SMetal

Imprensa

UFSCar Sorocaba

Estudantes protestam contra aumento de 122% no valor da refeição

Há quatro dias, movimento estudantil organizado ocupa prédios do campus de Sorocaba. Reitora cancela reunião e demonstra não querer diálogo

Sexta-feira, 11 de Maio de 2018 - 16:50 - Atualizado em 11/05/2018 17:57
Imprensa SMetal

ufscar, , Foguinho/Imprensa SMetal
O movimento tem ganhado apoio de diversas entidades e até dos próprios conselhos dentro da própria universidadeFoguinho/Imprensa SMetal
Há quatro dias estudantes da UFSCar Sorocaba estão ocupando os prédios do campus em protesto contra o aumento no valor da refeição do Restaurante Universitário (RU), que de R$ 1,80 passaria a R$ 4, a partir do dia 18 deste mês.

Assim que os estudantes foram comunicados sobre a decisão da reitora Wanda Aparecida Machado e da pró-reitoria de reajustar em 122%, a indignação tomou conta do campus.

Nesta sexta-feira, 11, a expectativa do movimento estudantil organizado que está à frente da ocupação era de dialogar na reunião do Conselho Universitário (Consuni) com a reitora e levar o resultado para uma assembleia geral. Mas conforme os estudantes, a reunião foi cancelada. “Ela nem sequer propôs outra data”, afirma uma estudante.

Esse reajuste seria aplicado ao campus de São Carlos também. Um dia depois da ocupação dos prédios da UFSCar, em Sorocaba, os estudantes de São Carlos ocuparam a reitoria. “A luta é conjunta e queremos diálogo”. É o que afirmam os estudantes que preferem se identificar no coletivo, como movimento estudantil organizado.

 

Represálias

Toda luta exige muita resistência. Por reivindicar diálogo e não imposição, ainda mais sobre o direito à alimentação, estão sofrendo ameaças. “É ameaça de reintegração de posse, de processos judiciais individuais, cortaram a internet do campus e por aí vai”.

Por outro lado, o movimento ganha apoio de diversas entidades e até dos próprios conselhos dentro da própria universidade. O Conselho do Departamento de Ciências Humanas e Educação - DCHE - UFSCar Sorocaba fez uma moção de apoio ressaltando a defesa da luta dos estudantes pela permanência na universidade pública.

Em um trecho, a moção afirma que “o processo desencadeado nos conselhos superiores, que culminou no inconcebível aumento, o movimento estudantil foi pouquíssimo ouvido, o que fere o princípio básico do diálogo, outrora tão importante nesta Universidade, reconhecida nacionalmente por prestar pela transparência e espírito democrático no exercício das funções que lhe cabe como instituição de ensino superior pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada”.

E referenda ainda que o movimento estudantil constituído na UFSCar tem se caracterizado de forma democrática, coletiva e com decisões tomadas por amplas assembleias.

O Restaurante Universitário (RU) do campus Sorocaba está funcionando normalmente, apesar de poucos estudantes estarem frequentando. O valor de R$ 1,80 é válido até o próximo dia 18. A intenção é que o movimento estudantil consiga uma negociação para que não seja efetivado o reajuste de 122%, que pode inviabilizar a permanência de muitos estudantes na universidade pública.

 

Aula pública

Neste sábado, dia 12, das 10h às 13h, haverá aula pública para os estudantes e comunidade no laboratório do Atlab, no campus. O tema será “Democracia no Brasil”, com Wolfgang Maar. Essa aula faz parte do Ciclo de Debates sobre o golpe de 2016.

 

A MÍDIA NA MIRA

Em tempos de democracia de araque, com um golpista na presidência da República (Michel Temer), o eco da distorção de fatos e da censura repercute em outras instituições. A mídia é uma delas.

Em entrevista à imprensa SMetal os estudantes mostraram indignação quanto ao que foi publicado na mídia sobre a manifestação. “Citaram meu nome, sem eu nunca ter dado entrevista para eles”, comenta uma integrante do movimento reclamando do que foi noticiado no portal do G1, que pertence à TV TEM.

Já outro estudante aborda que o texto no Estadão usa informações que “parecem ter sido copiadas de outras manifestações e tem acusações sem base”.

 

Outro caso

Já o jornal Cruzeiro do Sul foi alvo nesta sexta-feira, 11, das críticas dos leitores sorocabanos que não viram, sequer uma linha na edição desta sexta, sobre a passeata que envolveu, pelo menos, mais de quatro mil servidores e profissionais de outras categorias, contra a terceirização da saúde e da educação – feitas pelo prefeito Crespo (DEM).

Com medo de retaliação jornalistas do Cruzeiro desabafam, em off, contra a censura escancarada dentro da redação desde a troca do editor-chefe. José Carlos Fineis foi mandado embora para que Romeu Sérgio Osório assumisse o cargo.

Deixe seu Recado