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Dia do Metalúrgico: estudo traça o perfil da categoria em Sorocaba e região

Dados compilados pelo Dieese aponta o perfil do trabalhador e trabalhador metalúrgicos e ajuda entender reflexo das mudanças políticas e econômicas dos últimos tempos no setor; confira a reportagem

Quarta-feira, 21 de Abril de 2021 - 12:43 - Atualizado em 23/04/2021 20:05
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No Dia da Trabalhadora e do Trabalhador Metalúrgicos, o SMetal preparou uma matéria especial traçando o perfil desses profissionais em Sorocaba e região. O estudo foi realizado pela subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), de 2019. Esses números ajudam a entender o perfil dos trabalhadores e trabalhadoras metalúrgicos e, do mesmo modo, o reflexo das mudanças políticas e econômicas dos últimos tempos no setor.

Quando confrontado os dados de 2019 com aqueles obtidos pelo levantamento de 10 anos atrás (2009), eles apontam queda considerável nos postos de trabalho da última década para cá. Enquanto em 2009 a região empregava 42 mil metalúrgicos, a realidade de hoje comporta pouco mais de 37 mil trabalhadores no setor. 

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“A economia parou e não se discutiu e fortaleceu uma política industrial desde 2014. Foi o fim de uma industrial nacional forte e competitiva”, aponta Leandro Soares, presidente do SMetal Foguinho/Imprensa SMetal

Como contextualiza o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Soares, os ataques ao Governo Dilma em 2016 que gerou uma crise política e econômica, e as reformas trabalhista e previdenciária, foram contundentes para esse atual cenário de queda no número dos trabalhadores do setor. “Essa crise política e econômica instaurada impactou diretamente na categoria.  As políticas de retirada de direitos, de diminuição do poder de luta e o fim de incentivos foram cruciais”, critica.

Leandro acrescenta o fim das políticas de incentivo da industrial nacional, como Inovar-Auto e Inovar-Peças, também motivaram a queda dos postos de trabalho no setor. “A economia parou e não se discutiu e fortaleceu uma política industrial depois do golpe de 2016. Foi o fim de uma industrial nacional forte e competitiva”.

Participação das mulheres cresceu

O que permanece, de acordo com os números, é que a maioria dos trabalhadores do setor ainda é formada por homens, que ocupam mais de 81% dos postos de trabalho, um montante de mais de 30 mil trabalhadores do gênero masculino espalhados pelas fábricas da região.

Em 2009, a situação não era muito diferente, e o total de homens trabalhando nas fábricas era de 82%.

Mas se não há mudança significativa no total de trabalhadores masculinos na realidade das fábricas, é possível notar um aumento no número de trabalhadoras metalúrgicas, ainda que tímido. Se no início dos anos 2000 elas representam 14% da força de trabalho, uma década depois elas passaram a ser 17% e, atualmente, somam quase 19% dos trabalhadores do setor, o que significa um pouco mais de sete mil companheiras nas fábricas de Sorocaba e região.

“O mundo mudou e as mulheres conquistam cada dia mais espaço. Não seria diferente na metalurgia. Ocupamos a mais diversas funções dentro das fábricas e estamos também nas discussões políticas, como Sindicato dos Metalúrgicos”, enfatiza Priscila dos Passos Silva, secretária de juventude da CUT-SP e dirigente sindical.

Categoria mais experiente, mais escolarizada e melhor remunerada

O estudo indica que a participação de jovens na categoria diminuiu. Em 2009, 45,18% da categoria tinha até 29 anos. Em 2019, a participação nessa faixa etária caiu para 25,46%

Os trabalhadores com idades entre 30e 39 anos são a maioria e representam 40% dos postos de trabalho, um aumento de 10% em relação ao levantamento anterior.

A categoria também é mais experiente. Em 2019, 49,66% possuíam mais de 5 anos de vinculo na empresa atual, enquanto em 2009 esse número era de 28,58%.

Esses trabalhadores também têm buscado mais qualificação profissional e o resultado é que, atualmente, 67% têm ensino médio completo e mais de 20% o ensino superior. Há dez anos, o total de trabalhadores que haviam concluído o terceiro grau chegava a apenas 12% da classe.

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“O trabalhado sério desenvolvido no período de 2002 a 2014 colocou o Brasil entre as grandes economias do mundo e Sorocaba foi beneficiadaFoguinho/Imprensa SMetal
Para o secretário geral do SMetal, Silvio Ferreira, esse cenário é fruto de políticas públicas implantadas durantes os governos Lula e Dilma. “O trabalhado sério desenvolvido no período de 2002 a 2014 colocou o Brasil entre as grandes economias do mundo. Isso se refletiu atraindo inúmeras indústrias e na geração de mais de 20 milhões de postos de trabalho. Sorocaba e região, claro, foi beneficiada com isso. O acesso ao curso superior, através de programas como o Prouni, garantiu que muitos trabalhadores chegassem à universidade”.

O aumento da escolaridade, o acesso mais fácil à educação, entre outros, também pode ser notado na renda desses trabalhadores, que têm uma das melhores faixas salariais da categoria no Brasil. Cerca de 47% dos trabalhadores recebem até três salários mínimos por mês, ou seja, mais de 17 mil trabalhadores. Na faixa de 5 a 10 salários mínimos estão 16% de trabalhadores e cerca de 7% recebem de 10 a 20 salários mínimos.

Leandro aponta que, a situação favorável do Brasil de anos atrás, permitiu ao Sindicato negociar melhores salários e benefícios. “Antes de toda crise causada por eventos como a Lava Jato, o país crescia sucessivamente e, com isso, buscamos os melhores acordos para categoria”.

Desafios e perspectivas

Para os próximos anos, muitos são os desafios e as perspectivas no setor metalúrgico. A indústria 4.0 é um dos deles. “A modernização é muito importante para o desenvolvimento industrial, mas precisa vir atrelada a um processo de formação de mão obra com qualificação para atender esse modelo de produção. Temos debatido a importância do investimento em educação para suprir essa demanda”.

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De acordo com Izidio de Brito, secretário de organização do Sindicato, a pandemia da Covid-19 também vai refletir na economia por um bom tempo. “A crise que estamos vivendo agravou o desemprego e fez aumentar o número de pessoas na miséria. Isso afeta toda cadeia de consumo, mexe com a economia e, consequentemente, afeta o setor metalúrgico. Por isso, políticas públicas de combate à miséria e investimentos são fundamentais para retomar o crescimento”.

Leandro cita como exemplo o trabalho da entidade para trazer investimentos da Toyota para Sorocaba. “Através dos nossos esforços, a montadora investiu mais de R$ 2 bilhões, implantando a plataforma global na cidade, produzindo novos veículos e gerando milhares de empregos diretos e indiretos”.

O presidente do SMetal enfatiza que os trabalhadores e trabalhadoras metalúrgicos podem continuar contando o Sindicato. “Somos uma entidade de luta que já enfrentou grandes desafios e ataques aos direitos trabalhistas. Mas nunca fugimos da nossa responsabilidade de defender os direitos da categoria. Por isso, seguimos, juntos hoje pelos direitos do amanhã”

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