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Motor do Futuro: desafios para as autopeças são debatidos em Sorocaba

No evento, que aconteceu na quinta, 26, no Parque Tecnológico, o SMetal defendeu que a mudança tecnológica para descarbonização de veículos no Brasil é inevitável, urgente e deve incluir a qualificação dos trabalhadores

Sexta-feira, 27 de Maio de 2022 - 11:28 - Atualizado em 27/05/2022 14:49
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Leandro Soares, presidente do SMetal, fez parte do segundo painel de debates do “Híbrido-Etanol: O Motor do Futuro”, realizado no Parque Tecnológico de SorocabaFoguinho/Imprensa SMetal
A transição tecnológica para a descarbonização de veículos é inevitável, urgente e deve incluir a participação e a qualificação dos trabalhadores. Esse foi o recado do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Soares, durante o debate “Híbrido-Etanol: O Motor do Futuro”, realizado nesta quinta-feira, dia 26, no Parque Tecnológico de Sorocaba.

Dados que demonstram os impactos que o desenvolvimento de veículos elétricos pode causar em toda a cadeia produtiva, especialmente no que diz respeito ao emprego, foram apresentados pelo presidente do SMetal no segundo painel do evento. A mesa de debate contou ainda com a participação do diretor de tecnologia do Sindicado Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Gábor Deák, e do diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno.

Segundo estudo solicitado pela CLEPA (Associação Europeia de Autopeças), em um cenário somente de carros elétricos na Europa, 84% dos postos de trabalho ligados aos motores à combustão convencionais serão eliminados até 2040. Esse percentual representa aproximadamente 500 mil postos de trabalho fechados, bastante superior ao número de empregos que podem ser gerados pela mudança, de 226 mil.

“A conta não fecha. E a repercussão para Sorocaba, que é o segundo maior polo de autopeças do Brasil, seria extremamente negativa. Por isso, defendemos que o veículo híbrido-flex atende às metas de curto e médio prazo para a redução de CO2 e proporciona a oportunidade de os trabalhadores de autopeças, e também as próprias empresas do setor, se qualificarem para se adaptarem a essa nova realidade, que é irreversível”, disse.

Para Leandro, a qualificação e requalificação dos trabalhadores é urgente e o Sindicato está à disposição para, junto às universidades, empresas e o poder público, buscar mecanismos para o desenvolvimento de cursos e formas de possibilitar essa preparação para o futuro. “Esse cenário de transição tecnológica ocorre simultaneamente ao período de potenciais impactos da Indústria 4.0 na categoria. E queremos discutir e encontrar soluções para esse cenário de mudanças junto às autopeças e empresas locais”, assegurou.

Gábor Deák, do Sindipeças, por sua vez, apresentou algumas das medidas que estão sendo tomadas pela entidade diante da necessidade de adequações às novas tecnologias automotivas. O representante patronal trouxe ainda algumas questões que são debatidas dentro do movimento Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono (MSBC), criado em 2021, com o objetivo de criação de um plano estratégico em prol da descarbonização no Brasil.

Segundo ele, os próximos caminhos são: “trazer para o país o que existe de capacidade de demanda disponível para peças de reposição; favorecer a continuidade da utilização dos motores de combustão interna, que são tão bons ambientalmente quanto os elétricos para quem tem etanol e biodiesel disponível, como é o caso do Brasil; ajudar outros países a estabelecer o mesmo sistema, de forma que haja uma base de produção mais alta; orientar as empresas sobre as mudanças que vêm pela frente e que elas precisam tomar providências para se adequar e treiná-las para façam isso da forma adequada, orientando os principais executivos”.

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O primeiro painel debateu Foguinho/Imprensa SMetal

Qual a melhor escolha para o Brasil?

No primeiro painel, que contou com a participação de Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil; de Evandro Maggio, diretor de Compras, Pesquisa e Desenvolvimento da Toyota para a América Latina e Caribe; de Gerhard Ett, professor do departamento de Engenharia Química da FEI; e de Rodrigo Marques, coordenador do CEMPQC, foram apresentadas as tecnologias de combustíveis limpos existentes no mundo.

