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Denúncia de corrupção

Deputados federais da região se dividem sobre Temer

Quinta-feira, 03 de Agosto de 2017 - 10:05 - Atualizado em 04/08/2017 14:10
Cruzeiro do Sul

, Reprodução/Cruzeiro do Sul
Vitor Lippi (PSDB) e Jefferson Campos (PSD) votaram pelo Reprodução/Cruzeiro do Sul
Os quatro deputados federais representantes da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) se dividiram na votação ontem à noite sobre a denúncia que decidiria se o presidente Michel Temer (PMDB) seria afastado do cargo. Vitor Lippi (PSDB) e Jefferson Campos (PSD) votaram pelo "não" ao arquivamento da denúncia, e Herculano Passos (PSD) e Missionário José Olimpio (DEM) votaram pelo "sim" ao arquivamento.

O "não" significava autorização na Câmara para instauração de processo contra Temer por corrupção passiva, e o "sim" representou a rejeição a essa autorização, o que determinava o enterro da denúncia. O "sim" deu a vitória a Temer com 263 votos, e o "não" foi derrotado por 227 votos, com duas abstenções, num universo de 492 deputados presentes no plenário. Foram contadas 19 ausências.

Na votação, o que estava em discussão era o relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que pedia o arquivamento da denúncia contra Temer e fora aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Ao justificar o seu voto, Vitor Lippi disse: "Eu tenho sido e continuarei favorável às reformas que o presidente Temer tem mandado para esta Casa para melhorar este país, para a retomada da economia e para a volta dos empregos que a população tanto espera. No entanto, o meu voto é "não"."

Herculano Passos também se justificou: "Pela estabilidade da economia, pela estabilidade do nosso país, eu voto "sim"." (PSD). E Jefferson Campos disse: "Essa estabilidade sem a verdade é uma falsidade. Rejeitando o relatório, voto sim às investigações, "não" ao relatório." O Missionário José Olimpio (DEM) falou apenas o "sim" na hora de votar, sem fazer comentário.

Lideranças sorocabanas

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Leandro Soares, criticou o resultado da votação: "Ficou claro com isso que o governo virou um balcão de negócios e se abriu com dinheiro que até então não existia." O presidente do Sindicato Único dos Empregados da Saúde (SinSaúde), Milton Sanches, também reagiu: "Vejo com muita tristeza o resultado final."

O diretor titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Erly Syllos, analisou a situação tomando por base os aspectos políticos e de investigação, de um lado, e o da economia brasileira, de outro. Ele defendeu que a investigação sobre as acusações contra Temer continuem e que a Justiça defina o seu destino e o de outros acusados. Mas advertiu que trocas de governo poderiam complicar ainda mais a estabilidade da economia.

O presidente do PMDB de Sorocaba, o ex-prefeito Renato Amary, comentou que esperava o resultado da votação de ontem para que agora se possa aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

"O governo Temer abriu os cofres públicos para a compra de parlamentares", acrescentou Leandro Soares. "Hoje nós temos um Congresso que tem seus interesses individuais e que votam de acordo com o que recebem (referência a compra de votos)."

Milton Sanches, que é membro do PDT e integra o Conselho Municipal de Saúde, lamentou o resultado por vários motivos: "É o cara (Temer) que está fazendo a pior reforma trabalhista do nosso país, é o cara que está com tantas acusações na cabeça e está sendo absolvido pelo menos por enquanto. Ele está pegando um habeas corpus até o final do mandato."

Segundo Syllos, no aspecto econômico o país está dando sinais de uma pequena melhora com balança comercial, inflação e taxa de juros em queda. Disse que isso significa geração de emprego, embora em ritmo lento, melhoria da economia e equilíbrio das contas públicas. Nesse aspecto, acredita que o resultado da votação "vai dar um pouco de alento" ao país. 

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