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Quarta troca de presidente da Petrobras não vai baixar preço dos combustíveis

Para ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, troca de comando da Petrobras pela 4ª vez é cortina de fumaça para tentar facilitar venda. Enquanto isso, o brasileiro continua pagando a conta

Quarta-feira, 25 de Maio de 2022 - 12:50 - Atualizado em 25/05/2022 16:18
com informações de CUT Brasil

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Diretor da Petrobras é trocado mais uma vezFernando Frazão/Agência Brasil
Após apenas 40 dias como presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho foi trocado por Caio Mário Paes de Andrade, que deve assumir o cargo com as benções do ministro da Economia, Paulo Guedes, cuja obsessão é vender a estatal, quando o Conselho de Administração aprovar seu nome.

A mudança veio após pressão do presidente Jair Bolsonaro (PL) para estatal segurar os preços dos combustíveis. Mais uma vez o presidente mente aos brasileiros dizendo estar “indignado” com os aumentos nos preços dos combustíveis, especialmente o diesel, produto mais utilizado pelos caminhoneiros, categoria que o apoia. Mas se realmente quisesse conter a disparada dos preços, o presidente trabalharia para alterar a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras, implantada pelo ilegítimo Michel Temer (MDB) e mantida por ele. O PPI atrela os preços a alta do petróleo e a cotação do dólar.

Querendo mais uma vez jogar a culpa em qualquer pessoa, como nos governadores por causa do índice do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) cobrado pelos estados, que aliás é mantido há anos e, portanto, não é responsável pelos constantes reajustes de preços; e na atual direção da estatal que segue o PPI, ele joga para a plateia e diz que os  constantes reajustes são culpa da própria Petrobras e do Ministério das Minas e Energia (MME), como se ele não fosse o chefe da empresa e do ministério.

Caio Mário Paes de Andrade é o quarto presidente em 3 anos e cinco meses de desgoverno Bolsonaro, o que demonstra o seu desespero em tomar medidas eleitoreiras que não resolvem o problema dos altos preços dos combustíveis, acredita o secretário de Comunicação da CUT Nacional, o petroleiro Roni Barbosa.

“A troca do presidente em apenas de 40 dias é danosa, é desastrosa para uma empresa. É mais um movimento, a que tudo indica de Guedes, para destruir a Petrobras. Ele quer acelerar esse processo, de dilapidação do patrimônio nos últimos meses de governo que lhes restam”, diz Roni.

A avaliação do dirigente é corroborada pelo ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que diz que a troca é uma cortina de fumaça eleitoreira, que acaba provocando uma crise ao desvalorizar a empresa.

“Mudar a presidência a todo momento abre uma crise e a empresa fica sem rumo quando o acionista majoritário [o governo] não tem uma bússola que guie sua direção, desvalorizando a Petrobras. Na realidade Bolsonaro não quer mudar a política de preços de paridade internacional da Petrobras, que cobra em dólar um produto produzido aqui. Desvalorizar a empresa é bom para quem vai comprar. O valor de suas ações cai, tornando mais fácil a sua privatização”, afirma Gabrielli, que atua hoje como pesquisador do Instituto de Estudo Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep).

O ex-presidente da Petrobras, complementa afirmando que embora Bolsonaro aposte num segundo mandato presidencial, não há tempo para privatizar a estatal ainda este ano, pois a autorização precisa passar pelo Congresso Nacional e não seria uma ‘coisa simples’.

Para o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar “o fato é que Bolsonaro não muda ou abandona a política de preço de paridade de importação, o PPI, porque não quer. O PPI não é lei; é decisão do Executivo. A questão central é que o governo não quer briga com o mercado, com os acionistas privados, que, com o atual modelo, têm a garantia de dividendos espetaculares. O foco da gestão da Petrobrás, no atual governo, é geração de caixa, resultante da venda dos combustíveis a valores de PPI, altos lucros e dividendos para acionistas, numa política de transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos, um verdadeiro Robin Hood às avessas”, declarou em entrevista a Veja.

Lula critica troca de presidente na Petrobras

O ex-presidente Lula afirmou nesta terça-feira (24) que o presidente Jair Bolsonaro tem o “rabo preso” com a política de preços da Petrobras e não tem coragem de mudá-la. Em entrevista à rádio Mais Brasil News, segundo o Congresso em Foco, Lula criticou a decisão de Bolsonaro de trocar o presidente da estatal.

“O Bolsonaro precisa parar de falar bobagem, precisa parar de ficar dizendo que tem vontade de dar murro na mesa. Não é trocando o presidente [da Petrobras], não. Se a Petrobras é tão importante, assuma ele a presidência da Petrobras. O que ele tem que ter é coragem. Porque, na verdade, o que ele tem é o rabo preso aos preços internacionais”, declarou o ex-presidente. “Ele pode fazer uma reunião com o Conselho Nacional de Política Energética, trazer a Petrobras para a mesa. Traga o conselho da Petrobras e decida que o preço não será dolarizado, que nós não vamos pagar o preço internacional”, acrescentou.

Preços continuam altos em Sorocaba

Leandro Soares, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), ressalta que além de estar mais do que comprovado que essas mudanças são só uma tentativa eleitoreira, quem continua pagando a conta é a trabalhadora e o trabalhador brasileiro.

“É um absurdo o que esse governo faz. É óbvio que é uma decisão política que os combustíveis custem tão caro, Bolsonaro escolheu isso. É ano de decisão para o brasileiro, temos que focar em mudar a raiz do problema. Temos a faca e o queijo na mão para escolher por um governo que preze pela dignidade do nosso povo, que garanta um prato de comida na mesa, que garanta emprego para todos”, ressalta.

Em Sorocaba, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média do preço do diesel chegou a R$6,895 na semana de 15 a 21 de maio, tendo preço máximo de R$7,190. O etanol bateu média de R$4,817, chegando a R$5,690 em alguns postos. A gasolina comum custa em média R$6,817, chegando a R$7,490 em alguns postos.

Já o GLP, o preço médio na cidade chegou a R$111,06, mas o consumidor pode pagar até R$118,00, dependendo do revendedor.

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