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MBL manipula tuítes velhos para atacar PT e defender terceirização

Segunda-feira, 27 de Março de 2017 - 12:02 - Atualizado em 27/03/2017 13:41
Rede Brasil Atual

Dilma, Roberto Stuckert
Grupo publica apenas a parte que lhe interessa de mensagens de ex-presidenta para atacar quem é contra a terceirizaçãoRoberto Stuckert
O MBL (Movimento Brasil Livre, que apoiou o golpe contra Dilma Rousseff e se pauta pelo antipetismo), utiliza tuítes publicados pela ex-presidenta em 2015, numa tentativa de convencer a população de que ela seria favorável à terceirização generalizada e irrestrita da terceirização de trabalhadores pelas empresas, conforme o Projeto de Lei (PL) 4302/1998, aprovado quarta-feira, dia 22, pela Câmara dos Deputados.

Dois anos atrás, em sua página no Twitter, Dilma publicou dois posts consecutivos sobre o tema. No primeiro deles, afirmou: "Sobre o PL da Terceirização, é urgente regulamentar o trabalho terceirizado no Brasil para que tenham proteção e garantia de salário digno." Logo em seguida, ela alertou que a modalidade não poderia ser liberada sem restrições: "No entanto, a regulamentação precisa manter a diferenciação entre atividades fim e atividades meio", complementa.

No entanto, o MBL, outras páginas conservadores e telejornais (como o Jornal das Dez, da GloboNews), publicaram ou lembraram apenas o primeiro deles, como forma de ilustrar o que seria o apoio da ex-presidenta à terceirização generalizada aprovada esta semana (veja imagens abaixo). Em seguida, como forma de espalhar a falsa notícia, o grupo publica tuíte da quarta-feira, dia 22, de Dilma, em que ela repudia o resultado da votação na Câmara do dia anterior. "Mais um golpe. É o fim da CLT", seguido de um meme sugerindo que a ex-presidenta teria caído em contradição.

Dilma, Divulgação
À esquerda, meme utilizado pelo MBL para desmobilizar oposição. Outra pública desmascara mentiraDivulgação

 

Na época, ainda no exercício da Presidência, Dilma falava sobre o projeto de regulamentação da terceirização PL 4.330/2004, sob a batuta do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Atualmente, aquele projeto está paralisado no Senado, por determinação do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL) que dizia ver riscos ao trabalhador.  Ainda em 2015, o ex-ministro da Secretaria-geral da Presidência Miguel Rossetto afirmou que o projeto da terceirização era ilegítimo e deveria ser rejeitado no Senado.

Na quinta-feira, dia 23, Dilma publicou uma nota com críticas ao PL 4.302. Segundo a presidenta destituída, foi dado "mais um golpe no país" através de um projeto "contra os interesses do povo brasileiro". "Só esse golpe parlamentar que aprovou meu impeachment sem crime de responsabilidade poderia viabilizar uma legislação neoliberal concebida na época de FHC", afirma.

Ela ainda lembra que o PL fere direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores e que o projeto havia sido barrado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. "Ele (PL 4.302) precariza todo o mercado de trabalho no Brasil, cria condições para a redução de salários e acaba com a proteção ao trabalhador, ao permitir que todas as atividades de uma empresa sejam terceirizadas, inclusive a principal", diz.

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