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Novo presidente da CNM/CUT aponta redução da jornada como prioridade

Carlos Grana deixou a Confederação dos Metalúrgicos nesta sexta, 21, para concorrer a deputado estadual

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010 - Atualizado em 27/12/2016 11:53
Rede Brasil Atual e Imprensa CNM/CUT

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Nespolo (esq.) é dirigente metalúrgico de Porto Alegre; Grana, do ABC paulista, deixa a presidência da CNM após 5 anos
O dirigente metalúrgico gaúcho Claudir Nespolo assumiu, nesta sexta-feira (21), a presidência da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), num momento ímpar para os metalúrgicos brasileiros. Ainda em maio, o setor deve retomar o pico de nível de emprego de 2008, aproximando-se da melhor marca dos últimos 20 anos.

O ex- presidente Carlos Roberto Grana, metalúrgico do ABC e à frente da CNM nos últimos 5 anos, deixou o cargo para se candidatar a deputado estadual nas eleições deste ano. Nespolo era vice de Carlos Grana.

Em entrevista à imprensa nesta quinta-feira, Nespolo afirmou que a redução da jornada será fundamental para melhorar a distribuição de renda e a qualidade de vida dos trabalhadores. "A CNM tem todo um trabalho estruturado de luta pela redução da jornada de trabalho, não só para os metalúrgicos, mas para toda a sociedade", afirma. "Precisamos garantir que a roda virtuosa da economia continue", acrescenta.

Segundo o dirigente, a estratégia da confederação se divide em pautar as empresas para garantir a redução da jornada nas mesas de negociação, pressionar a Câmara dos Deputados para votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95 que trata da redução da jornada, sem redução de salários, e exercer pressão sobre o governo federal para garantir distribuição de renda.

"A distribuição de renda ocorre pela elevação salarial na mesa de negociações e pela redução da jornada que possibilita aumentar a massa salarial e o número de pessoas que recebem salário", elenca. Só no setor metalúrgico, Nespolo calcula que a redução da jornada de trabalho vai criar um novo emprego a cada 15 trabalhadores em exercício. "Serão mais de 2 milhões de empregos no país, em todos os setores", estima.

Ritmo de trabalho
A redução da jornada tem outras virtudes, lembra o dirigente metalúrgico. Uma delas é melhorar a saúde do trabalhador. "Nos últimos anos, a tecnologia aumentou em muito a intensidade do trabalho", descreve. "Um cotidiano desse tipo causa estresse e adoecimento aos trabalhadores", condena.

Nespolo que dirigiu o Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre (RS) por três mandatos e atualmente é secretário de Política Sindical da CUT-RS alerta para o perigo do ritmo de trabalho. "Vemos surgir uma multidão de sequelados. O ritmo cada vez mais intenso de trabalho é um grande trauma que temos de evitar no ambiente de trabalho", analisa.
"Saúde do trabalhador é estratégico em todos os momentos", reforça o líder metalúrgico.

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