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Para as mulheres, pandemia acentuou violência e desigualdade

Estudos divulgados mostram que, durante o período da pandemia, as mulheres sofreram mais com a violência, além de serem as principais vítimas da desigualdade social que o momento expôs

Sexta-feira, 12 de Março de 2021 - 12:35 - Atualizado em 12/03/2021 13:59
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carolzinha, 2021, imprensa, Daniela Gaspari/Imprensa SMetal
Uma das marcas adotadas como símbolo do combate à violência contra mulher é o X vermelhoDaniela Gaspari/Imprensa SMetal
No lado sul do mapa, João está há um ano em sistema de ‘home office’, mantendo sua renda e conseguindo até reorganizar seu apartamento para poder ter mais conforto durante o expediente. Do outro lado da mesma cidade, Maria foi demitida do seu antigo emprego e dependeu do Auxílio Emergencial. Como mãe solo, recebeu R$1200,00 por alguns meses em 2020, mas agora já não sabe o que fazer para sustentar a si mesma e seu filho de 2 anos. Fátima está com o marido e os filhos em isolamento social e passou a sofrer violência física e psicológica por parte do seu companheiro.

Esses personagens podem até ser hipotéticos, mas suas realidades estão expressas na vida de muita gente nesse Brasil afora. A pandemia impactou de formas diferentes, é fato, e estudos divulgados recentemente mostram que as mulheres – além de enfrentarem o coronavírus – também precisaram enfrentar a acentuação da violência doméstica e da desigualdade.

Para se ter uma noção, 55% dos beneficiados pelo Auxílio Emergencial eram mulheres de 18 a 34 anos. Muitas delas desempregadas e com filhos, que precisavam do dinheiro para colocar um prato de comida na mesa e não serem despejadas de suas residências com crianças pequenas. Agora que a assistência cessou, elas seguem provando a desigualdade, sem apoio governamental e a espera de uma ajuda ainda incerta.

A violência doméstica se intensificou durante a pandemia. De acordo com dados do Disque 100 e Disque 180, foram registradas 105 mil ligações denunciando situações de violência contra mulher; o número é equivalente a 287 chamadas por dia, durante um ano.

Para a secretaria da mulher trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana, antes mesmo da pandemia as mulheres sofreram com decisões, por parte do governo federal, que impactaram na luta contra a violência. Ela recorda que a PEC 241/55 congelou os gastos públicos por, pelo menos, 20 anos no país. “Com o congelamento dos gastos públicos foi drasticamente reduzida a verba para combater a violência contra as mulheres e promover a autonomia. Isso tem reflexo direto porque não se tem políticas públicas para frear a violência”, comenta Márcia.

Jornada tripla e o esgotamento psicológico

Ao menos 50% das mulheres brasileiras afirmam que começaram a cuidar de alguém na pandemia. Os dados são da Sempreviva Organização Feminista (Sof) e fazem parte de uma pesquisa que avaliou os impactos na rotina e na vida das mulheres. Esse “cuidar”, está dentro de um trabalho não remunerado, chamado pelo público feminino de “dupla jornada”.

Muitas mulheres seguiram trabalhando na pandemia e, quando chegavam em casa, também tinham o trabalho doméstico para realizar. Além dessa rotina que já é uma velha conhecida das mulheres, as aulas presenciais também foram suspensas nas escolas brasileiras atribuindo-se, assim, mais uma função para a mulher: o de ensinar e supervisionar os filhos com as atividades escolares. Neste caso, fala-se em tripla jornada.

Este mesmo estudo da Sempreviva mostra que 67% das mulheres brasileiras demonstraram que não tiveram ajuda ou divisão de tarefas dentro dos seus lares. Assim, 41% passaram a trabalhar mais durante o período pandêmico tendo que enfrentar a covid-19 e o esgotamento físico/psicológico.

Auxílio Emergencial

“É impossível que as mulheres consigam fazer a quarentena com os filhos passando fome em suas casas. É urgente e necessária a volta do Auxílio Emergencial até o final da pandemia. A vacinação também é uma pauta prioritária porque, hoje em dia, as pessoas têm que escolher entre ficar em casa e passar fome ou ir para a rua e se infectar”, defende a secretaria da mulher trabalhadora da CUT-SP.

Recentemente, a equipe econômica do presidente, Jair Bolsonaro, divulgou que pretende voltar a pagar as parcelas do Auxílio Emergencial. O que tem causado debate é que o valor deve variar entre R$175,00 e R$375,00, sendo bem menor do que o pago em 2020 (R$600,00). Na última semana, o SMetal noticiou um estudo do Dieese que mostrava que, em São Paulo, o valor de uma cesta com produtos básicos como arroz, feijão, batatas, carne bovina, óleo de soja, bananas e tomates chega a custar R$639,00.

“Essa conta não bate. Os novos valores anunciados para o Auxílio não serão suficientes para alimentar uma família. Muito provavelmente quem vai continuar pagando pela irresponsabilidade e indiferença do governo são os trabalhadores e, como observado, as mulheres terão que enfrentar o coronavírus e a acentuação da desigualdade social muito mais intensamente. Precisamos de um valor justo nesta assistência e de vacinação ampla e irrestrita”, finaliza o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Soares.

Serviço

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 presta uma escuta e acolhida para mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes. A ligação é gratuita e o 180 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher: seja para reportar ou denunciar. Faça sua parte!

 

 

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