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Machistas não passarão

"Que os gritos das mulheres agredidas sejam ouvidos"

Ativista da sociedade civil que reagiu contra a presença de Frota na Câmara afirma que o grito de protesto dela foi ouvido, mas lembra que centenas de mulheres gritam no Brasil, mas não são ouvidas

Terça-feira, 07 de Agosto de 2018 - 15:39 - Atualizado em 07/08/2018 16:43
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Denise afirma que protocolará pedido de resposta na CâmaraFoguinho/ Imprensa SMetal
A representante comercial Denise Camargo é uma sorocabana negra que há 15 anos atua por direitos das mulheres e contra a discriminação racial na sociedade civil.

Sem integrar partido político Denise acredita que a participação social é capaz de provocar boas mudanças tanto econômicas quanto sociais. Por isso, seu instrumento, muitas vezes, é o grito. O grito contra o machismo, por exemplo, que no Brasil, vitima uma mulher a cada dois segundos, de acordo com o ‘Relógios da Violência’.

Suas manifestações também se dão no espaço virtual, por meio das redes sociais. Denise também anda de bicicleta e em um dos seus passeios, no dia 27 de julho, passou em frente do Centro de Apoio ao Dependente Químico (CADQ), do vereador Rodrigo Manga (DEM) e viu uma faixa dizendo que o ator Alexandre Frota faria uma palestra no dia 2 deste mês.

“Eu publiquei na minha página sobre o absurdo que seria Sorocaba receber um homem que se autodeclara estuprador”. Denise também publicou mensagens de repúdio na página do vereador Manga, mas foi censurada. “Minhas mensagens foram apagadas”.

Diante isso, ela decidiu ir conversar individualmente e pessoalmente com Manga e foi à sessão ordinária de quinta-feira, 2. Surpreendida negativamente quando ouviu Manga falar que o ator estava presente e ainda o chamou para usar a tribuna. “Eu estava tomando café, a vereadora Fernanda Garcia estava falando no plenário, quando de repente, aparece o Frota, do nada”.

Indignada, Denise gritou do auditório para protestar contra a figura de Frota como opressor. “Não fiz nenhuma acusação, só falei o que ele próprio fala”, explica Denise sobre o discurso sexista (discriminação baseada no gênero) e misógino (ódio contra as mulheres).

Ela, assim como outras 40 pessoas da sociedade civil organizada, assistiu a sessão da Câmara desta terça-feira, 7, e protestou contra Manga, mesmo ele  tendo faltado à sessão.

Em entrevista à imprensa SMetal, com a Constituição em mãos, Denise explica que por ter sido agredida verbalmente por Frota, que a acusou de ser de partido, além de ter usado palavras de baixo calão,  protocolará direito à resposta para usar a tribuna popular. “O poder emana do povo e assim que deve ser. E eu sou do povo”.

Ela também fez questão de frisar que recebeu muito apoio e que viu muitas pessoas indignadas com o ocorrido. “Só não concordo quando vejo pessoas que lutam no campo progressista utilizando de uma atividade profissional do Frota, o de ator pornô, para desqualificá-lo. Eu não o condeno por ser ator de filme pornô, que é uma profissão, mas o critico e o repudio como opressor. Contra o que ele representa”, afirma.

Frota assumiu um estupro em rede de TV e cultiva discurso de ódio contra negros, mulheres e homossexuais.

Para os movimentos feministas que estiveram presentes na sessão desta terça, 7, na Câmara, a atitude de coragem de Denise, de se manifestar contra Frota, foi fundamental porque ainda a omissão é uma epidema quando se trata de violência contra a mulher. Mas para essa cultura da violência acabar é preciso fazer valer os gritos das mulheres!

“O poder emana do povo e assim que deve ser. E eu sou do povo”, diz Denise.

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