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Dirigentes do SMetal participam de Congresso sobre Indústria 4.0

O tema do evento deste ano é a “Nova onda da Indústria 4.0 e o futuro do Brasil”, que discutirá os impactos sobre a estrutura produtiva nacional.

Quinta-feira, 09 de Agosto de 2018 - 11:16 - Atualizado em 13/08/2018 09:15
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O embaixador Samuel Pinheiro, presidente do Conselho Deliberativo do Centro Celso Furtado, fez a abertura do Congresso, nesta quinta-feira, 9Divulgação
Para saber de que forma o impacto das mudanças tecnológicas nas linhas de produção atingirá a classe trabalhadora o presidente do SMetal, Leandro Soares, o secretário-geral Silvio Ferreira e o economista da subseção SMetal do Dieese, Fernando Lima participam do 4º Congresso do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 9 e sexta-feira, 10.

Na visão do secretário-geral do SMetal, Silvio Ferreira, é preciso que a categoria metalúrgica esteja atenta a esse debate “porque temos na base do SMetal algumas indústrias que sinalizam uma entrada nessa quarta revolução industrial. Entre elas, a CNH (Case New Holand) Industrial, que em abril deste ano, apresentou o trator conceito autônomo, sem cabine, na planta de Sorocaba”, destaca Silvio.

A promessa é de um trator que pode trabalhar durante 24 horas se necessário, executando tarefas em todas as fases da produção. Não há previsão de lançamento comercial do trator autônomo. Neste ano, a empresa fez projetos-piloto nos Estados Unidos para testar a aceitação da tecnologia. 

“Um dos nossos eixos do planejamento da atual gestão do Sindicato é justamente o da ‘Ação em defesa da indústria e do desenvolvimento regional’”, pontua o presidente do SMetal, Leandro Soares.

O que é a Indústria 4.0? Quais as principais ações que países desenvolvidos e em desenvolvimento vem adotando para o seu ingresso de forma dinâmica nessa nova onda? A Indústria 4.0 é uma janela de oportunidade para o Brasil dar um salto em sua trajetória de desenvolvimento? Ou, a quarta revolução industrial poderá aumentar a distância do parque produtivo nacional em relação à fronteira tecnológica internacional? Essas são algumas questões que serão debatidas no Congresso.

Entre os especialistas que farão parte da programação estão: o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que é presidente do Conselho deliberativo do Centro Celso Furtado, Luciano Coutinho (Unicamp / Ex-presidente do BNDES), além de professores e pesquisadores das principais universidades de todo o país como Unicamp, USP, UFF, UFRJ e UFMG.

O embaixador Celso Amorim (Ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa) fará o encerramento na sexta-feira, 10 e na sequência será exibido o filme “Livre pensar — cinebiografia de Maria da Conceição Tavares”, de José Mariani.

Revoluções industriais

Conforme o estudo divulgado pelo próprio Centro Celso Furtado, o sistema capitalista nasceu e consolidou-se a partir da Revolução Industrial Inglesa, no final do século XVIII (Indústria 1.0). Um século depois, uma nova onda de inovações radicais, como a energia elétrica, o motor a combustão e a petroquímica provocaram nova transformação nas estruturas produtivas dos países avançados, consolidando o paradigma de produção em massa denominado de fordismo. (Indústria 2.0).

A partir da década de 1970, presenciamos mais uma vez o nascimento e difusão de uma nova onda de tecnologias, com impactos na economia e instituições de países desenvolvidos e em desenvolvimento (Indústria 3.0).

A microeletrônica possibilitou automatizar a produção industrial e elevar de modo significativo a produtividade, e as tecnologias da informação e comunicações alteraram a divisão internacional do trabalho e a geografia econômica mundial, com a ascensão industrial dos países asiáticos.

Salto de qualidade?

Atualmente, governos, pesquisadores e a mídia especializada das principais potências econômicas mundiais asseguram que a Quarta Revolução Industrial possibilitará um novo salto de produtividade no sistema capitalista, com impactos profundos no mundo do trabalho e nas atividades manufatureiras de economias periféricas, em razão das possibilidades de reindustrialização dos países avançados.

Além de levar a automação para os limites do sistema industrial, a nova revolução promete dar autonomia à produção manufatureira.

O Brasil conseguiu internalizar as principais indústrias e instituições de sua época durante seu processo de industrialização no século XX. A partir do modelo de substituição de importações, diversos governos instituíram políticas desenvolvimentistas, possibilitando o catching up brasileiro à segunda revolução industrial, ou à Indústria 2.0. Todavia, no final do século XX, um profundo processo de desindustrialização e reprimarização produtiva impediu a economia brasileira de ingressar na onda da Indústria 3.0.

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