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Fiscalização tributária

"Quem sonega não é o trabalhador com carteira assinada", afirma presidente da FEM-CUT

Dirigente disse não estranhar a notícia sobre a exorbitante dívida do diretor da Fiesp ao governo, de R$ 6,9 bilhões

Quarta-feira, 20 de Julho de 2016 - 14:37 - Atualizado em 27/12/2016 15:02
SMABC

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Luizão questionou ainda se as dívidas teriam sido geradas pela crise ou por má gestão
Enquanto a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, promove a campanha "Não vou pagar o pato" e ajuda a financiar o golpe, o empresário Laodse de Abreu Duarte, um dos diretores da entidade, é apontado como o maior devedor da União entre as pessoas físicas. A dívida chega a R$ 6,9 bilhões.

O diretor, que já foi condenado à prisão por crime contra a ordem tributária, mas recorreu, é um dos milhares de integrantes do cadastro da dívida ativa. A soma dos valores devidos por empresas e pessoas para o governo federal ultrapassou recentemente R$ 1 trilhão.

"O Brasil hoje passa por uma tentativa de lavagem, um momento em que as pessoas defendem o combate à corrupção, e é mesmo importante combater, mas o maior problema não é a corrupção, é a sonegação", afirmou o presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT, a FEM-CUT, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão.

O presidente disse não estranhar a notícia sobre a exorbitante dívida do diretor da Fiesp. "Quem sonega não é o trabalhador com carteira assinada, mas quem detém as grandes fortunas, muitas vezes depositadas em paraísos fiscais".

Luizão questionou ainda se as dívidas te¬riam sido geradas pela crise ou por má gestão.

Além de Laodse, aparecem no topo da lista de devedores dois de seus irmãos: Luiz Lian e Luce Cleo, com dívidas superiores a R$ 6,6 bilhões. No caso desses três irmãos, quase a totalidade do valor atribuído a cada um diz respeito a uma mesma dívida, já que eles eram gestores de um mesmo grupo empresarial familiar que está sendo cobrado pela Procu¬radoria-Geral da Fazenda Nacional.

Mas como pessoas físicas chegam a dever tanto ao fisco? A explicação é que os integrantes da família Abreu Duarte foram incluídos como corresponsáveis em um processo tributário que envolveu uma de suas empresas, a Duagro - que deve, no total, R$ 6,84 bilhões ao governo.

Segundo a Fazenda, a empresa realizou supostas operações de compra e venda de tí¬tulos da Argentina e dos Estados Unidos sem pagar os devidos tributos entre 1999 e 2002. Denúncia do Ministério Público apontou que a Duagro "fraudou a fiscalização tributária".

O débito desses maiores devedores repre¬senta cinco vezes o buraco total no orçamento federal previsto para 2016. "Quem mesmo paga o pato?", questionou Luizão, e reforçou: "Esse dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos poderia ser investido em saúde, edu¬cação e geração de empregos".

"Com esse dinheiro quantos trabalhadores poderiam estar empregados? Quanto inves¬timento em tecnologia poderia ser feito?", questionou.

"Enquanto isso, o trabalhador tem que ouvir dos empresários a proposta de ficar com o salário congelado por três anos", criticou, citando um dos itens da ‘contra-pauta' entregue pela bancada patronal em meio a Campanha Salarial 2016, a qual tem como tema "Sem pato, sem golpe, por mais empregos e direitos".

"O documento com 19 pontos representa um retrocesso nas conquistas da categoria", concluiu.

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