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Campanha Salarial

Metade dos metalúrgicos da região pode parar fábricas na próxima semana

A outra metade trabalha em grupos de empresas que ofereceram 9% de reajuste salarial e garantiram acordos

Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010 - Atualizado em 27/12/2016 11:54
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Metalúrgicos lotaram o auditório Wilson Bolinha, na sede de Sorocaba, para acompanhar os resultados parciais da campanha salarial de 2010
Metade dos 40 mil metalúrgicos da região de Sorocaba aceitou acordos patronais que prevêem no mínimo 9% de reajuste salarial a partir deste mês. A outra metade deve iniciar paralisações nas fábricas a partir da próxima semana, em busca de acordos semelhantes.

A decisão foi tomada pelos trabalhadores em assembleia na noite de sexta-feira, dia 3, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em Sorocaba. A categoria, filiada à CUT, está em campanha salarial no estado e a data-base para firmar acordos venceu no dia 1º de setembro.

Os empresários do setor estão divididos em seis diferentes grupos de negociação, todos vinculados à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Até pouco antes da assembleia desta sexta, apenas os grupos 3, 8 e das fundições apresentaram propostas consideradas satisfatórias pelos metalúrgicos. Em Sorocaba, as fábricas desses grupos empregam cerca de 20 mil trabalhadores.

Já os grupos 2, 10 e das montadoras não apresentaram propostas ou não atenderam às expectativas dos metalúrgicos. Na região de Sorocaba, os grupos 2 e 10 empregam 50% dos metalúrgicos. Ainda não há funcionários de montadoras na região, cenário que deve mudar com a instalação da Toyota, prevista para o próximo ano.

O dobro da inflação
Os grupos patronais que tiveram propostas aprovadas pelos metalúrgicos ofereceram 9% de reajuste nas faixas salariais acima do piso da categoria. Esse índice representa mais do que o dobro da inflação acumulada desde a última campanha salarial, em setembro de 2009.

A inflação medida pelo INPC, acumulada no período, está em 4,36%. Ainda falta apurar o mês de agosto, mas a previsão é que a inflação do mês fique próxima de zero. Portanto, os 9% representam 4,45% de aumento real.

Piso salarial
Para os menores salários (pisos salariais), o reajuste pode chegar a 14,9%, dependendo do porte da fábrica e do grupo patronal. O piso metalúrgico nesses grupos, sem os reajustes, varia de R$ 764 a R$ 980, conforme o segmento e o porte da empresa. Em todo caso, 9% é o reajuste mínimo.

O piso das montadoras é maior e está em R$ 1.275 atualmente, mas não é aplicável na região de Sorocaba, onde não há fabricantes de veículos.

Teto salarial
O reajuste mínimo de 9% é aplicado até um teto salarial que varia de R$ 5 mil a R$ 5,3 mil, dependendo do grupo patronal. Salários acima desse valor recebem reajuste fixo equivalente aos 9% até o limite previsto pelo teto.

Licença-maternidade
Alguns setores metalúrgicos também aceitaram se antecipar ao projeto de lei que tramita no Congresso e se dispõe a ampliar a licença-maternidade dos atuais 120 dias para 180 dias. São os casos da Fundição e do Grupo 3.

Paralisações
Segundo o Sindicato, nos grupos onde não houve acordo as paralisações em Sorocaba podem ocorrer a qualquer momento, tanto por fábrica quanto por segmento. Ao mesmo tempo, a Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM), que representa os sindicatos no estado, vai manter contato com os Grupos 2, 10 e montadoras para tentar obter propostas de acordo.

A FEM-CUT representa 12 sindicatos e 250 metalúrgicos no estado. O diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, João de Moraes Farani, é também vice-presidente da federação.

CLIQUE PARA ASSISTIR VÍDEO SOBRE ASSEMBLEIA

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>>>GRUPOS METALÚRGICOS:

1) Montadoras

2) Grupo 2 (Indústria de Máquinas, Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares)

3) Grupo 3 (autopeças, forjarias e fábricas de parafusos

4) Grupo 8 (SICETEL (Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos); SINDRATAR (Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar no Estado de São Paulo); SINDICEL (Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo); SIMEFRE (Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários); SIAMFESP (Indústria de Artefatos de Metais não Ferrosos no Estado de São Paulo); SIBAPEM (Indústria de Balanças, Pesos e Medidas de São Paulo); SIESCOMET (Indústria de Esquadrias e Construções Metálicas do Estado de São Paulo); SINAFER (Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo)

5) Grupo 10 (SINDILUX: Indústrias de Lâmpadas e Aparelhos Elétricos de Iluminação do Estado de São Paulo; SINAEMO: Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo; SINDESP: Indústrias de Estamparia de Metais do Estado de São Paulo; SIFUMESP: Indústrias de Funilaria e Móveis de Metal no Estado de São Paulo; SINDIMEC: Indústrias de Mecânica do Estado de São Paulo; SINDISUPER: Indústrias de Proteção, Tratamento e Transformação de Superfícies do Estado de São Paulo; SINDIREPA: Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo; Indústrias de Material Bélico; Sindicato Nacional da Indústria de Rolhas Metálicas.

6) Fundições (Indústrias de Fundição no Estado de São Paulo).

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