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'Precisamos continuar a ser protagonistas desta história', afirma ex-ministra

A ex-ministra Eleonora Menicucci pontuou que a saída para a ditadura atual do governo Temer são as manifestações das ruas

Segunda-feira, 12 de Março de 2018 - 09:50 - Atualizado em 12/03/2018 10:50
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Eleonora Menicucci sancionou a Lei Maria da Penha e luta contra o governo de Michel Temer que é racista, homofóbico e que descrimina o gênero ou sexo das pessoas.Foguinho / Imprensa SMetal
A socióloga e ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci deu a aula magna da 16ª edição do curso de Promotoras Legais Populares (PLP´s), realizado neste sábado, 10, na Câmara Municipal de Sorocaba.

Ela ressaltou o grande desafio que as participantes dessa edição do curso têm pela frente. “Nas outras edições do curso os direitos estavam garantidos. Agora, vocês terão que explicar para as pessoas, para as comunidades o que é ter direitos. O que era ter Minha Casa Minha Vida, ter Bolsa Família e agora não ter mais nada, porque vivemos numa ditadura”.

Com o plenário lotado Eleonora, que foi presa política da ditadura civil-militar por três anos, contou um pouco de sua trajetória política e profissional. Hoje, aos 73 anos, ela está ainda mais convicta de que o caminho para uma sociedade mais justa é a resistência contra a tirania e o conservadorismo.

Questionada pela imprensa do SMetal qual o papel das mulheres frente à consolidação do golpe de 2016, ela afirma: “não sair das ruas e gritar: pela democracia radical, eleição sem Lula é fraude. Nenhuma mulher a menos, nenhum direito a menos, contra a cultura do estupro. Mexeu com uma mexeu com todas. Democracia é o nosso lugar! E precisamos radicalizar cada vez mais e continuarmos sendo protagonistas desta história”.

Quando Eleonora chegou ao presídio Tiradentes, como presa política, por militar contra a ditadura na universidade de Minas Gerais, ela encontrou a militante Amelinha Teles que já estava presa há um ano. Depois de um ano de prisão, Dilma Rousseff chegou ao presídio Tiradentes. Nesse contexto de tortura e de perseguições, essas mulheres de uma mesma geração, forjaram uma amizade que permanece até hoje.

Uma ajudou a outra a enfrentar o período em que passavam na Torre das Donzelas, como era conhecido o lugar onde se realizavam as torturas. É preciso coragem para enfrentar uma ditadura civil-militar e, ainda mais, para permanecerem fortes para continuarem a lutar pela democracia.

Após sair da prisão Eleonora, que tinha uma filha de 1 ano e 10 meses, foio trabalhar com mulheres em defesa dos direitos humanos no nordeste. Depois, se tornou pró-reitora da Unifesp e vice-reitora, quando foi convidada por Dilma para ser ministra.

Eleonora que lutou pelo voto nos tempos da ditadura, pela Constituição Cidadã de 1988 destaca que “não permitiremos mais 21 anos de ditadura”. “É um grande compromisso que vocês estão assumindo hoje aqui”, disse apontando para as integrantes do curso de PLP´s.

 

16ª edição

A iniciativa da aula magna na Câmara foi da vereadora Iara Bernardi (PT). Estavam na mesa também a professora Tânia Bacelli, advogada Emanuela Barros, que é presidente do Conselho Municipal da Mulher e a coordenadora do PLP de Mairinque, Ildeia Maria de Souza.

“O curso de PLPs é de empoderamento das mulheres, para que elas tenham conhecimento de seus direitos e que possam compartilhar com outras esses conhecimentos. Que elas sejam promotoras e defensoras de outras mulheres que não conhecem seus direitos”, destacou Iara.

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