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Na fábrica ou no sindicato, mulheres ocupam espaços

Mesmo cumprindo dupla ou tripla jornada e enfrentando diversos preconceitos, trabalhadoras da categoria não se intimidam e se tornam importantes lideranças em prol da luta por igualdade de direitos

Quinta-feira, 12 de Março de 2020 - 11:03 - Atualizado em 12/03/2020 11:31
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As dirigentes do SMetal Priscila Silva, Nazaré Inocencia, Lindalva Martins e a trabalhadora Cíntia ReginaArquivo/ Foguinho Imprensa SMetal
Quando Cíntia Regina levanta, a madrugada ainda demora para acabar. Às 3h15 começa sua rotina, que vai acabar por volta das 22 horas. São quase 20h horas por dia, nas quais ela se divide entre o trabalho numa empresa metalúrgica e os afazeres de casa, mãe e esposa. “A semana é muito corrida. A gente trabalha boa parte do dia e ainda cuida da casa, da comida, das roupas, do filho”.

A rotina de Cíntia é a mesma para milhares de mulheres que trabalham nas empresas metalúrgicas de Sorocaba e região. São 7.149 delas registradas atualmente, representando apenas 19,46% da categoria. O que as levam a enfrentarem mais desafios que os outros trabalhadores metalúrgicos.

Representação

Lindalva Martins, trabalhadora da Flextronics e dirigente do  SMetal, afirma que, por ser mulher, é preciso sempre provar a capacidade. E foi por isso que ela se envolveu com o sindicato. “Sempre participei de reuniões e assembleias em outras categorias. Quando entrei no atual emprego, encontrei situações difíceis e não tinha nenhuma representante. Então, achei importante ocupar esse espaço para representar as trabalhadoras”.

Foi a indignação com ambiente de trabalho que também levou Priscila Silva à atuação sindical. Hoje, além de fazer parte da diretoria do SMetal, Priscila é secretária de juventude da CUT/SP e da direção da Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT. “É uma situação diferenciada uma mulher à frente de negociações e que participa de outras instâncias. Então, tenho que estudar mais, me informar mais, porque sou muito mais questionada por ser mulher numa categoria predominante masculina”, diz ela.

Funcionária da Flextronics há dez anos, Nazaré Inocência da Silva, sempre mobilizava as companheiras quando tinha alguma reivindicação e acabou indo para a diretoria do SMetal depois de dois mandatos na CIPA e como brigadista. “Sempre tentam dizer que nós, mulheres, somos frágeis, que não damos conta do trabalho, mas garanto que damos de dez a zero em muitos homens”.

Nazaré completa que o trabalho junto ao sindicato tem sido fundamental de mobilizar na fábrica. “Tudo que aprendo eu procuro levar para minhas colegas de trabalho, para que elas possam estar informadas e para ajudar a lutar pelos seus direitos”. Lindalva conta que é bastante procurada pelas companheiras. “Hoje as mulheres confiam mais na nossa atuação sindical e fazemos o possível para atuar no que elas precisam”. 

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Jornada das mulheresFonte: Estudo 'A inserção das mulheres mercado de trabalho / Dieese

Jornada extensa

Na condição de liberada para atuação sindical, Priscila cumpre uma extensa agenda em prol dos trabalhadores, mas, especialmente, das trabalhadoras. No segundo mandato como dirigente, ela comenta os desafios que enfrenta no dia a dia. “Não é fácil, a gente tem filho, outros afazeres e fica bastante corrido”.

Como Cíntia e Priscila, Lindalva também se desdobra entre a profissão e ser mãe. “A gente precisa encontrar meios para trabalhar, ter atuação sindical e cuidar dos filhos. É preciso muita força e garra para dar conta de tudo”.

Nazaré sabe bem o que é isso. Viúva, assumiu sozinha a chefia da casa e a criação dos setes filhos. “A gente tem 15 minutos de intervalo no trabalho e já corre no celular ver se está tudo bem em casa. E quando chega, tem um monte de coisa para fazer. É a segunda jornada de trabalho”.

Cíntia defende que os homens deveriam colaborar mais com as mulheres em todos os sentidos. E ela está certa. As mulheres que trabalham fora gastam 95% a mais do seu tempo nos serviços de casa do que os homens. São mais de 21 horas semanais de tarefas domésticas, o dobro do tempo dos homens. 

Apoio e respeito

Todas elas defendem que é preciso maior participação das mulheres nas lutas por igualdade e respeito. Para Cíntia, é preciso mais valorização. “Somos injustiçadas no trabalho e na sociedade, temos que lutar para ganhar nossos direitos e respeito”.  “Devemos nos informar mais”, aponta Lindalva, “saber dos nossos direitos e combater essas políticas que tantos nos prejudicam e irão prejudicar também nossos filhos e netos”.

Priscila lembra que só unidas os desafios podem ser vencidos. “Só a ação coletiva faz com o ambiente de trabalho seja mais seguro, que possa trabalhar sem assedio. Só a coletividade garante que a gente possa executar um bom trabalho e ter uma vida saudável”. Nazaré corrobora com a afirmação. “Não podemos desanimar nunca. Se parar, a situação piora. Temos que nos juntar umas às outras e lutar sempre”.

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