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Em São Paulo, dezenas de milhares pedem novas eleições e "Fora Temer"

Logo após o encerramento do ato, PM atira bombas e jatos de água nos manifestantes. Capital teve atos contra Temer e repressão durante toda a semana

Segunda-feira, 05 de Setembro de 2016 - 10:35 - Atualizado em 27/12/2016 15:10
Carta Capital

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Ato transcorreu pacificamente por quatro horas. Após o encerramento, a Tropa de Choque jogou bombas de gás lacrimogênio e de pimenta nos manifestantes
Pela quinta vez em sete dias, a avenida Paulista foi palco de mais uma manifestação contra o governo de Michel Temer, pontuados por críticas ao presidente recém-empossado, pedidos de novas eleições e marcados, na semana anterior, quando transcorreu o processo de impeachment de Dilma Rousseff pelo Senado Federal, por pesada repressão da Polícia Militar na capital paulistana.

O ato de domingo 4, convocado pelas redes sociais e organizado,entre outros, pela Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular, que reúnem juntas 90 grupos, com a adesão de centrais sindicais, movimentos sem teto e de entidades estudantis, iniciou-se pacificamente e reuniu 100 mil manifestantes, de acordo com estimativas dos organizadores.

Logo após o anúncio de encerramento do ato pelos organizadores, a Polícia Militar jogou muitas bombas de gás e de pimenta e utilizou jatos de água contra os manifestantes, causando correria. A manifestação partiu do vão do Masp rumo ao Largo da Batata, na zona oeste da capital.

Durante todo o ato, a tropa de choque da PM esteve posicionada na avenida Paulista e depois acompanhou o protesto até seu destino final. "Em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam PM a intervir com uso moderado da força /munição química", declarou o perfil oficial no Twitter da Polícia Militar de São Paulo.

Os milhares de manifestantes concentraram-se em frente ao Masp entre 16h e 18h20, quando a via começou a ser fechada novamente para pedestres, e começaram a se dirigir para o Largo da Batata, seguindo pela avenida Rebouças. A frente do ato chegou ao local de destino por volta das 19h30 e o protesto foi declarado encerrado uma hora depois.

Na quinta-feira 2, o governo de Geraldo Alckmin anunciou, por meio da Secretaria de Segurança Pública, a proibição de manifestações no domingo 4 na avenida Paulista. Em nota, o motivo alegado foi a passagem da tocha paraolímpica.

Após mediação entre a Secretaria de Segurança Pública e representantes dos organizadores da manifestações, feita pela Prefeitura, a via foi liberada para o ato, contrário a Michel Temer e com pedidos de novas eleições, depois que os organizadores "atenderam ao apelo para iniciar a concentração a partir das 16:30, preservando, com segurança, a passagem da tocha paralímpica e garantindo o direito democrático de livre manifestação", declarou o prefeito Fernando Haddad por meio do seu perfil oficial no Facebook.

Na sexta-feira 3, Michel Temer disse que as manifestações são "grupos pequenos e depredadores" e declarou que os atos não comprometiam o início de seu governo porque são promovidos por "40 pessoas que quebram carro". Nas contas dos organizadores, cerca de 100 mil pessoas manifestaram-se com pedidos de "diretas já" e "fora Temer".

De acordo com pesquisa Ibope divulgada neste sábado 3, 41% dos paulistanos consideram o governo Michel Temer "ruim ou péssimo", 36% classificam como regular e 13% "ótimo/bom". Nas demais capitais, a aprovação positiva do peemedebista oscilou entre 8 e 19%, enquanto que a desaprovação foi de 31 a 53% dos entrevistados.

Repressão policial

Nos atos ocorridos em São Paulo na semana do impeachment, a Polícia Militar seguiu um roteiro quase sempre igual, como reportou a Ponte Jornalismo. Nas manifestações da capital paulista na segunda-feira 29, a PM impediu a passagem dos participantes alegando que não havia sido informada do trajeto, após o primeiro disparo de uma bomba de efeito moral, houve uso de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha e os caminhões da Tropa de Choque municiados de jatos d' água.

Na terça 30, a manifestação na Avenida Paulista saiu do Masp e seguiu até a Praça Roosevelt. Após decisão da marcha de seguir até o jornal Folha de S.Paulo, o ato foi impedido de continuar e, na sequência, novamente houve repressão no centro da cidade.

Na quarta 31, em um ato mais expressivo, estimado em 10 mil participantes, a manifestação partiu do Masp e chegou até Consolação. Após alguns manifestantes tentarem bloquear a passagem dos carros nos dois lados da via, policiais novamente realizaram manobras de cercamento e dispersão dos participantes do protesto.

Durante o ato, alguns manifestantes colocaram fogo em sacos de lixo nas vias, de forma a impedir o avanço da PM e também houve atos de depredação. Manifestantes publicaram nas redes sociais fotos e vídeos de pessoas correndo e houve relatos de feridos. Um dos casos mais graves foi o da estudante Débora Fabri, 20 anos, que perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingida estilhaços de bombas lançadas por policiais militares durante o ato. Trata-se do terceiro caso desde 2013 em que manifestantes ou profissionais da imprensa ficam cegos durante a repressão da Polícia Militar a protestos em São Paulo.

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