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Com o lema "Fora, Temer; nenhum direito a menos", ato reúne milhares em SP

Quinta-feira, 08 de Setembro de 2016 - 12:25 - Atualizado em 27/12/2016 15:11
Brasil de Fato/Luiz Felipe Albuquerque

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O objetivo era convocar a população para resistir à retirada de direitos que se anunciam com o impeachment de Dilma rousseff
Mais de 20 mil pessoas se reuniram na manhã desta quarta-feira (7) na Praça Oswaldo Cruz, na Av. Paulista, em São Paulo (SP), para participar da 22º edição do Grito dos Excluídos. Com o lema "Fora, Temer, nenhum direito a menos", os manifestantes saíram da praça e seguiram até o Parque Ibirapuera.

As ameaças às conquistas sociais anunciadas pelo governo do presidente não eleito Michel Temer foi o que fez a funcionária de uma creche da Zona Sul da capital paulista, Dalva Reis, 59, sair de sua casa no bairro de Jabaquara em pleno feriado para participar do protesto.

Para ela, essa disposição "faz parte do brasileiro, que tem que correr" todos os dias. "Temos que lutar, ir pra rua. Se não formos pra rua não muda nada, tem que persistir pra ver se muda alguma coisa", explica.

Assim como Dalva, Gleicy Kelli, 18, estudante de um cursinho popular na Vila Any, em Guarulhos, se disse convicta da necessidade de lutar neste atual momento em que passa o país. "Temos que mostrar que todos os dias acontecem golpes, como a violência nas favelas, na dificuldade que temos de entrar nas universidades e a falta de investimento na educação. Temos que mostrar que não estamos dormindo e que vamos lutar pelos nossos direitos que estão sendo tomados", comentou.

As mobilizações em torno do Grito dos Excluídos aconteceram em mais de vinte estados do Brasil, e tiveram como objetivo convocar a população para resistir à retirada de direitos sociais que se anunciam com a aprovação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Nesta linha, Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP), explica que esta edição acontece num momento particular do país, "sob a égide de um golpe". "Eles achavam que passado o impeachment o país seria pacificado, mas estamos vendo uma reação muito importante de contestação do golpe", acredita.

Raimundo alerta ainda para as diversas ameaças às retiradas de direitos sociais conquistados nas últimas décadas, como o desmanche da Previdência Social, a flexibilização das leis trabalhistas e a entrega das riquezas naturais do país, como o pré-sal.

Apenas na reforma da Previdência, por exemplo, que está sendo debatida pelo governo de Temer, projeta-se uma perda de R$ 6,3 bilhões anuais às custas da diminuição de benefícios dos trabalhadores.

No entanto, para Kelli Mafort, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as mobilizações estão tomando muita força, especialmente em São Paulo, que tem sido um dos focos da retomada deste processo de luta. "Este movimento não tem como parar, são muitas pautas que conclamam todos os movimentos populares e a sociedade a desenvolver o processo de luta", acredita.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, também tem a mesma percepção de Kelli. Freitas foi saliente quanto a necessidade de se realizar uma greve geral no país.

"Eles têm os meios de comunicação, o Poder Judiciário, o poder financeiro e o Congresso Nacional. Mas eles não têm o povo brasileiro. O mundo inteiro já disse que é golpe, e eles não querem admitir. Temos que organizar todos os trabalhadores para uma greve geral para fazer com que eles entendam que é golpe e que não terá retirada de direitos", pontuou.

A próxima mobilização já tem hora e data marcada na cidade de São Paulo. Puxada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, milhares de pessoas devem se reunir nesta quinta-feira, às 17h, no Largo da Batata para reivindicarem a saída de Michel Temer da presidência e mostrarem o descontentamento frente as medidas anunciadas pelo governo não eleito de Temer.

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