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GM fica, mas quer 'redução drástica de direitos', diz sindicato de São José

Para permanecer no Brasil, a General Motors quer "flexibilizar" os acordos trabalhistas. Lista da montadora tem 28 itens, entre eles: aumentar jornada, reduzir salários e liberar terceirização

Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019 - 15:01 - Atualizado em 24/01/2019 15:21
Redação Rede Brasil Atual

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Na manhã desta quarta-feira, dia 23, o Sindicato de São José realizou assembleia na porta da fábrica LUCAS LACAZ/SMSJC
Para permanecer e realizar novos investimentos no país, a General Motors quer "flexibilizar" os acordos trabalhistas, afirma o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no interior paulista, que participou na terça-feira, 22, de reunião com representantes da montadora. O Sindicato de São Caetano do Sul, na região do ABC, também estava presente, além dos prefeitos dos dois municípios. Pela montadora, o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga.

Na manhã desta quarta-feira, dia 23, o Sindicato de São José realizou assembleia na porta da fábrica. "Os trabalhadores ficaram indignados com a proposta da GM", afirmou o vice-presidente da entidade, Renato Almeida. Segundo ele, a pauta da empresa inclui aumento da jornada, banco de horas, terceirização irrestrita, trabalho intermitente e fim do transporte fretado.

Além disso, a GM insiste em eliminar uma antiga cláusula da convenção coletiva, dos anos 1980, que prevê estabilidade no emprego para lesionados. No final da tarde, o sindicato divulgou a lista de 28 itens apresentada pela montadora (confira aqui).

"O sindicato é contra a retirada de direitos e continuará com o processo de negociação, mas a decisão final caberá aos trabalhadores. Queremos tratar do assunto com total transparência e dando continuidade à luta por empregos e direitos", diz Almeida. Nova reunião está prevista para esta tarde.

A proposta deverá ser detalhada também para o sindicato de São Caetano, que é filiado à Força Sindical, enquanto o de São José é ligado à CSP-Conlutas. A GM, que não se manifestou, tem fábricas ainda em Gravataí (RS) e Joinville (SC). 

 

A "lista" da GM

* Negociação de participação nos resultados com revisão de regras de aplicação, prevalência de proporcionalidade, transição para aplicação de equivalência salarial e inclusão de produtividade
* Participação nos resultados por três anos, sendo “zero” no primeiro ano, 50% no segundo ano e 100% no terceiro ano
* Nova grade salarial para toda a unidade de São José dos Campos, para horistas e mensalistas, progressão salarial com congelamento para o ano de 2019 e nova tabela salarial, inclusive para cargos especializados
* Formalização do acordo coletivo de longo prazo, dois anos, renováveis por mais dois
* Negociação de valor fixo em substituição ao aumento salarial para empregados horistas e meritocracia para mensalistas (0% no 1º ano, 60% no 2º e 100% no 3º)
* Implementação do trabalho intermitente, por acordo individual e coletivo
* Terceirização de atividades meio e fim;
* Jornada de trabalho de 44 horas semanais para contratações novas;
* Piso salarial de R$ 1.600;
* Redução do adicional noturno para o percentual previsto em lei
* Supressão de pagamento de hora extra com adicional diferenciado – limites de 29/275 horas;
* Redução do período de complementação do auxílio previdenciário para 60 dias, limitado a um evento no ano;
* Introdução de cláusula no acordo coletivo de trabalho, regulando a possibilidade de suspensão do contrato de trabalho – lay-off
* Revisão, inclusão, exclusão e adequação das cláusulas sociais
* Exclusão da cláusula de Garantia de Emprego ao Empregado Acidentado
* Cláusula regrando a adoção de termo de quitação anual de obrigações trabalhistas (nova)
* Acordo específico de flexibilidade da jornada de trabalho, por meio de banco de horas
* Rescisão no curso do afastamento, para empregados com tempo para aposentadoria (nova)
* Desconsideração de horas extraordinárias (nova)
* Trabalho em regime de tempo parcial (nova)
* Jornada Especial de Trabalho 12x36 (nova)
* Ajuste na cláusula de férias com parcelamento previsto na lei
* Inaplicabilidade de isonomia salarial acima dos 48 meses para grade nova (nova)
* Suspensão das contribuições da GMB por 12 meses da Previ
* Alteração do plano médico
* Renovação dos acordos de flexibilidade existentes
* Manter acordo de manutenção – escala – sem pagamento de folgas
* Fim do subsídio do transporte ou inclusão de linhas regulares

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