inoportuno.

Tranquila, como pode ser constatado na entrevista em vídeo que a revista publica em seu site (confira aqui), Dilma reflete a segurança de quem nada deve e de que o golpe pode ser revertido. Leia a entrevista:

Como está a luta contra o impeachment?
Estou sendo julgada por um crime que não foi cometido, um não-crime. O que está acontecendo no Brasil não é um golpe militar, mas um golpe parlamentar. Um golpe que está afetando as nossas instituições, corroendo a legalidade por dentro. Eu acredito que essa luta (pela legalidade) requer uma arma, que é a democracia. Nós vivemos em uma democracia e a democracia deve ser respeitada. Por essa razão, nossa arma tem sido o debate, a explicação e o diálogo.

A senhora terá os 27 votos que precisa para impedir o impeachment?
Estou lutando para isso... e acredito que possa vencer.

Qual é o seu plano, se retornar ao poder?
É necessário promover uma reforma política. Precisamos de um plebiscito para que o presidente, em 1º de janeiro de 2019, possa governar o país de uma maneira melhor. Ao mesmo tempo, temos nosso maior desafio, que é o de fazer o Brasil voltar a crescer de novo. E tem de voltar a crescer de uma forma que não contrarie os interesses dos milhões de brasileiros que deixaram a pobreza e agora são da classe média.

A senhora acredita que o impeachment é sexista?
Misógino, na verdade. O fato de eu ser a primeira mulher a ocupar a Presidência da República provoca o mesmo tipo de avaliação estereotipada muito comum das mulheres. Por um lado as mulheres são histéricas, e quando elas não são histéricas, são insensíveis, frias, sem coração. Eu fui pintado como uma pessoa fria, insensível e dura e, por outro lado, como uma pessoa histérica.

A senhora vai continuar lutando?
Estou absolutamente segura. Toda a minha vida tem sido uma experiência de aprendizagem, aprendendo que não há maneira de viver sem luta, em todas as circunstâncias. Eu aprendi a lutar desde cedo, me esforcei e suportei a dor da tortura, eu lutei e sobrevivi bem. Depois, veio a luta contra o câncer. Eu acredito que, hoje, com a ajuda da medicina, é possível derrotar o câncer. E eu vou lutar contra este impeachment sistematicamente.

O que a senhora acha sobre as preocupações de segurança sobre os Jogos Olímpicos?
Temos uma estrutura completa de segurança no Brasil projetada para os Jogos Olímpicos. Uma estrutura que não foi construída ontem, ou anteontem. Ele passou por vários testes. Um deles foi a Copa do Mundo, em 2014, quando ficou claro que não havia um único problema.

... E a ameaça do vírus Zika?
O Brasil está passando por um momento atípico de temperatura, no qual a proliferação de mosquitos portadores do Zika é bem menor. Nós também fizemos uma grande campanha de saúde pública. Você pode ter certeza de que o vírus não será uma ameaça para a saúde pública.

Foi um erro abrigar os Jogos Olímpicos apenas dois anos após a Copa do Mundo?
Eu não vejo por que isso seria um erro. Porque, de certa forma, estamos aproveitando as economias de escala. Quando nós criamos a Copa do Mundo com partidas em 12 estados, foi criada uma infraestrutura, como a de todos os equipamentos de segurança e toda a tecnologia para facilitar a transmissão do evento para o mundo todo, um centro de mídia. Nós aprendemos com isso, e, de certa forma, pode-se dizer que é mais fácil de organizar uma Olimpíada já tendo organizado uma Copa do Mundo.

Alguns anos atrás, depois do Rio ter sido escolhido como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, muita gente disse que o Brasil tendo ganhando um papel muito mais proeminente no mundo. Mas, agora, o Brasil está tendo de falar consigo mesmo. A senhora acha que o Brasil pode voltar a ter um papel mais importante no mundo?
Eu acho que o Brasil tem todas as condições para voltar a desempenhar um papel maior ... todos os países do mundo passaram por crises, bem antes de nós. Os EUA tiveram uma crise grave em 2007, 2008, 2009, 2010 ... A União Europeia também passou a enfrentra uma grave crise. Agora, a crise alcançou os países emergentes, que não foram os que criaram a crise. Ela reflete uma crise do sistema financeiro internacional e, como todos sabemos, é uma dos mais graves desde 1929.

A senhora assume a responsabilidade pela crise econômica do Brasil?
Nós tentamos, desde 2009, aplicar uma política anticíclica que servisse como prevenção para evitar o pior da crise [econômica mundial] no Brasil. Tivemos algum sucesso em 2011, 2012, 2013 e 2014. Em 2015, eu acredito que o que acelerou a crise no Brasil foi a crise política. Foi a crise política que jogou o Brasil na recessão.

Qual é a importância da investigação contra a corrupção da operação Lava Jato para o futuro do Brasil?
O Brasil não têm o monopólio da corrupção. Em todos os países, incluindo os Estados Unidos, há uma luta sistemática contra a corrupção. Mas a luta contra a corrupção não é de apenas um inquérito. Enfrenta-se a corrupção com a melhoria do controle e das instituições, além do aprimoramento na legislação.

A senhora vai para a cerimônia de abertura das Olimpíadas?
Eu fui eleita presidente com 54,5 milhões de votos... e eles estão me convidando para participar nos Jogos Olímpicos numa posição muito secundária... Eu não vou desempenhar um papel que não corresponde ao meu estatuto presidencial.

A senhora vai ter orgulho do Brasil quando os jogos começarem?
Eu tenho e sempre vou ter orgulho do Brasil, porque eu acredito que, mais uma vez, vamos demonstrar que somos capazes de vencer tanto nas arenas, campos e circuitos, quanto fora deles.

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