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EDITORIAL: A cultura popular foi e será sempre de resistência

Quinta-feira, 14 de Março de 2019 - 11:42 - Atualizado em 14/03/2019 12:02
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'Índios, negros e pobres', diz bandeira do Brasil, nas cores da Mangueira, levada para a avenida pela escola de samba campeã do Rio de JaneiroDivulgação/Mangueira
Com humor e muita alegoria, o Carnaval nos traz diversas reflexões pós folia. Essa manifestação da cultura popular tomou conta das ruas do país inteiro com diversas críticas sociais de repúdio ao preconceito de gênero, contra a discriminação dos negros, contra a homofobia e todo o retrocesso instalado na base do governo federal.

A escola de samba Mangueira, do Rio de Janeiro, foi a vencedora reescrevendo a história do povo brasileiro em seu enredo, já que a maioria das versões mais conhecidas está associada à consagração de versões elitizadas, escritas por detentores do poder político, econômico e militar.

Essa contestação reconhece a força da identidade indígena, dos negros e dos pobres deste país.

Nos blocos também conferiu-se atitudes das pessoas, como o inesquecível sentido, nesses tempos sombrios, de “ninguém solta a mão de ninguém”.

Até a liberdade religiosa foi tema deste Carnaval, com a escola de samba Mancha Verde. O Paraíso do Tuiuti, vice-campeã de 2018, no Rio, com críticas à Reforma Trabalhista de Temer, também refletiu sobre o cenário político no desfile deste  ano: “Vendeu-se o Brasil num palanque da praça/ E ao homem serviu ferro, lodo e mordaça”.

Os foliões levaram ainda para os blocos a alegria da diversidade e o respeito à cultura afro. O Carnaval, como espaço poético e também político, luta por respeito como força do povo, numa disputa racial, cultural, contra o capital elitizado.

Antes fossem apenas fantasias do povo as candidaturas laranjas, os patos amarelos, a morte de Marielle, mas tudo isso foi levado para os desfiles para lembrarmos que há muita conta a ser acertada ainda e elas denunciam as mazelas da política nacional.

Mazela que nos condena com medidas severas, que incluem o congelamento de investimentos sociais (saúde e educação), que nos condena a trabalhar de forma precarizada aceitando qualquer oferta, mesmo sem os devidos direitos.

Agora, querem que aprovemos uma reforma que muda o caráter da Previdência, que é Social e deve continuar sendo. O governo atual, sob as ordens do ministro Paulo Guedes e de Bolsonaro, quer deixar inacessível a aposentadoria. Pela reforma, quem tem 40 anos de contribuição (de vínculo empregatício) pode conseguir se aposentar com 100% do valor do benefício.

Mas com a Reforma Trabalhista implantada, quem conseguirá ter emprego digno, com carteira assinada, por 40 anos? E você sabe, assim como nós, que não é nada fácil conseguir encontrar vaga no mercado de trabalho, muito menos depois dos 50.

Fora que o valor da aposentadoria seria calculado a partir da média de todas as remunerações, desde a primeira registrada na carteira. Diferente de hoje, que é calculado por meio de 80% das melhores remunerações.

Por isso, basta de sambarem em cima dos nossos direitos. Vamos nós, unidos, passar a ditar o enredo e colocarmos nosso protagonismo na ordem do dia!

Dia 20 agora tem debate no SMetal sobre o impacto da Reforma da Previdência. No dia 22, terá manifestação nacional contra essa proposta que pretende impor mais castigos a quem já é explorado. Lutemos!

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