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Ex-ministro afirma que geração de emprego é a solução, não a reforma

Segunda-feira, 06 de Março de 2017 - 12:06 - Atualizado em 09/03/2017 11:44
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Marinho, Foguinho / Imprensa SMetal
O metalúrgico Luiz Marinho foi ministro do Trabalho e também da Previdência durante o governo LulaFoguinho / Imprensa SMetal
"Nos governos de Lula a Previdência tinha sempre superávit porque havia geração de empregos", lembrou o ex-ministro da Previdência Luiz Marinho durante plenária no Sindicato dos Metalúrgicos (SMetal) em Sorocaba no último sábado, dia 4.

A declaração de Marinho foi uma crítica direta à Reforma da Previdência formada pelo governo de Michel Temer (PMDB), que usa um suposto déficit previdenciário para tentar convencer os deputados e a opinião pública a retirarem direitos de aposentados e pensionistas de hoje e do futuro.

Marinho duvida dos números apresentados pelo governo Temer e seus aliados e afirma que, ainda que houvesse o déficit, ele seria resolvido com a geração de empregos com carteira assinada. "É a contribuição do emprego formal que gera recursos para sustentar a Previdência".

O ex-ministro lembrou que nos dois mandatos de Lula como presidente foram gerados 15 milhões de postos de trabalho, além de mais 5 milhões no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. "Agora, com a instabilidade política e econômica que eles criaram [Temer e aliados] nos últimos anos, o Brasil já perdeu 12 milhões de empregos".

 

Reforma trabalhista

Para ele, esse fato é que pode gerar problemas no caixa da Previdência, e não os direitos adquiridos por trabalhadores da ativa e aposentados. "Não é inviabilizando a aposentadoria dos brasileiros com a Reforma da Previdência e precarizando o emprego com a Reforma Trabalhista que teremos a solução para esse problema", afirma.

"E o governo atual sabe disso. Faz de propósito, pois não tem interesse em governar para todos os brasileiros como o Lula fazia. Eles [Temer e aliados] tomaram o governo para isso. Fazem um governo do entreguismo do Brasil, um governo que quer retomar a velha política do orçamento e das políticas públicas voltadas para somente um terço da população", completa Luiz Marinho.

O ex-ministro afirmou ainda que Lula perdeu a chance de fazer algumas reformas, como a reforma da Lei de Mídia. "Deveríamos ter democratizado a comunicação, para que as tradicionais oligarquias de imprensa não tivessem essa força que têm para manipular a opinião pública e fazer o Brasil retroceder a um passado injusto", lamentou.

  

Mundo do trabalho

Luiz Marinho acumula vasta experiência em representação dos trabalhadores e gestão no mundo do trabalho e na administração pública. Começou a trabalhar na Volks em 1978 e na década seguinte ingressou na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em 1996 foi eleito presidente do Sindicato, cargo para o qual foi reeleito mais duas vezes. No final dos anos 90, em plena crise do emprego durante o governo FHC, ganhou destaque nacional pelas negociações de manutenção de postos de trabalho no setor metalúrgico.

Uma dessas negociações, com a matriz da Volks, na Alemanha, resultou no cancelamento da demissão em massa de 10 mil trabalhadores da montadora em São Bernardo do Campo. Em outra, com a Ford, obteve a suspensão de 2.800 dispensas de trabalhadores.

Ainda nos anos 90, foi um dos líderes também das Câmaras Setoriais, criadas para promover o debate entre trabalhadores, empresários e governo sobre incentivo à produção nacional e manutenção de postos de trabalho.

Em 2003 foi eleito presidente da CUT nacional e nomeado presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea).

 

Ministérios

De junho de 2005 a março de 2007 foi Ministro do Trabalho do governo Lula. Na época o Brasil caminhava para um cenário de quase pleno emprego, que foi atingido poucos anos depois, em que havia apenas desemprego residual no País.

De março de 2007 a junho de 2008 foi ministro da Previdência. Entre os destaques na pasta estiveram a reformulação de postos de atendimento do INSS e a manutenção do superávit previdenciário.

Em junho de 2008 Marinho deixou o ministério para concorrer a Prefeito de São Bernardo do Campo. Foi eleito nesse ano e reeleito em 2012.

Entre os destaques em suas administrações estiveram as melhorias na área de saúde, com investimentos no atendimento básico, construção de um novo hospital municipal, aumento dos leitos nos hospitais já existentes, fortalecimento da central reguladora de atendimento e criação de centros de especialidades (mulher e infância, oncologia, cardiologia, etc).

 

Eleição no PT

A Plenária no sábado foi organizada pelo diretório municipal do PT de Sorocaba e pelo PT da macrorregião de Sorocaba.

No evento, foi anunciada a pré-candidatura do vereador Francisco França à presidência do PT de Sorocaba, que tem o metalúrgico Adilson Faustino como Tesoureiro na chapa. As eleições municipais da sigla vão acontecer no dia 9 de abril.

Ainda na plenária em Sorocaba, Luiz Marinho também confirmou sua candidatura a presidente do PT estadual, que será definido em congresso da sigla no mês de maio. O lema da pré-candidatura de Marinho é "Reorganizar para avançar".

Em junho haverá Congresso do PT para definir o novo presidente nacional do partido.

Confira vídeo abaixo trechos da palestra com análise do Marinho sobre os objetivos do golpe.

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