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Editorial: Um índice não muda uma vida, a luta sim

Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019 - 09:55
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Um índice não muda uma vida, a luta simDivulgação
A partir de janeiro de 2020 o cálculo da inflação será alterado devido à mudança nos hábitos de despesas da população brasileira. Entre as alterações no INPC, que reflete a cesta de consumo das famílias com rendimento mensal de zero a cinco salários mínimos, está o aumento do peso dos transportes, chegando a 20%, e a diminuição na categoria alimentação/bebidas, de 27,3% para cerca de 21,5%.

Ou seja, o aumento do feijão, por exemplo, não impactará tanto o índice de inflação a partir do ano que vem. Essa mudança na avaliação do índice foi promovida a partir dos resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que atualizou os hábitos de consumo. A edição anterior era de dez anos atrás.

A lista inclui novas tendências, como transportes por aplicativo, utensílios de bebês e serviços de streaming (como Netflix, por exemplo) e retira itens defasados ou que foram excluídos do orçamento das famílias, como aparelhos de DVD, assinatura de jornais e máquinas fotográficas.

O índice de inflação é um instrumento para a correção das perdas salariais e é apenas um dos elementos para o reajuste salarial. Sabemos que para mudar as condições de vida dos trabalhadores é preciso a luta por aumento real a cada Campanha Salarial, por planos de carreiras sólidos, no combate à rotatividade e outras ações que tomam conta do nosso dia a dia no sindicato.

Ou seja, é impossível melhorar as condições de vida se não houver união e mobilização. Nem o índice de inflação é garantido, depende do esforço das negociações dos sindicatos que representam os trabalhadores nas mesas de negociações, enfrentando os representantes dos sindicatos dos patrões.

Nossa Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM/CUT) conseguiu avançar, apesar dos tons de ameaças constantes. As propostas serão apresentadas nesta sexta-feira, dia 18, às 18h, no auditório do Sindicato. Convocamos cada trabalhador e cada trabalhadora da categoria a participar dessa decisiva Assembleia Geral.

Será significativa por tratar não apenas de cláusulas econômicas, mas também das questões sociais - nos grupos que discutiram pauta cheia. Se não demonstrarmos resistência, a desigualdade se consagra e tende a aumentar a legião de subempregados com as práticas mais atrasadas do mundo do trabalho, na qual o empregado agradece por estar sendo chicoteado, frente à multidão de desempregados e desalentados.

Se quisermos ser tratados não como meros números precisamos nos movimentar com unidade e sermos propositivos enquanto trabalhadores. Continuemos fortes na busca e efetivação de negociações coletivas, no combate às desigualdades e com maturidade para enfrentar os desafios, que são muitos.

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