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Campanha Salarial 2021

Renda em baixa, produção em alta: indústria cresceu em 2021

Empresário industrial se mostra otimista com mercado, mas reclama em negociar um reajuste digno para os metalúrgicos; SMetal destaca que vai lutar pela reposição integral da inflação e aumento real

Quarta-feira, 25 de Agosto de 2021 - 19:48 - Atualizado em 26/08/2021 12:43
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Setor industrial em Sorocaba segue a produção em ritmo elevado

Enquanto os empresários reclamam da inflação e querem jogar o reajuste dos metalúrgicos para baixo, a produção da indústria nacional segue um ritmo elevado em 2021. Por outro lado, o cenário econômico estrangula o poder de compra da classe trabalhadora e as famílias brasileiras têm a menor renda desde 2005.

Nesse balaio, os empresários do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) não parecem, nem de longe, os mesmos que, na mesa de negociação com os metalúrgicos, mostram-se desanimado e sinalizam para um reajuste salarial abaixo do índice da inflação acumulada desde a última data-base da categoria – em 1º setembro de 2020.

Segundo o Índice, criado pelos próprios empresários e divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em agosto de 2021, foram analisados 30 setores da indústria e todos estão confiantes. Aliás, o texto da CNI completa que “é o quarto mês consecutivo de confiança disseminada entre todos os setores da indústria”.

 

 

O  Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) mostra que os patrões estão animados com o mercado e, pelo quarto mês consecutivo, a confiança está disseminada em todos os setores da indústria.

 

O economista Fernando Lima, da subseção do Dieese, explica a importância desse índice. “Quando o empresário está otimista quer dizer que os resultados estão muito bons e isso é importante porque interfere no futuro dos negócios, direcionando novos investimentos. Os dados econômicos disponíveis comprovam o resultado expressivo do índice".

É fato que a produção industrial segue em ritmo elevado este ano. Os números apontam para um crescimento de 5,6% no PIB, superior aos observados antes da crise causada pela pandemia da Covid-19, em 2020.

Na base do SMetal, por exemplo, esse crescimento começa a aparecer. No primeiro semestre deste ano, o saldo de postos de trabalho foi positivo, com 2,3 mil empregados criados e as exportações dos produtos produzidos em Sorocaba tiveram o melhor resultado acumulado em sete meses desde 2012. Para se ter uma ideia, no mesmo período, o setor de comércio registrou o saldo positivo de 709 vagas.

A atuação do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) fez grande diferença para que o setor industrial tivesse esse destaque, como explica o presidente da entidade, Leandro Soares. “A expansão do mercado de trabalho na cidade vai além de uma simples recuperação do que foi perdido num primeiro momento da pandemia. O Sindicato trabalhou importantes acordos para manter os empregos e a renda em 2020 e o impacto foi menos sentido pelo setor. Dessa maneira, os números que observamos este ano é um crescimento importante e mostra como a produção está aquecida. Portanto, cabe agora cobrar que quem produziu tenha o reajuste que merece”.

CRESCIMENTO POR SETOR

CAMINHÕES: A produção de caminhões, que abrange fábricas como Bosch, ZF do Brasil, Schaeffler e Dana, teve o melhor resultado no primeiro semestre do ano desde 2013.

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Leandro Soares, presidente do SMetal Daniela Gaspari/Imprensa SMetal
LEANDRO SOARES:A realidade mostra que as fábricas estão produzindo continuamente. Contratações estão sendo feitas, horas extras estão sendo exigidas dos funcionários. Ou seja, a conta do patrão não bate. É preciso ter em mente que são os trabalhadores e trabalhadoras que produzem, são eles que geram a riqueza do país. Portanto, na hora de dividir o bolo, vamos cobrar a nossa parte de maneira justa. É inadmissível qualquer proposta que não reponha integralmente tudo que perdemos nesse último e, ainda, que não traga aumento real que valorize nosso trabalho. Vamos lutar por isso até o fim!

 

 

REPOSIÇÃO DE PEÇAS: Abrangendo empresas como GK 108 e Schaeffler, o mercado de reposição de peças cresceu mais de 38% somente nos últimos doze meses.

