SMetal

Imprensa

Editorial

É preciso acabar com a 'cultura' do assédio moral

Quinta-feira, 06 de Agosto de 2015 - 15:03 - Atualizado em 27/12/2016 14:06
Imprensa SMetal

,
O Sindicato recebe denúncias através do site (www.smetal.org.br), além do contato direto dos dirigentes com a categoria
Diante do aumento de denúncias de assédio moral o Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo lançou, em julho, uma campanha de combate a essa irregularidade trabalhista. Ao longo de julho e agosto deste ano serão veiculados anúncios em TV, rádio e jornal nos principais veículos de comunicação alertando para a necessidade de respeito no local de trabalho.

Foram recebidas, pelo Ministério Público do Trabalho, em São Paulo, até julho de 2015, 445 denúncias, o que representa quase o total de denúncias feitas em todo o ano anterior.

Essa campanha é importante para que os trabalhadores se conscientizem sobre o que é assédio moral para que aí sim possam denunciar e combater essa prática, tão enraizada em algumas empresas que se pode considerar até como uma "cultura".

Cultura essa que precisa ser transformada com conscientização e luta. Como disse o próprio advogado do SMetal, Imar Rodrigues, em matéria publicada logo abaixo nesta página, a maior dificuldade no combate ao assédio é a sua caracterização.

O Sindicato recebe denúncias através do site (www.smetal.org.br), além do contato direto dos dirigentes com a categoria, o que permite ter base para tomar as medidas cabíveis nas instâncias jurídicas.

Hostilizar, humilhar e ameaçar são práticas que devem ser banidas do ambiente de trabalho, seja de chefe para funcionário ou entre colegas de produção.

Acreditamos que um ambiente de trabalho saudável é aquele onde não há desrespeito nas relações interpessoais, nem abuso nas cobranças por meta inalcançáveis.

Sabemos que muitas empresas acabam utilizando a crise econômica do país para justificar apertados ajustes que recaem sobre o trabalhador, como demissões desnecessárias que fazem com que trabalhadores acumulem funções e se sacrifiquem para atingir metas estipuladas para o maior alcance de lucros.

O vídeo da campanha do MPT tem direção do cineasta pernambucano Heitor Dhalia e mostra um chefe reunindo vários subordinados para apontar um deles, chamando-o de "incompetente do mês".O dinheiro para a campanha veio de um termo de ajuste de conduta (TAC) que o MPT-SP firmou com a Samsung em dezembro de 2014.

Sobre a campanha, a médica e pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, comentou, em entrevista à Rádio Brasil Atual, que o assédio moral é uma violência psicológica cotidiana exercida nas empresas, que pode ocorrer de diversas maneiras. Ela ressalta que o trabalhador que sofre a agressão não pode se isolar.

Nesse sentido, repudiamos chefias que sugerem que trabalhadores peçam demissão, que dão tarefas sem sentido, que controlem o tempo de idas ao banheiro, que tornem público algo íntimo do/a subordinado/a, usem de difamação e ridicularizem seus subordinados.

Deixe seu Recado