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Frei Betto lança três livros em Sorocaba nesta terça-feira

Terça-feira, 27 de Junho de 2017 - 11:33 - Atualizado em 28/06/2017 10:52
Felipe Shikama - Mais Cruzeiro

frei, betto, FOGUINHO/SMETAL
'Não consigo ficar 48 horas sem escrever. Acho que quando eu era criança, tomei muita sopa de letrinha'FOGUINHO/SMETAL
Com mais de 60 livros editados no Brasil e no exterior, o frade dominicano Frei Betto se autodeclara um escritor compulsivo. "Não consigo ficar 48 horas sem escrever. Acho que quando eu era criança, tomei muita sopa de letrinha", brinca o escritor que, como atestado de sua suposta compulsão, estará hoje em Sorocaba para lançar simultaneamente três de suas obras mais recentes: Ofício de escrever (editora Rocco), O budista e o cristão (Fontanar) e Parábolas de Jesus - Ética e valores universais (editora Vozes).
 
A sessão de autógrafos, precedida de uma breve palestra do autor, ocorre a partir das 19h na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (rua Júlio Hanser, 140 -- Lajeado). A entrada é gratuita e aberta a todos os interessados.
 
Em entrevista ao Mais Cruzeiro, Frei Betto afirma que foi coincidência os três títulos serem lançados no mesmo período -- otimizando as atividades de lançamento --, já que sua produção literária, além de rica e diversificada, é contínua. "O mundo da literatura me fascina, me preenche. É uma coisa que transcende, porque nós temos prazo de validade, mas o conhecimento e a consciência permanecem nos livros. É a minha melhor forma de dialogar com o mundo", comenta.
 
Não por acaso, em Ofício de escrever Frei Betto apresenta uma coletânea de artigos que refletem sua paixão pela escrita e pela literatura. Na obra, o autor ainda dá dicas práticas sobre estilos e métodos para aqueles que desejam se aventurar no mundo literário. "Aprendi com os grandes escritores e agora decidi compartilhar tudo o que aprendi", diz.
 
Já O budista e o cristão - um diálogo pertinente, foi escrito em parceria com o jornalista e historiador Heródoto Barbeiro, no qual ambos discutem as trajetórias de Sidarta Gautama, o Buda, e Jesus. Inspirado no mesmo método de Diálogos da perplexidade, de Bernardo Kucinski e Venício Lima, o livro é uma compilação de um longo bate-papo gravado ao longo de três dias, entre o frade dominicano e Barbeiro, que é budista praticante.
 
No diálogo informal, os autores pontuam que apesar das diferenças que marcam um e outro e delimitam as religiões criadas em seus nomes, ambos pregaram o amor, a compaixão e o desapego. "É um diálogo necessário, em tempos de intolerância religiosa tão forte que estamos vivendo, de pós-verdade e anulação da crença dos outros", defende.
 
O compulsivo autor também mostra Parábolas de Jesus - Ética e valores fundamentais. Nesta obra, Frei Betto se propõe a desvendar as riquezas e sutilezas presentes em 33 parábolas do Evangelho. Em linguagem acessível aos leigos, o autor contextualiza para a atualidade passagens narradas por Jesus e supostamente recolhidas por seus discípulos. "A ideia foi atualizar [as parábolas] com frescor, mas sem preocupação teológica. Não é um livro teológico, é de reflexão ética e espiritual, para quem tem fé e para quem não tem", comenta o autor. "Eu brinco dizendo que as parábolas de Jesus devem ter sido escritas em Minas Gerais, porque não são nada mais do que causos. São como aqueles provérbios curtos, próprios da sabedoria oriental, que sugerem uma profunda reflexão sem impor uma verdade", conclui.

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