SMetal

Imprensa

Comportamento

Disputa com acervos digitais fecha locadoras de vídeo em Sorocaba

Quarta-feira, 18 de Março de 2015 - Atualizado em 27/12/2016 13:48
Imprensa SMetal

,
'Eram cerca de três mil locações aos sábados. Mas com a chegada do DVD já não se via tanta gente fanática por filme', relata Teresinha
Duas locadoras tradicionais da cidade, ambas com 30 anos de existência, encerraram suas atividades neste mês de março, em Sorocaba. A Space Vídeo e a Vídeo Nissei. Elas tinham público fiel, mas, mesmo assim, não resistiram ao avanço dos filmes on demand ou pay-per-view da TV por assinatura, dos sites pagos de acervo digital e da pirataria por meio da troca gratuita de arquivos de vídeo pela internet.

"Estava tentando fechar a locadora há três anos, mas faltava coragem", afirma Teresinha Nastri, da Space, na zona sul da cidade. Ela afirma que já estava pagando para abrir a locadora e há 40 dias anunciou a venda do acervo de VHS, DVD e Blue Ray.

Não é difícil de imaginar o dilema de se encerrar as atividades após 31 anos de um local, que há 10 anos, servia de ponto de encontro para os amantes da sétima arte. Teresinha conta que tudo começou na sala de estar da casa do casal. "Meu marido (Irineu) comprava as cópias das fitas em VHS e Betamax e os clientes alugavam na sala mesmo". Só depois de dois anos é que eles montaram um espaço específico para a locadora, ao lado da residência (na garagem).

Antes da chegada do DVD, os finais de semana eram agitados, não havia uma hora sem clientes na loja. Eram cerca de três mil locações aos sábados. "Mas com a chegada do DVD já não se via tanta gente fanática por filme", relata Teresinha.

Diferencial

Mesmo numa época em que havia 300 locadoras na cidade - há mais de 10 anos - a Space se destacou pelo acervo de filmes cult e clássicos. O Gai Sang, idealizador e realizador do cineclube CineSenac foi um dos responsáveis por dar essa característica à Space. "Ele sempre me pedia uma relação de filmes e a gente procurava atender", conta Teresinha.

O marido de Teresinha, Irineu Nastri, sempre foi um apaixonado por cinema. Há 30 anos, ele deu todas as orientações para o então cliente Roberto Massahiro Amanaha, para montar uma locadora, na Vila Santana. "Eu era criança na época. Éramos clientes deles e surgiu o interesse do meu pai, que na época trabalhava na antiga Faço (metalúrgica, hoje Metso). Mas o foco era a colônia japonesa. Os filmes que ele comprava eram em japonês, no começo", explica Érika Midori Amanaha Ikeda, da Vídeo Nissei.

"Quando deu o boom do DVD, no começo dos anos 2000, no final de semana locávamos de cinco a seis mil filmes. Nessa época conseguimos ter um bom retorno. Diferente da atualidade, quando a locação não chegava a 200 filmes no final de semana", conta Érika.

Motivos

"O Blue Ray começou há uns cinco anos, mas não deslanchou. Eu nunca tive a TV a cabo como concorrente, mas a partir do ano passado, as produtoras sentiram a pirataria e como alternativa foram para o TV a cabo. Você aluga o filme pela TV. Para meu tipo de público, isso me prejudicou muito".

Érika, da Nissei, tinha 16 mil clientes cadastrados e cerca de mil deles ativos quando a locadora encerrou atividades, este mês.

Antes de fechar as portas, Érika inaugurou uma cafeteria, um empório natural e promovia eventos. Tudo dentro da loja. Mesmo assim, o faturamento extra não foi capaz de viabilizar a manutenção do negócio.

Para quem se interessar, o acervo da Nissei pode ser adquirido no sebo Sancel, que fica na rua Araçoiaba, 14, no Centro.

Já os cerca de três mil DVD´s que ainda restam na Space podem ser comprados no local, rua Pacaembu, 199, no Jardim Paulistano, a partir de abril, pois Teresinha e Irineu estão de férias neste mês.

Deixe seu Recado