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Psicóloga da 'cura gay' tem cargo sem concurso em gabinete de deputado do DEM

Questionado sobre a função de Rozangela em seu gabinete, o deputado Sóstenes Cavalcante afirma que ela é assessora do mandato “para vários assuntos”

Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017 - 15:35
Revista Fórum

, Reprodução
Rozangela ocupa um cargo de natureza especial, que dispensa concurso público para efetivação.Reprodução
A psicóloga Rozangela Alves Justino, conhecida por dizer que faz terapias de reversão sexual, a chamada “cura gay”, a mesma que conseguiu na última sexta-feira (15) a liminar que assegura a manutenção dos seus “tratamentos”, possui desde junho de 2016 um cargo no gabinete do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) na Câmara. O parlamentar, que está em seu primeiro mandato no Congresso, é apadrinhado pelo líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, pastor Silas Malafaia.

Rozangela ocupa um cargo de natureza especial, que dispensa concurso público para efetivação. Com uma remuneração de R$ 3.346,34 em agosto, a psicóloga é vinculada à Liderança do Democratas na Câmara e está lotada no gabinete de Sóstenes. Na Casa, ela já foi vista este ano participando de um culto evangélico.

A psicóloga entrou com a ação na Justiça Federal este ano contra a resolução 01/1999 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que estabelece algumas regras de atuação em relação à orientação sexual. O documento afirma, por exemplo, que os profissionais “não devem exercer qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados”.

A liminar concedida pelo juiz Waldemar Cláudio de Carvalho gerou forte reação negativa. O CFP já anunciou que irá recorrer da decisão.

Assessora para “vários assuntos”

Procurado nesta terça (19) por The Intercept Brasil, o deputado Sóstenes afirmou que não entende a questão da homossexualidade como uma enfermidade. “Eu nunca entendi a questão do homossexualismo (sic) como enfermidade. No meu critério, é uma opção e deve ser respeitada por quem quer que seja”, afirmou.

Questionado sobre a função de Rozangela em seu gabinete em Brasília, o congressista afirma que ela é assessora do mandato “para vários assuntos”. Sóstenes negou que seu gabinete tenha patrocinado ou possua alguma relação com a ação popular protocolada pela psicóloga. “Ela é uma cidadã, psicóloga, teve o registro suspenso, e tem todo o direito de tomar as medidas judiciais cabíveis como qualquer cidadão brasileiro”, defendeu.

Sóstenes Cavalcante é pastor da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada por Silas Malafaia, e atuou por cinco anos como diretor de eventos de uma associação ligada à congregação. Em seu site, diz que o principal objetivo de seu mandato é a “defesa à vida e aos interesses da família”. “Comigo Deus tem tratos específicos de tempos em tempos para cumprir determinadas missões”, destaca o parlamentar em seu perfil.

Uma das missões recentes de Sóstenes, aliás, foi se manifestar contra a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, realizada em Porto Alegre, que tratava de temas ligados ao universo LGBT. A mostra foi cancelada após protestos de grupos conservadores.

Apoio ao MBL

O deputado gravou um vídeo sobre o tema, publicado no Twitter com o título “Em defesa da família e dos valores morais”, em que afirma que “políticos esquerdistas defenderam essa aberração”. O Movimento Brasil Livre (MBL) também publicou um vídeo em sua página no Facebook em que Sóstenes dá apoio à postura do grupo em relação à exposição.

Em novembro ao ano passado, o parlamentar já havia se aliado a um dos principais líderes do MBL, o vereador Fernando Holiday, de São Paulo, para combater a ocupação de campi do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, por estudantes que pediam melhorias no ensino público. Os dois chegaram a visitar uma unidade juntos.

Rozangela Justino não foi vista nesta terça no Congresso para comentar a decisão, apesar do gabinete do deputado Sóstenes afirmar que ela estava trabalhando na Câmara. Em contato por telefone, ela pediu que perguntas fossem enviadas pelo Whatsapp, mas não respondeu.

*Com informações do The Intercept Brasil

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