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Moradores da região Sudeste terão aumento de 13% na conta de luz

Reajuste calculado por empresa privada pode ser maior ou menor por não incluir impostos, nem bandeira tarifária, explica engenheiro da Eletrobras. Aumento médio será de 12% no país

Terça-feira, 17 de Maio de 2022 - 14:20 - Atualizado em 17/05/2022 15:14
com informações de CUT Brasil

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Aumento na conta de luz pode chegar a 12% na média brasileiraBanco de imagens
A população brasileira deve se preparar para pagar mais caro pela tarifa de energia elétrica este ano. Não bastassem os aumentos em 2021, que chegaram a mais de 20% em alguns estados, dependendo da distribuidora, a previsão é que o reajuste registre 12% de média no país. Na região Sudeste o valor pode ser ainda maior, chegando a 13%.

A previsão é da empresa privada pela TR Soluções —empresa de tecnologia especializada em tarifas de energia, que, no entanto, não calculou os impactos dos impostos (que variam de estado para estado), nem a bandeira tarifária, que eleva ainda mais o valor da conta a ser paga pelo consumidor. Os dados foram levantados por uma reportagem do jornal Folha de São Paulo.

Pelas contas da empresa, os maiores aumentos serão no Nordeste, com alta de 17%; o Sudeste com 13%; o Norte sofrerá com mais 10%; o Centro-Oeste terá 9,5% de reajuste e a única baixa em comparação com o ano passado será no Sul com 3%.

Para Leandro Soares, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), infelizmente quem paga a conta final é sempre o trabalhador e a trabalhadora. “A política atual fecha os olhos para quem mais precisa. Não dá para justificar esses aumentos sem destacar e entender que são decisões que poderiam ser revertidas pelo governo, o problema é que o presidente não quer fazer isso. O povo não aguenta mais, não tem emprego, não tem comida na mesa, desse jeito, onde vamos parar?”, questiona.

O engenheiro elétrico da Eletrobras Ikaro Chaves, confirma a opinião e explica que uma das maiores responsáveis pelo aumento nas contas de energia é a Política de Preços Internacionais (PPI), da Petrobras, que cobra em dólar pelos combustíveis que são utilizados pelas usinas termoelétricas, responsáveis por parte do abastecimento nas regiões mais distantes dos grandes centros.

“Quem ganha são as termoelétricas que funcionam como back-up caso os reservatórios estejam em baixa e são pagas para não produzir. No entanto, ao serem utilizadas, os donos ganham muito mais”, diz

Projetos para baixar preço de energia são eleitoreiros

Os constantes reajustes nos preços da energia elétricas estão levando alguns parlamentares a apresentar projetos para forçar a diminuição nesses valores. Porém, segundo o engenheiro da Eletrobras, os que foram apresentados até agora têm caráter eleitoreiro e não resolvem a questão.

“O problema é estrutural, não mexe na raiz, como o projeto de transferir pro orçamento da União os custos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Ora, isso vai fazer com que o consumidor pobre pague pelo o que o rico consome de energia, que normalmente é muito do que uma família com menos recursos, que tem menos equipamentos elétricos”, diz Ikaro.

Ainda segundo o engenheiro, a boa parte da CDE se destina a estados da região Norte como Amazonas, Rondônia e Acre. “Isso faria a população do Norte pagar 20 vezes mais do que a de São Paulo. Não se pode fazer o pobre pagar pela conta do rico que consome muito mais”, acrescenta.

Os subsídios contidos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), são pagos mensalmente pelos consumidores em suas contas de luz. Entre eles, estão os subsídios para consumidores de baixa renda; a geração de energia e sistemas isolados do norte do país; a geração de energia a carvão mineral e investimentos em eletrificação rural. O projeto que transfere a Conta de Desenvolvimento Energético é do deputado Paulo Ganime (Novo-RJ).

Outros projetos preveem mudar a estrutura da conta de luz no Brasil. A bancada do Ceará, na Câmara Federal, por exemplo, pediu que o reajuste de 24% nas contas do estado fosse suspenso numa “canetada”. Outros estados, como São Paulo e Minas Gerais temem que o reajuste chegue a 20%.

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