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Valdeci Henrique da Silva, vice-presidente do SMetal Foguinho/Imprensa SMetal
VALDECI HENRIQUE DA SILVA: O crescimento do mercado de reposição de peças é excelente. Vemos isso quando dialogamos com a nossa base, que está trabalhando como nunca e precisando fazer horas a mais para dar conta da produção. É preciso lembrar ainda que boa parte desse setor aqui em Sorocaba não parou durante a pandemia da Covid-19. São muitos trabalhadores e trabalhadoras que saíram de suas casas, colocando suas vidas em risco, para garantir que o setor continuasse nesse crescimento. Agora, cabe a nossa mobilização para dizer aos empresários que exigimos respeito e que qualquer reajuste que não supra nossas necessidades está fora de cogitação.

 

 

 

MÁQUINAS AGRÍCOLAS: Produzidas na CNH Case, em Sorocaba, a produção de máquinas agrícolas tem previsão de crescimento de 20% em 2021.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: O setor de máquinas e equipamentos, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), projeta um crescimento entre 18% e 20% este ano. Além disso, o setor já havia registrado um aumento de 5% no ano passado.

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Silvio Ferreira, secretário-geral do SMetal Caroline Queiroz/Imprensa SMetal
SILVIO FERREIRA: Na CNH Case, o SMetal apontou para um importante crescimento na produção durante o processo de negociação de PPR. Quando as discussões entre Sindicato e empresa não avançaram, chamamos os trabalhadores para explicar que entendíamos que a proposta estava aquém que deveria ser pago. Nesse sentido, é importante que a nossa base entenda que nada vem de graça e é preciso de muita disposição para lutar pelos nossos direitos.

 

 

 

AUTOMÓVEIS: O sucesso de vendas do Corolla Cross, produzido na cidade pela Toyota, impactou não apenas na montadora japonesa, mas também nas empresas sistemistas, como Kanjiko e Gestamp, que produzem componentes para a fabricação dos carros.

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) aponta que o Corolla Cross já é o segundo SUV mais vendido da categoria. Com isso, a volta do terceiro turno já está sendo discutida entre o SMetal e a Toyota para o começo de 2022.

SILVIO FERREIRA: A atuação do SMetal junto a Toyota é um exemplo do trabalho sério da entidade. Negociamos investimentos na ordem de bilhões para a planta local, o que resultou na geração de milhares de empregos diretos e indiretos. Esse mesmo compromisso com a criação de postos de trabalho se mostra agora com as tratativas para termos novamente o terceiro turno na montadora. Tudo isso contribui para que o cenário seja favorável na luta da categoria para recuperar o poder de compra perdido nos últimos doze meses.

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Izidio de Brito, secretário de organização do SMetalFoguinho/mprensa SMetal
IZIDIO DE BRITO: As vendas aquecidas do novo veículo da Toyota refletem diretamente nas sistemistas, que estão com a produção em um patamar elevado, sendo necessário ampliação do trabalho dos companheiros e companheiras. E sendo assim, não podemos aceitar desculpas esfarrapadas dos empresários de que não se previa uma inflação desse tamanho. Não é a categoria que vai pagar por um (des)governo que não controla essa inflação e penaliza o bolso brasileiro. O que temos claro são os números de uma economia em recuperação e trabalhadores produzindo a todo vapor, devendo, portanto, receber o que lhe cabe nessa história.

 

 

 

FUNDIÇÃO: No setor de fundição a melhora também é considerável, sendo o primeiro semestre de 2021 o melhor em seis anos.

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Francisco Saldanha, diretor executivo do SMetal Foguinho/Imprensa SMetal
FRANCISCO LUCRÉCIO JUNIOR SALDANHA: Desde 2015, o setor não tinha um semestre tão produtivo. Isso só demonstra que existe margem para garantir que os trabalhadores possam ter na nossa data-base um reajuste digno, que permita para que o pai e a mãe de família tenham tranquilidade quando vão ao supermercado, quando paga a conta de energia ou precisa abastecer.  Não podemos e não vamos aceitar migalhas dos patrões que lucram com o suor do nosso trabalho. Se produzimos e geramos riqueza, vamos cobrar para que isso seja devolvido para o nosso bolso.

 

 

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