Na Toyota, por exemplo, há quatro modelos de veículos eletrificados para reduzir a emissão de poluentes: o híbrido flex, que é produzido no Brasil e pode ser abastecido com etanol ou gasolina; o híbrido plug-in, que pode ser recarregado na rede elétrica; bateria elétrica, com propulsão exclusivamente elétrica e recarga na rede; e o de hidrogênio.

Quando questionados sobre qual a melhor tecnologia para o Brasil, os palestrantes afirmaram que não há uma única resposta, pois no país existem várias especificidades por regiões, como clima, vocações, fonte de renda e infraestrutura, que ampliam as opções a serem implementadas.

Porém, diante da atual infraestrutura no país e da necessidade urgente de se adequar a essa nova realidade, o híbrido – que consiste na junção do combustível e a bateria elétrica – seria a melhor opção. “Nessa condição de início de transformação no país, o híbrido é uma resposta imediata, que pode começar esse caminho em direção ao futuro”, assegurou Evandro Maggio, diretor da Toyota.

A opinião teve apoio do professor de Engenharia Química, Gerhard Ett, que informou ainda que, no Brasil, há cerca de 42 mil postos de combustíveis que devem ser aproveitados nesse processo de mudança tecnológica. “No Brasil, temos diferenças sociais e distâncias continentais muito grandes. Um veículo puramente elétrico, que normalmente tem uma autonomia menor, tende a ficar mais para centros urbanos. Ou então, vou precisar planejar a minha viagem para chegar no lugar com a energia necessária”, explicou.

Segundo ele, deve-se levar em conta também o consumidor. É necessário pensar em veículos mais populares, mas também há potenciais compradores de veículos sofisticados. “O país tem mercado para os dois lados, mas o ponto importante é, se eu vou comprar um veículo, eu quero ter a certeza qual é o custo dele depois de seis anos, a depressão do veículo, e a energia que eu vou precisar. E nessa questão, eu vejo como uma grande vantagem o etanol, pois ele tem esse poder, tem o ciclo fechado de carbono, e aproveitar a logística que nós temos com o etanol é uma grande vantagem”, assegurou.

Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, lembrou que, na indústria automotiva, os investimentos são planejados com bastante antecipação e que esse processo de transformação deve ser uma missão compartilhada entre setor público, trabalhadores e todo o sistema produtivo – montadoras e fornecedores. Ele afirmou ainda que os debates, realizados em várias partes do Estado de São Paulo, deve ter como objetivo estabelecer efetivamente um plano de ação.

“Todos os setores devem interagir para realmente dar uma visão de futuro, planejar corretamente e fazer esse processo de transição e de investimentos. Porque vai requerer uma transformação possivelmente dos fornecedores, que vão deixar de produzir uma peça x para produzir agora uma peça y. Vai requerer também uma atualização das competências dos trabalhadores, que vão ter que sair de um processo muito manual para um processo mais digital, por exemplo. Tudo isso tem que passar por uma fase de planejamento”, enfatizou.

Próximos encontros

O evento em Sorocaba foi o terceiro realizado sobre o tema no Estado de São Paulo e contou com a participação de representantes de diversos setores, como o poder público Executivo e Legislativo, universidades, empresários e sindicalistas, e foi transmitido pela internet.

Com foco na transição do motor movido a gasolina para um motor híbrido-etanol, antes de chegar ao motor 100% elétrico, o primeiro encontro aconteceu em outubro do ano passado, em Araraquara. O segundo encontro foi em São Carlos, em abril deste ano, e destacou os desafios e oportunidades das rotas tecnológicas para a mobilidade sustentável.

O próximo evento acontece no dia 22 de junho, no Parque Tecnológico de São José dos Campos. O debate “Híbrido-Etanol: O Motor do Futuro” é organizado pela Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo (FEM-CUT/SP); pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e pelo Centro Multidisciplinar de Pesquisa em Combustíveis, Biocombustíveis, Petróleo e Derivados (CEMPEQC), e tem apoio dos Sindicatos de Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) e do ABC, e das montadoras Toyota e Volkswagen.

Assista à íntegra da atividade no Parque Tecnológico de Sorocaba:

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