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Com mais um incêndio, governistas podem pedir música no Fantástico

No “Dia do Patrimônio Histórico e Cultural” o presidente do SMetal, Leandro Soares, analisa os incêndios no Museu Nacional (RJ) e da Cinemateca (SP) orquestrados sob os governos Temer e Bolsonaro

Terça-feira, 17 de Agosto de 2021 - 14:50 - Atualizado em 18/08/2021 15:40

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Leandro Soares é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal)Daniela Gáspari/Imprensa SMetal
O escritor uruguaio, Eduardo Galeano, um dia escreveu: “O medo seca a boca, molha as mãos e mutila. O medo de saber nos condena à ignorância; o medo de fazer nos reduz à impotência. A ditadura militar, medo de escutar, medo de dizer, nos converteu em surdos e mudos. Agora a democracia, que tem medo de recordar, nos adoece de amnésia; mas não se necessita ser Freud para saber que não existe tapete que possa ocultar a sujeira da memória”, em sua obra “Livro dos Abraços”.

Existe um projeto para algo que defino como “amnésia coletiva” no país. Primeiro, eles ocultam os fatos reais criando realidades paralelas em gabinetes, igualmente, paralelos. Depois, vão ao centro da questão, comprando o senhor deputado, a senhora senadora, e todo o centrão. Por fim, deixam a nossa história virar centelha, fogo e fumaça. A amnésia coletiva é orquestrada para ocultar os fatos, reduzindo às cinzas importantes documentos que contam a origem deste país que, agonizando, vê o seu patrimônio histórico e cultural queimar sem poder fazer nada.

Michel Temer (MDB) representou dezenas de retrocessos para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. E quando o desastre é tamanho, raramente vem só. O pacote de reformas e medidas “anti-trabalhador” veio acompanhado de uma série de ações tão maléficas e perversas quanto.

Foi sob o governo do vampiresco ex-presidente (se é que podemos chamá-lo assim) que o Museu Nacional do Rio de Janeiro pegou fogo em 2018. Em poucas horas, um acervo de 20 milhões de itens como fósseis, múmias, peças indígenas e livros raros, foi destruído pelas chamas e pelo passivo governo federal que estava mais preocupado em surrupiar os direitos da classe trabalhadora, do que cuidar do patrimônio histórico. O Museu Nacional era a instituição científica mais antiga do país; foi palco para a primeira Assembleia Constituinte da República; abrigava a maior coleção de itens egípcios da América Latina. Tudo isso, dizimado.

E, desta forma, o ponto vai para o projeto da amnésia coletiva que visa criar um povo passivo, sem memória e, portanto, desconhecedor da sua história. Um povo que, inebriado pelas mentiras governistas e com poucos meios de conhecer a verdade, diferente de São Tomé no túmulo de Jesus Cristo, não precisa ver para crer. Mas como nós podemos criticar quando há um projeto criado para isso?

Agora, há pouco menos de um mês, mais uma tragédia atinge a história do país. O incêndio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, é mais uma atrocidade na conta de Jair Bolsonaro (sem partido) que assistiu, sem fazer nada, a decadência de um espaço que abrigava boa parte do cinema nacional. Os gestores da unidade já haviam sinalizados por várias vezes que a Cinemateca precisava de reformas e reparos. Nada foi feito.

Existe a necessidade de repudiarmos esses fatos, ainda mais quando celebramos o “Dia do Patrimônio Histórico e Cultural” – data que nos recorda sobre a importância de, enquanto nação, preservarmos a nossa história. Se o projeto é amnésia coletiva, nosso contra-projeto é memória geral! Não deixaremos cair no esquecimento que, com mais um incêndio, os governistas podem pedir música no Fantástico.

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