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'Libertem Angela Davis'

Cine debate sobre Angela Davis abre programação do 'Mulheres e Luta'

Haverá emissão de certificado de participação para quem precisar. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por e-mail: [email protected] 

Segunda-feira, 18 de Junho de 2018 - 16:52 - Atualizado em 18/06/2018 17:07
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A programação do “Mulheres e Luta” segue até dezembro deste ano, com uma atividade por mês, que pretende discutir as novas questões da luta feministaDivulgação
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) e um grupo de pesquisadoras do Núcleo de Estudos de Gênero e Diversidade Sexual (NEGDS) da UFSCar Sorocaba firmaram parceria para a realização do projeto “Mulheres e Luta”.

A primeira atividade será nesta quinta-feira, dia 21, às 19h, no SMetal, com a exibição do documentário “Libertem Angela Davis”, de Shola Lynch (título original: Free Angela and All Political Prisoners - 2006).

A programação do “Mulheres e Luta” segue até dezembro deste ano, com uma atividade por mês, que pretende discutir as novas questões da luta feminista.

Haverá emissão de certificado de participação para quem precisar. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por e-mail: [email protected] 

 

Resenha

Confira a resenha do documentário “Libertem Angela Davis”, feita pela atriz e arte educadora Daia Moura, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar. Daia será a mediadora do cine debate.

Uma mulher negra, professora e militante pelos direitos civis foi a pedra no sapato dos conservadores de direita, do governo e até do FBI.

O que faz uma mulher negra se tornar a mulher mais caçada dos Estados Unidos? Que atitudes e gestos são considerados terroristas a ponto de encarcerar uma mulher no auge das lutas e conflitos pelos direitos civis, no epicentro da causa do movimento negro norte-americano?

No documentário emergem registros importantes dessa época e a reflexão que fica é: como hoje estamos olhando para as questões raciais? Essas pautas foram resolvidas? A própria trajetória de vida de Angela Davis que se tornou um ícone ao se posicionar integralmente em favor das vidas negras nos Estados Unidos e segue ainda hoje lutando em favor dos direitos humanos, nos oferece pistas para pensar a questão. Ao recusar veementemente às injustiças cometidas contra seus pares e contra si mesma, ela expõe a desfaçatez e o cinismo presentes na lógica de neutralidade da democracia, dos direitos, da ciência. Direitos para quem? Justiça para quem?

A voz de Angela Davis é perigosa por revelar o funcionamento dos mecanismos de segregação, por assumir enquanto mulher e negra uma ideologia marxista libertária, por retornar aos Estados Unidos para tomar partido de sua causa junto aos Panteras Negras. O pensamento e a militância da mulher negra incomodam e assustam porque colocam em confronto o ser mulher unidimensional, amplia os debates e desnaturaliza o lugar de mulher como corpo silente e subalterno.

Angela Davis grita. E seu grito é coletivo. As articuladas estratégias de movimentação coletiva, de conscientização e pertencimento à negritude, as poderosas armas da oralidade e do amor colocaram em risco a hegemonia branca norteamericana. E a campanha “Libertem Angela Davis” que ficou conhecida no mundo todo é prova de que sua militância para romper com assimetrias sociais não é pequena, não é isolada, existem vozes que estão se fazendo ouvir, o grito tem eco nos quatro cantos do mundo.

A "escória terrorista" da qual Davis faz parte segue sendo perseguida e encarcerada. O documentário possui matéria e substância importantes para conhecermos as memórias do passado, para aprofundarmos as questões que criminalizam o corpo e a voz da mulher negra e principalmente pela urgência em refletirmos e discutirmos como todas essas questões que atrelam gênero, raça e classe estão reverberando no presente.

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