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Gasolina cai nas refinarias, mas aumenta mais de 5% nos postos

Para diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) somente a mudança da política pode estabilizar o preço dos combustíveis

Quinta-feira, 28 de Junho de 2018 - 10:11 - Atualizado em 19/07/2018 16:41
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Após a greve dos caminhoneiros, na última semana do mês de maio, os preços da gasolina e do diesel tiveram uma redução nas refinarias e nas distribuidoras, de Sorocaba. Mas, contraditoriamente, os valores nas bombas dos postos de combustíveis estão mais altos.

Conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e compilados pelo economista Fernando Lima, da subseção do Dieese do SMetal, o preço médio da gasolina, na refinaria, em maio foi de R$ 1,9431. Em junho, o valor caiu 0,6%, indo para R$ 1,9315.

No entanto, nos postos o consumidor pagou o preço médio de R$ 4,08 e em junho, desembolsou 5,74% a mais, pois o valor médio nas bombas está R$ 4,314.

A imprensa SMetal questionou o Sincopetro (Sindicato dos Postos) sobre o aumento, apesar da queda dos preços nas refinarias, e cobrou respostas por três dias seguidos, mas sem retorno.

O diesel, em Sorocaba, também não atingiu o desconto de R$ 0,46, prometido pelo governo federal, mesmo com o subsídio após a greve.

Na semana da greve (de 20 a 26/5) o valor nas bombas da cidade era de R$ 3,651 e na última semana coletada pela ANP o valor médio R$ 3,233. Ou seja, o diesel está R$ 0,41 mais barato, 1,32% acima do preço médio combinado.

 

Questão de lucro e flutuação pelo dólar

De acordo com o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Alexandre Finamori, essa política de preços da Petrobras, que faz o preço oscilar conforme a flutuação do dólar – e que foi estabelecida após o golpe de 2016 – mantém os preços da gasolina e do diesel mais altos.

Finamori explica que quando há aumento nas refinarias automaticamente o aumento é repassado para o consumidor final, mas no movimento contrário não se repassa a queda do valor para o consumidor final porque a distribuidora e/ou o posto de combustível acabam por se beneficiar com esse aumento do lucro temporário.

Diante essa política neoliberal de preços a lógica é a de se ter um tempo de mercado para a livre concorrência derrubar o preço. A diminuição no valor só se daria se houvesse uma estabilização nos preços, o que não é passível de ocorrer com a política atual estabelecida.

 

Pressão dos trabalhadores

O diretor da FUP ressalta que essa mesma política também faz com que as refinarias trabalhem em carga baixa para favorecer a importação.

“Podemos produzir muito mais do que estamos produzindo atualmente e, como consequência disso, a partir do próximo mês, faltará gás de cozinha em todo o país. No Nordeste já está faltando”, afirma.

Com a pressão dos caminhoneiros e dos petroleiros, que também entraram em greve em defesa da Petrobras e dos recursos energéticos do Brasil, Pedro Parente saiu da presidência da estatal. Mas Ivan de Souza Monteiro que o substituiu mantém a mesma política.

Com a pressão da FUP e de alguns deputados, a ANP abriu uma Consulta Pública para se obter uma proposta de resolução para substituir as regras sobre comércio exterior de biocombustíveis, petróleo e seus derivados e derivados de gás natural.

Para Finamori, só uma mudança política pode resultar numa estabilização de preços dos combustíveis e evitar o processo de privatização da Petrobras.

Para frear a entrega dessas riquezas nacionais aos interesses do capital estrangeiro e para que o país possa ter um controle sobre os preços dos combustíveis os petroleiros – que continuam em estado de greve – podem paralisar após a Copa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Soares, pontua: “precisamos reverter essa lógica instaurada no país após o golpe, que só explora as riquezas do Brasil, a classe trabalhadora, privilegiando o capital financeiro, com lucros que não são revertidos para a sociedade e economia brasileira”.

O SMetal continuará a manter a categoria informada sobre a evolução dos preços em Sorocaba.

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