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Ciclista percorre América Latina em aventura de 2 anos

Limaverde saiu de Fortaleza, no Ceará, e chegou até o México, numa aventura de 723 dias

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010 - Atualizado em 27/12/2016 11:54
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Nos 723 dias de viagem, Limaverde passou por 16 países e visitou lugares ermos, como Machu Pichu (Peru) e o deserto do Atacama (Chile)
O paraense radicado em Fortaleza (CE) Rafael Limaverde, 34 anos, está percorrendo o País para divulgar o livro de aventura Pelos Caminhos da Nuestra América: um passeio ciclístico de aproximadamente 30 mil quilômetros feito entre 2002 e 2004 por toda a América Latina.

Ao longo de dois anos de viagem, Limaverde passou por 16 países e trouxe, na bagagem, a certeza de que "o povo é bom e quem tem menos é quem dá mais; quem tem mais, parece ter medo do mundo".

A decisão
Injuriado pelo confinamento das redações de jornais e agências cearenses como ilustrador e designer gráfico, Limaverde começou a alimentar um sonho de liberdade em 2.000. Dois anos depois, após ler um livro sobre aventura de bicicleta, vendeu o carro que tinha [um gol], pediu a conta dos dois emprego que mantinha, apurou R$ 30 mil, montou a Lady Laura, em homenagem ao ídolo Roberto Carlos, e partiu de Fortaleza no dia 30 de outubro de 2010. Destino? Uma volta pela América Latina.

Nos primeiros seis meses, para garantir o recebimento do seguro desemprego, Limaverde aventurou-se de forma lenta pelo Brasil, até receber a última parcela do benefício, cruzar o estado de Roraima, entrar na Venezuela e se embrenhar por toda a América.

Ao longo dos 723 dias de viagem, Limaverde se encantou com paisagens históricas, como a de Machu Pichu, no Peru, e a do deserto do Atacama, no Chile, além de bichos exóticos, como os leões marinhos nas águas do Pacífico. "Mas 70% do encanto da viagem foram as pessoas", diz o aventureiro.

Foram essas "boas" pessoas que garantiram, na maior parte do trajeto, hospedagem e alimentação ao aventureiro, que se alojava, na grande maioria das vezes, em postos da Cruz Vermelha, quartel de Bombeiros e casas de amigos conquistados ao longo do percurso.

Problemas
De fala curta, é difícil arrancar lamentos do aventureiro, mesmo quando a empreitada chegou ao deserto do Atacama, onde ele viajou horas e horas em companhia apenas da solidão. "Chegava a passar quatro, cinco horas sem ver ninguém, sem contar o poso no deserto, ao relento", lembra.

Além da sombra da solidão que acompanha um aventureiro solitário, Limaverde também enfrentou problemas mecânicos - quebrou o quadro da Lady Laura na Costa Rica - e alguns inconvenientes burocráticos em países, como em Cuba, por exemplo. "Mas o acolhimento das pessoas supera qualquer problema, e até porque eles foram poucos, mesmo".

 Metáfora
Limaverde se diz outro homem depois da viagem. Para ele, a aventura foi uma escola de vida, uma metáfora que lhe rendeu algumas sabedorias. "Eu saí [de Fortaleza] parecendo um rambo. Bota, facão, tudo que eu tinha direito. Carregava um peso danado. Mas em conversa pelo caminho aprendi que estava levando muita coisa e que não precisava de todo aquele peso".

Antes de ter concluído a viagem Limaverde já havia percebido, também, "que a gente carrega muito peso na vida. Carregamos muitas coisas desnecessárias a nossa sobrevivência, a nossa felicidade".

Mentira
Uma aventura do porte da realizada por Limaverde gera lembranças a dar com pau. Mas a passagem que mais o impressionou aconteceu no último dia de viagem.
Troncho de saudade da família, mas vencido pelo cansaço, Limaverde foi obrigado a dormir em Juazeiro do Norte, a uns 10 quilômetros de Crato, onde encerraria a viagem na casa mãe, da qual estava longe havia dois anos.

De manhã, ao tomar café uma padaria, foi indagado pelo padeiro: De onde você está vindo? Para encurtar a conversa, pois estava demasiadamente ansioso pelo fim da aventura, disparou: "Venho de Fortaleza", que fica a uns 500 quilômetros de onde estava. Desconjurado com a distância, o padeiro emendou. "Que mentira, hem"!

Era mentira mesmo. Naquele momento Limaverde estava por um fio de completar a aventura da sua vida: 30 mil quilômetros de bicicleta.

Para saber mais: http://www.bicicletapelomundo.com.br/

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Imagem
Limaverde (foto) esteve na redação da imprensa SMetal, juntamente com o produtor cultural votorantinense Zé Boca, para divulgar livro e site sobre a aventura

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