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Prysmian deixa trabalhadores a pé após turno de 12 horas

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017 - 20:01 - Atualizado em 21/11/2017 09:23
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Prysmian, greve, salvaguarda, reforma trabalhista, campanha salarial, Foguinho/Imprensa Smetal
Greve por cláusula de proteção contra a reforma na Prysmian começou de manhã na unidade do Éden (foto); à tarde os metalúrgicos da fábrica no Alto da Boa Vista aderiram ao movimentoFoguinho/Imprensa Smetal
Após trabalharem por 12 horas seguidas na unidade da Prysmian, no bairro Alto da Boa Vista, em Sorocaba, no final da tarde de hoje, dia 17, os funcionários resolveram aderir a uma greve na empresa pela inclusão da cláusula de salvaguarda contra a reforma trabalhista no acordo coletivo deste ano. Como retaliação, os gestores da fábrica retiraram o transporte coletivo que levaria os metalúrgicos embora para casa após o expediente.

"A atitude dos gestores da Prysmian foi leviana e vingativa. Ela desrespeitou  de forma acintosa o direito democrático dos trabalhadores entrarem em greve. Além do mais, o pessoal já tinha adquirido direito à condução após o fim do expediente", afirma indignado o secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Silvio Ferreira.

Para ele, "é esse tipo de mentalidade patronal perversa que a reforma trabalhista tem gerado no país. E é por isso que, mais do que nunca, não abrimos mão da cláusula de salvaguarda na Prysmian e em todas as empresas do setor metalúrgico da região", declara o dirigente.

Vários trabalhadores pegaram carona para irem embora. Após 40 minutos de muita insistência do Sindicato, a empresa restabeleceu o transporte coletivo fretado para quem ficou aguardando mais esse tempo após o expediente.

"Mesmo tendo conseguido reverter a situação, para nós a impressão que ficou foi de desconfiança em relação à empresa. Ela diz que não assina a salvaguarda, mas que não pretende implantar a reforma na fábrica. Atitudes como a de hoje, porém, mostram justamente o contrário", afirma Silvio.

 

Início da greve

A greve no Grupo Prysmian em Sorocaba começou no período da manhã de hoje, dia 17, na unidade da empresa no bairro Éden, também em Sorocaba. A paralisação foi reforçada pelo segundo turno da fábrica às 14h.

Na fábrica do Alto da Boa Vista a assembleia do Sindicato foi realizada no fim da tarde e 100% dos trabalhadores aprovaram a paralisação em defesa da cláusula de salvaguarda contra a terceirização e a reforma trabalhista.

A unidade do Éden conta com cerca de 470 trabalhadores e a da Boa Vista, com pouco mais de 200; totalizando aproximadamente 700 funcionários em Sorocaba.

A Prysmian produz cabos e é representada pelo sindicato patronal Sindicel (Grupo 8-1 na Fiesp), que se recusa a firmar a convenção coletiva estadual da categoria, garantindo reposição da inflação, renovação das cláusulas sociais já existentes e inclusão da cláusula de proteção contra a terceirização e a reforma trabalhista, chamada de salvaguarda.

 

Maioria já conquistou

Em Sorocaba e região, considerando convenções coletivas e acordos coletivos por fábrica, mais de 75% dos 35 mil metalúrgicos concluíram a campanha salarial deste ano.

Os acordos e convenções já firmados garantem, no mínimo, a reposição da inflação (1,73%), a renovação das cláusulas sociais já existentes e a inclusão de cláusulas de salvaguarda, que garantem negociações com o sindicatos antes da aplicação de qualquer nova lei, decreto ou medida provisória que prejudique os direitos do trabalhadores.

Em diversas fábricas de Sorocaba e Região, os metalúrgicos também têm conquistado avanços adicionais, como aumento real de salários, plano de carreira, valorização do vale compras, entre outros.

"Na Prysmian, além de negar o que a maioria da categoria já garantiu, a empresa acha correto castigar os trabalhadores, após um turno exaustivo de trabalho, por exigirem direitos e dignidade no trabalho", compara Silvio Ferreira.

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