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EDITORIAL: Quando a indignação sai às ruas

O editorial da Folha Metalúrgica nº 938 faz uma crítica às ações do atual governo, como o corte na educação e o desmonte na Previdência, e convoca toda a classe trabalhadora para greve geral em junho

Quinta-feira, 09 de Maio de 2019 - 11:11 - Atualizado em 09/05/2019 14:53
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As centrais sindicais anunciam uma greve geral para o dia 14 de junho, uma oportunidade de tomar a iniciativa e fazer raiar um novo dia RODRIGO PILHA
No feriado de 1º de Maio, trabalhadores e trabalhadoras foram para as ruas do país. Em diversas cidades, como São Paulo e Sorocaba, houve atos político-cultural, organizados por movimentos sindicais, para reivindicar a garantia de uma aposentadoria digna e por emprego.

No Parque dos Espanhóis, em Sorocaba, mais de 15 mil pessoas passaram pelo evento organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região e aproveitaram para fazer testes de saúde, para assinar abaixo-assinado contra essa reforma perversa da Previdência, para receberem orientações previdenciárias, entre outros serviços.

Comissão de Direito Previdenciário da OAB, Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher, LGBT e do Negro, sindicatos, movimentos sociais, marcaram a data e ressaltaram a vivacidade e a potência da luta por uma sociedade mais justa!

Sim, foi de lavar a alma contra toda forma de opressão. O público diversificado deu eco às vozes dos artistas que se manifestaram contra o machismo, as violências, os ataques do governo de Bolsonaro a tudo aquilo que vai minando, dia após dia, a nossa sobrevivência.

Nesse mesmo dia, à noite, o presidente Bolsonaro revelou em pronunciamento transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão que seu governo quer “proporcionar por mérito próprio e sem interferência do Estado o engrandecimento de cada cidadão”. E ainda ressaltou que vai ser longa a recuperação econômica.

Certo. Então, ele corta a educação, o emprego e a possibilidade do país ter suas próprias riquezas naturais, já que está vendendo tudo aos estrangeiros e diz para você, no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora “se vira, por mérito próprio”.

Mas nem todo mundo vive de “pão e circo”. Milhares de pessoas no momento do pronunciamento, estavam nas ruas aproveitando as apresentações artísticas e eventos para mostrarem a indignação e a insatisfação frente a esse governo que quer comandar o país via redes sociais.

Mostramos que nós, trabalhadores, somos reais e não estamos satisfeitos com o aumento dos combustíveis, do gás de cozinha, com o valor da energia elétrica e sim, lutaremos para voltarmos a ser protagonistas da nossa própria história.

A luta é diária, mas a união da classe trabalhadora nos motiva a continuarmos acreditando em uma vida mais plena de sentido e de direitos.

O governo tirou 30% dos investimentos das universidades públicas, que já estavam com os investimentos congelados. Quer acabar com o Instituto Federal (IFSP), que foi uma conquista, do governo Lula, para tantos jovens se qualificarem e profissionalizarem de graça.

Ele aumenta as dificuldades impostas aos que querem estudar. O ingresso nas faculdades e universidades era facilitado por programas sociais como ProUni, Reuni e Enem, mas que hoje estão ameaçados.

E qual o risco desses cortes para o país? 95% da produção científica brasileira sai das universidades públicas, mesmo tendo o menor investimento por aluno dos 36 países que compõem a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Já são 14 milhões de desempregados e Bolsonaro está lá, no Twitter, comemorando a exportação de abacates.

As centrais sindicais anunciam uma greve geral para o dia 14 de junho, uma oportunidade de tomar a iniciativa e fazer raiar um novo dia! Ou vai aceitar que o problema é a falta de mérito próprio?

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