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Determinação da Justiça

Pries reabre sem previsão de pagamento dos salários

Quarta-feira, 05 de Agosto de 2015 - 15:00 - Atualizado em 27/12/2016 14:06
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Os 150 trabalhadores da empresa estão com dois meses de salários atrasados e três meses sem receber sequer a cesta básica de alimentos
Depois de 15 dias fechada por ordem da Justiça Federal, devido a dívidas, a Tecnomecânica Pries, em Sorocaba, reabriu na tarde de terça-feira, por determinação da Justiça Cível, e retomou a produção na manhã desta quarta-feira, dia 5, mas sem previsão de pagamento dos salários atrasados dos trabalhadores.

Os 150 trabalhadores da empresa, que produz componentes para a chamada linha branca, como fogões e geladeiras, estão com dois meses de salários atrasados e três meses sem receber sequer a cesta básica de alimentos.

Como a decisão de reabertura saiu na terça, não houve tempo de avisar todos os funcionários sobre a volta das atividades. Dos cerca de 90 trabalhadores que foram para a fábrica na manhã de quarta, 60 decidiram retomar suas atividades. Outros 30 voltaram pra casa após saberem que não tinham perspectiva de receber os salários atrasados.

O Comitê Sindical de Empresa (CSE) da Pries conta com dois integrantes, Sérgio João e Joel Camargo; que acompanharam o retorno dos funcionários, juntamente com o vice-presidente do Smetal, Tiago Almeida, e o coordenador da subsede da CUT, Joselito Mansinho.

Situação da empresa
Antes de decidir se retornavam ou não para suas funções, os trabalhadores tiveram uma reunião com o gestor da empresa, Delcides Barbosa, que explicou a situação jurídica e financeira da Pries e as perspectivas de futuro.

"Não vou criar ilusões para vocês. Estamos voltando em uma situação mais difícil do que quando fechamos, 15 dias atrás. Perdemos credibilidade com clientes. Não temos condições de falar sobre pagamento agora", afirmou o gestor na reunião com os funcionários.

Delcides passou a administrar a empresa após a aprovação de uma recuperação judicial, em maio deste ano. Com a recuperação judicial a Pries obteve a chance de negociar a dívida com credores, sob supervisão da Justiça, ao mesmo tempo em que tenta se recuperar financeiramente.

O gestor afirmou que a Pries tem R$ 170 mil em haver com uma cliente, a Eletrolux. Segundo ele, assim que o depósito for efetuado, em uma conta judicial aberta recentemente pela empresa, o recurso será utilizado para pagar uma parte dos salários atrasados aos funcionários.


Rescisão indireta
O Smetal disponibilizou como opção aos trabalhadores da Pries a abertura de processos para rescisão indireta de contrato de trabalho, visto que a empresa não se dispõe a dispensar funcionários.

Com a rescisão indireta o trabalhador rompe unilateralmente seu vínculo com a empregadora e pode requerer o seguro-desemprego ao mesmo tempo em que aciona a empresa na Justiça para garantir seus direitos trabalhistas no futuro.

Motivo do fechamento
O fechamento da empresa no dia 21 de julho aconteceu por determinação do juiz substituto Marcos Alves Tavares, da 1ª Vara Federal de Sorocaba. Ele atendeu a um pedido da proprietária do terreno onde a Pries está instalada, na zona industrial de Sorocaba, devido a falta de pagamento de aluguel.

Já a reabertura foi decidida pelo juiz Emerson Tadeu Pires de Camargo, da 6ª Vara Cível de Sorocaba, sob o argumento de que não haveria meio de a Pries atender aos requisitos da recuperação judicial se ela estivesse impossibilitada de produzir.

"Ver o portão da fábrica aberto novamente é um alívio. A gente vinha pra cá nos últimos dias e via a empresa fechada, ninguém dava informação aqui, tava difícil. Vamos ver se agora vai pra frente", comentou Francisco de Assis, que trabalha na Pries há cinco anos e é membro da Comissão de Condições de Trabalho Saúde e Meio Ambiente na fábrica.

Crise antiga
O Sindicato ressalta que os problemas da Pries não têm relação com a crise atual de produção no País. "A situação administrativa da empresa é irregular há muitos anos. O terrenos onde a fábrica funciona mesmo, ela perdeu há cinco anos pois ele foi leiloado para pagar dívidas com o INSS", afirma Tiago de Almeida.

"A empresa existe há 60 anos, mas desde os anos 90, pelo menos, as crises administrativas e financeiras são recorrentes", explica o dirigente.

O Sindicato deseja que a empresa se ajuste financeiramente e readquira credibilidade no mercado e gere mais empregos. "No entanto, não vamos abrir mão do respeito a todos os direitos dos trabalhadores, começando com o mais básico, o pagamento dos salários em dia", alerta Tiago.

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