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Editorial: Quem discrimina hoje pode ser o restrito de amanhã

O editorial da Folha Metalúrgica nº 954 fala sobre a importância de denunciar práticas discriminatórias no trabalho, especialmente em casos de trabalhadores que sofrem com LER/Dort ou outras doenças.

Quinta-feira, 31 de Outubro de 2019 - 09:57 - Atualizado em 04/11/2019 13:34
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Quem discrimina hoje pode ser o restrito de amanhãDivulgação
O trabalhador ou a trabalhadora que sofreu lesão por esforços repetitivos (LER) ou outras doenças relacionadas ao trabalho (Dort) são chamados, em algumas empresas, de restritos.

Muitas vezes, após o diagnóstico, afastamento para o devido tratamento e retorno ao trabalho, acabam mudando de funções e setor. Infelizmente, sempre foi comum o preconceito na fábrica e também na sociedade.

Além de sofrer a dor física, a dor psicológica é ainda agravada pelo desdém de outros colegas, mas principalmente, chefias, que não sabem lidar com respeito e honrar o cargo que exercem.

LER/Dort são doenças crônicas, muitas vezes irreversíveis, que há muitos anos, figuram em primeiro lugar dentre as doenças relacionadas ao trabalho registradas pela Previdência Social.

Com as mãos, ombros, braços, coluna, ou outras partes do corpo lesionados, esses trabalhadores não poderão exercer a mesma função de antes. Da mesma forma que esse trabalhador ou trabalhadora terá dificuldades em realizar tarefas pessoais. É o mesmo corpo que foi incapacitado por conta da pressão e aceleração do trabalho, dos movimentos repetitivos e/ou da sobrecarga de peso.

Nossa Convenção Coletiva concede estabilidade aos lesionados justamente por conta do adoecimento ter relação com o ambiente de trabalho. Afinal, como esse trabalhador (a) conseguiria outro emprego?

Falta nas lideranças de algumas empresas a empatia, sentimento de se colocar no lugar do outro. De pensar como seria ter de conviver com uma dor crônica, com remédios e analgésicos na cabeceira, se não conseguisse carregar um filho no colo ou simplesmente pentear o cabelo por conta da perda do movimento do braço?

Além disso, essas lideranças, que ainda praticam assédio moral e outras discriminações, poderiam refletir como é para um trabalhador ou trabalhadora que dedicou tempo de sua vida na fábrica para manter a família e, agora, estar como restrito, saber que a chefia tenta, por má conduta, afastar os colegas de trabalho.

Só o conhecimento e o sentimento de solidariedade e união podem transformar essa realidade. Não está fácil para nenhum trabalhador (a) e é por isso mesmo que a indignação pode ser um bom instrumento de luta. Se você tiver conhecimento de alguma chefia que esteja cometendo discriminação na fábrica em que você trabalha, denuncie ao sindicato. Contra essas práticas discriminatórias cabem ações, processos!

Ao invés de comprar discursos de empresas ou de chefias que praticam discriminação, vamos nos unir e nos fortalecer.

Enquanto classe trabalhadora, já nos restringiram direitos, com a reforma trabalhista - liberação da terceirização e trabalho intermitente e outras precarizações – nos restringiram o mercado de trabalho, com a explosão de pessoas em desalento, que desistiram de procurar emprego.

Por isso, cada vez mais, somos nós por nós, classe trabalhadora.

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