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Prefeitura ameaça Coreso e catadores ocupam antessala do prefeito

Sábado, 08 de Agosto de 2015 - 13:32 - Atualizado em 27/12/2016 14:06
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Ocupação foi encerrada pouco antes da 19h de sexta, após secretário municipal garantir, por telefone, a vereadores que vai negociar com os catadores
Devido ao plano de economia de recursos da prefeitura, os catadores da Coreso (Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba) teriam até o início de outubro para desocupar um galpão alugado onde trabalham na Avenida Itavuvu. Mas o governo municipal mudou de ideia e exigiu que a cooperativa deixasse o local nesta sexta-feira, dia 7, sob ameaça de perderem também seus equipamentos de trabalho, cedidos pela administração pública. A resposta dos catadores, no mesmo dia, foi ocupar a sala de espera do prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB) para exigir uma reunião urgente.

Após quatro horas de ocupação pacífica, ninguém do primeiro escalão do governo atendeu pessoalmente os trabalhadores, mas o secretário de serviços públicos, Oduvaldo Denadai, garantiu no início da noite de sexta-feira, por telefone, que vai se reunir com os catadores na segunda-feira, às 14h, para negociar uma solução que não prejudique a sobrevivência dos trabalhadores. Até lá, nenhuma atitude despejo ou retirada de equipamentos será tomada pelo Paço.

A ocupação começou às 14h45 e terminou pouco antes das 19h. Cerca de 40 catadores participaram do protesto, auxiliados pelo Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania (Ceadec).

Nas primeiras horas de ocupação, alguns secretários municipais estavam nos gabinetes do 6º andar do Paço, onde fica a sala do prefeito, que estava fora da cidade. Mas, no final da tarde, para não passarem pela antessala, os membros do primeiro escalão deixaram o local pelas portas dos fundos a fim de usarem o elevador privativo.

Mediação da Câmara
Os vereadores Carlos Leite e Izídio de Brito (ambos do PT) foram ao local para tentar intermediar uma negociação. Mas nenhum secretário contatado pelos parlamentares se dispôs a conversar com os trabalhadores. Izídio e Carlos pediram ao presidente da Câmara, Cláudio do Sorocaba I (PR), que intercedesse pelos catadores.

Por volta das 18h30, Cláudio afirmou, por telefone, que conversou, também por telefone, com o secretário Oduvaldo e obteve a garantia de que os catadores serão recebidos em reunião e a Prefeitura não tomará deles o galpão e o maquinário, por enquanto. Os telefonemas foram colocados em viva voz para que os cooperados e a imprensa pudessem ouvir.

"O secretário não deu garantias apenas ao vereador Cláudio de que vai negociar a questão, ele empenhou a palavra ao presidente dos 20 vereadores, à instituição Câmara Municipal. A quebra da palavra seria um fato muito grave nas relações entre os poderes", afirmou Izídio aos trabalhadores.

Garantia de trabalho
O consultor do Ceadec, Carlos Roberto de Gáspari, disse que a Coreso não está se recusando a deixar o galpão da Itatuvu. "Os catadores querem apenas que a Prefeitura assuma a responsabilidade de encontrar um outro local para o trabalho de reciclagem efetuado pela cooperativa", explicou.

Patrícia Senne, presidente da Coreso, reforçou a reclamação de Gáspari. "O que a Prefeitura tentou fazer foi jogar esses catadores de volta para a rua (vários deles eram moradores de rua antes de entrarem para o trabalho de reciclagem) sem nenhuma garantia de um novo espaço e da manutenção de equipamentos necessários para o serviço social e ambiental que exercemos".

"Podemos sair do galpão da Itavuvu até na segunda-feira mesmo, contanto que tenhamos um outro local apropriado para trabalhar", afirmou Rita de Cássia Viana, presidente do Ceadec.

Produtividade dos catadores
A Coreso conta com 80 catadores, sendo 27 no galpão da Itavuvu. Eles retiram das ruas cerca de 150 toneladas de materiais recicláveis por mês. Se não fosse encaminhado para a reciclagem, esse material se misturaria ao lixo comum, que a prefeitura paga por tonelada para uma empresa privada recolher e levar para o aterro sanitário em Iperó.

Até o ano passado a Coreso operava em três galpões, um no Além-Ponte, um no Vitória Régia e outro na Itavuvu. O galpão da Itavuvu pegou fogo em janeiro deste ano e até agora não foi reformado pela administração municipal. Logo após a Coreso ter tido prejuízo com o incêndio, sem receber garantia de ajuda, o governo municipal começou a requisitar o fim das atividades da unidade o Itavuvu.

Em julho deste ano, após negociação registrada em ata, a Prefeitura deu prazo de 90 dias para a Coreso desocupar o local. A prefeitura concordou em ajudar a procurar um outro galpão, a fim de que o trabalho da cooperativa não ficasse reduzido a uma única unidade, a do Além-Ponte.

A Coreso faz parte da Rede Cata-Vida, de iniciativa federal, que atua em 22 municípios da região, nos quais trabalham 378 catadores da rede, incluindo os 80 de Sorocaba.

Um ano de atraso do Paço
Sorocaba já está um ano atrasada em relação ao prazo de enquadramento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a ampliação da coleta seletiva de recicláveis, a preservação de recursos naturais e a valorização dos catadores, em virtude de sua atividade ambiental e da geração de renda e da inclusão social representada por esse serviço.

"O governo municipal nunca apoiou de fato a coleta seletiva com inclusão dos catadores. Pelo contrário, a administração estuda meios de excluir ainda mais esses trabalhadores, por meio da incineração dos resíduos por empresas particulares. Mas algumas demandas reais ela tem obrigação de providenciar, como a manutenção do trabalho já existente dos catadores cooperados", afirma Gáspari.

No final da ocupação desta sexta-feira, no Paço, o comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), Benedito da Silva Zanin, que manteve uma equipe de aproximadamente 15 guardas para acompanhar o protesto, afirmou que a manifestação foi "familiar e sem incidentes". As lideranças dos catadores também elogiaram a postura respeitosa e não-opressiva da GCM.

O Ceadec e a Coreso contam com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal).

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