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O sorocabano que anda a pé

31% dos sorocabanos precisam andar para realizar as atividades diárias. Mas as vias e calçadas dependem de melhores condições de uso

Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017 - 10:45 - Atualizado em 16/08/2017 11:35
Jônatas Rosa/Imprensa SMetal

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Em Sorocaba, 31% das pessoas andam a pé diariamente para realizar as atividades diárias, segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade, realizado em 2013.Foguinho/Imprensa SMetal
Jeniffer Farias, 27, se esforça para caminhar no centro de Sorocaba com o bebê nos braços e o carrinho. “A gente passa muito apuro”, relata. “Com o carrinho, a gente atropela as pessoas, causa incômodo. Acabo trazendo o bebê no colo, o que é cansativo e desconfortável para ele”.

As dificuldades dela são as mesmas para 31% dos sorocabanos. Esse é o percentual de pessoas que andam a pé diariamente para realizar as atividades diárias, segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade, realizado em 2013. Isso significa afirmar que mais de 200 mil pessoas se locomovem a pé, número maior que todas as cidades da Região Metropolitana de Sorocaba.

Segundo a pesquisa da Urbes – Trânsito e Transporte, o número é superior ao de pessoas que usam o transporte coletivo (25,76%) e menor dos que usam transporte individual (42,41%).

Acidente e falta de estrutura

Jane Caruso, 63, com uso de uma bengala, também passa pelas estreitas e irregulares calçadas de Sorocaba. “Temos médico para ir, exame para fazer e tem lugar que só a pé para chegar”, conta. A senhora reclama que a situação se repete por toda cidade e já lhe causou acidentes “Machuquei as mãos, os joelhos”. Algo parecido com a situação que o Luiz Carlos Barros Cruz, 60, passa todos os dias. “Com o tempo, a gente conhece o lugar e se acostuma, mas é difícil. Tem que procurar o melhor lugar. Às vezes, tem que sair para rua para passar e corre o risco de ser atropelado”, revela o porteiro que tem uma deficiência na perna esquerda.

Estudantes são os que mais caminham

No horário de pico pela manhã, das 6h30 às 8h30, o número de viagens não motorizadas chega a 35%. Os principais motivos dessas viagens são para trabalho e estudo. No quadro geral, estudo corresponde a 50% das viagens nessa modalidade. Na sequência vem compras (43,70%), trabalho (24,90%) e saúde (20,30%). Outras situações somam 30,80%.

Mais pobres caminham mais e por mais tempo

Em média, o sorocabano anda 20 minutos a pé para as atividades diárias. São 22 minutos para chegar ao trabalho e 20 para saúde e compras. Já trajetos com destino à escola duram 19 minutos. Das pessoas que têm renda familiar inferior ao salário mínimo (até R$ 700 no período da pesquisa), 45,3% se deslocam a pé, em média, 34 minutos por viagem. Os moradores de Sorocaba com renda entre R$ 700 e R$ 2.100 são o grupo que mais andam a pé (35,1%), cerca de 32 minutos.

Mais participação

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Para Gilberto Franca, professor da UFSCar Sorocaba, o caminho está em desenvolver políticas que tenham participação popular e educação urbanística.Foguinho/Imprensa SMetal
Para Gilberto Franca (foto), professor da Universidade Federal de São Carlos UFSCar Sorocaba, o caminho está em desenvolver políticas que tenham participação popular. “O que não existiu até agora é o debate. Tem um plano que é apresentado pelo executivo, com audiências muitas vezes esvaziadas ou com algum nível de conflito de interesse, resolvido pontualmente”.

O professor também defende que haja uma educação urbanística. “A população não tem a cidade como um direito porque ela não teve a chance de participar de elaboração ou de ser educada para isso. Então, você tem um plano macro, mas ele precisa levar a participação da comunidade, levar ela a fazer o processo junto”.

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