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Espera por consultas com especialistas é de mais de dois anos

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017 - 10:02 - Atualizado em 26/01/2017 07:31
Jornal Cruzeiro do Sul / Leandro Nogueira

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São mais de dois anos de espera. Esse é o tempo que precisam aguardar por uma consulta médica os pacientes encaminhados para os médicos de algumas especialidades, cujos atendimentos são realizados pela Prefeitura de Sorocaba, via Sistema Único de Saúde (SUS). Mais de 47 mil pessoas estão atualmente nas filas pelas consultas das dez especialidades que menos dão conta da demanda, conforme assume a própria prefeitura. (Veja quais são nesta página). Elas seguem aguardando por uma ligação telefônica da Unidade Básica de Saúde (UBS) onde foram atendidas pelo clínico geral, para informar quando será a consulta com o especialista.

Alguns familiares de pacientes relatam que além do sofrimento provocado pela doença, a demora os obrigam a assumir prejuízos financeiros, pois muitas vezes optam por pagar pelas consultas particulares, além de adquirirem medicamentos e outros itens como fraldas e alimentação especial. O acesso gratuito a esses insumos dá-se somente após a declaração do diagnóstico assinada por um médico especialista da prefeitura. Os atendimentos das especialidades médicas são concentrados na Policlínica Municipal, no Jardim Santa Rosália.

A Secretaria Municipal da Saúde do novo prefeito José Crespo (DEM) promete reduzir para 15 dias a espera por uma consulta de especialidade. Atribui a atual situação à "organização herdada da administração anterior". A equipe do ex-prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) foi consultada pelo Cruzeiro do Sul, mas preferiu não se manifestar.

Atualmente, segundo a Prefeitura de Sorocaba, quando o médico da UBS assina o encaminhamento do paciente para uma das especialidades médicas, a própria UBS retém a guia para o agendamento, verifica a prioridade e classifica a ordem junto às demais. "O agendamento é realizado conforme disponibilidade de vagas e o paciente é avisado sobre a data agendada", informa.

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Reorganização

Para a Secretaria Municipal da Saúde, a redução do tempo de espera para uma quinzena será possível com a reorganização da rede de atendimento, mais a contratação de novos profissionais de saúde, além da melhoria das estruturas de atendimento. Sobre o prazo para isso, divulga que ocorrerá gradativamente, até o término do atual governo, no final do ano 2020.

Questionada sobre a origem dos recursos financeiros para a tal reorganização, respondeu que serão obtidos do orçamento, "mas sem os desperdícios e os desvios herdados da administração anterior".

Atendimento rápido

Em algumas outras especialidades os pacientes conseguem passar por consulta rapidamente, de acordo com a prefeitura, que informa que o agendamento ocorre imediatamente e para o mês vigente quando o encaminhamento é feito para a hematologia adulto, nefrologia adulto, para a pneumologia infantil, gastroenterologia infantil e cardiologia infantil.


Pacientes e familiares relatam sofrimento com os atrasos

Os pacientes e seu familiares sofrem com a demora de anos, alegando não ter o que fazer. Alguns desistem. A operadora de produção Luciene Celestina da Silva, 39 anos, não mais suportou continuar vendo a filha com 12 anos de idade sofrendo de uma forte e crônica dor de cabeça, além de apneia do sono.

Luciene conta que, quando reclamava da demora, recebia como resposta o fato de haver milhares de pessoas na frente da filha. Após esperar por um ano e dois meses e mesmo assim não ser atendida por um neurologista infantil, a família da adolescente resolveu desembolsar R$ 280 por uma consulta particular. "Está horrível (o atendimento) a saúde. Isso é um descaso. Mas a gente precisa", reclamou.

Desde que se mudou para Sorocaba, em 2013, a dona de casa Eliane Moreira Gamas, 45, aguarda a consulta com um neurologista para o filho dela com 18 anos e que sofre de paralisia infantil. Ela conta que no final do ano passado a UBS tentou entrar em contato, mas perdeu a vaga porque não tinha mais o número de telefone fornecido na unidade de saúde. Ficou sabendo quando retornou à UBS para refazer o encaminhamento. "Acho que vou ter que esperar mais três anos", lamenta.

A casa de Eliane é sustentada com a pensão de um salário mínimo pago ao jovem com a paralisia e outros R$ 600 provenientes de uma parte do salário da filha dela. Apesar da limitada renda familiar, Eliane conta que gasta todos os meses R$ 230 com medicamentos e fraldas, porque ainda não conseguiu passar com o neurologista. Afirma que apenas quando o médico neurologista assinar o diagnóstico do filho dela é que terá acesso gratuito aos medicamentos e às fraldas.

Eficiência

Quando o atendimento é com especialidades que atendem a demanda a opinião do paciente muda. É o caso da aposentada Maria Aparecida Ribeiro, 86, que enfrentou um câncer de mama e semestralmente passa por consultas das especialidades de mastologia e ginecologia.

Ela conta que as datas são definidas com antecedência, as consultas são feitas na periodicidade do tratamento e quando há atraso, a exemplo do que ocorreu na última quarta-feira, ligam na casa dela avisando sobre o adiamento. Neste último adiamento, segundo ela, a remarcação da consulta foi para dois dias após a data que havia sido previamente marcada.

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