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Médicos Populares lançam abaixo-assinado pela saída do ministro da Saúde

Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016 - 10:42 - Atualizado em 27/12/2016 14:29
Agência Brasil/José Cruz

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Um abaixo-assinado on-line reúne assinaturas para pedir à presidenta Dilma Rousseff que substitua Marcelo Castro
A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares lançou nota hoje (26) em que pede a destituição do atual ministro da Saúde Marcelo Castro. A nomeação do titular da pasta foi alvo de protesto desde outubro do ano passado, quando o médico e deputado federal piauiense pelo PMDB foi indicado para assumir o cargo no lugar do também médico Arthur Chioro.

Um abaixo-assinado on-line reúne assinaturas para pedir à presidenta Dilma Rousseff que substitua Marcelo Castro.

Nas últimas semanas, a resistência dos movimentos pela reforma psiquiátrica à nomeação de Valencius Wurch como coordenador da Política de Saúde Mental - que já foi diretor de manicômio - e a epidemia do Zika vírus no Brasil fizeram crescer as críticas ao trabalho de Castro no ministério. "Passados poucos meses no comando da Saúde, o ministro demonstra claramente sua incapacidade técnica e política para exercer o cargo", diz a nota da Rede.

Na avaliação dos médicos populares, "o SUS enfrenta problemas já crônicos de financiamento e gestão - agravados pela crise econômica que o país atravessa nos últimos anos", e agora encara um ministro que "representa o atraso na política pública de saúde, tão arduamente conquistada pelo povo brasileiro na Constituição de 1988".

Segue a nota da íntegra:

Nota pública

Pela destituição do Ministro da Saúde Marcelo Castro!

Nós, profissionais de saúde, cidadãos e cidadãs abaixo-assinados, viemos por meio desta carta solicitar a imediata destituição do ministro da Saúde, o senhor Marcelo Castro. Desde que assumiu o comando de uma das pastas de maior importância da área social, muitos já sabiam de sua baixa capacidade técnica para ocupar o cargo e que o ministério foi utilizado como moeda de troca nas negociações entre governo e parlamento. Este fato não passou despercebido e várias entidades e movimentos da área da saúde denunciaram as possíveis consequências deste ato.

Passados poucos meses no comando da Saúde, o ministro demonstra claramente sua incapacidade técnica e política para exercer o cargo. Um dos maiores erros foi com a nomeação do coordenador da Política de Saúde Mental, Valencius Wurch. O médico é conhecido na comunidade médica como defensor das instituições totais nos cuidados psiquiátricos - os antigos manicômios - e representa um retrocesso de décadas nas políticas públicas na área de saúde mental. A indicação dele foi criticada por centenas de acadêmicos, movimentos sociais e milhares de trabalhadores e usuários de saúde no país, resultando numa imensa caravana à Brasília, ocupação do Ministério da Saúde e vários atos públicos nos estados pedindo seu afastamento. Sabe-se que Valencius foi indicação própria do ministro da Saúde, que tem fortes relações com o campo mais atrasado da comunidade científica da área de saúde mental.

Recentemente, com a epidemia do Zika vírus o senhor Marcelo Castro vem colecionando fatos a cada dia que nos deixam estarrecidos. Primeiro com sua - agora célebre - frase de que iria "torcer para que as mulheres se infectem com o Zika antes de engravidar" e depois com a sua declaração de que o Brasil está perdendo a batalha contra o vírus, demonstrando sua total falta de comando e conhecimento para liderar a Saúde de nosso País. Não é possível que diante de uma das mais graves epidemias que acomete o Povo Brasileiro seja esta a resposta do representante do governo.

O SUS enfrenta problemas já crônicos de financiamento e gestão - agravados pela crise econômica que o país atravessa nos últimos anos -, crescente precarização dos serviços públicos, privatização, escândalos envolvendo as organizações sociais em vários estados que tem ocasionado demissões em massa de trabalhadores de saúde, falta de medicamentos e tantos outros problemas que não caberiam nesta nota, para ter que lidar com o fato de ter um Ministro que representa o atraso na política pública de saúde, tão arduamente conquistada pelo povo brasileiro na Constituição de 1988.

Este é o resultado de envolver as políticas sociais em trocas fisiológicas em nome da governabilidade. Vários movimentos alertaram à Presidenta Dilma Rousseff sobre isto, mas a escolha foi de rifar a saúde, entregar para quem não tem compromisso com a Saúde do Povo Brasileiro.

Diante disso, exigimos que a Presidenta Dilma Rousseff destitua do cargo o atual Ministro da Saúde e nomeie um quadro com capacidade técnica e política para lidar com uma das maiores crises que passamos na saúde dos brasileiros e das brasileiras em várias décadas, que seja comprometido/a com o Sistema Público integral, equânime e universal e que deixe as práticas atrasadas e autoritárias de saúde mental num lugar de onde elas não devem sair jamais: nos livros de história, apenas para nos lembrar do que nunca mais repetir!

A petição pode ser assinada aqui.

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