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Cesta básica sorocabana sobe para R$ 1115 e consome 92% do salário mínimo

Produtos com maior variação no mês passado foram a muçarela fatiada, leite, creme dental, frango e alho. A alta na cesta básica deve interferir na tendência de deflação do INPC para o mês de julho

Quarta-feira, 03 de Agosto de 2022 - 14:47 - Atualizado em 03/08/2022 15:04
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Somente entre os meses de junho e julho deste ano, o leite longa vida teve um acréscimo de 25,62% no valor pago pelos sorocabanosFoguinho/Imprensa SMetal
No mês de julho, o preço da cesta básica sorocabana – que é composta por 34 produtos alimentícios, de higiene e limpeza – voltou a subir e passou a custar R$ 1.115,62, o maior patamar desde que iniciada a pesquisa realizada pela Universidade de Sorocaba (Uniso), em janeiro de 2021. Isso significa que um sorocabano gasta 92,05% de um salário mínimo (R$1.212) apenas na compra de itens básicos para o dia a dia.

Se comparado com o mesmo mês no ano passado, ele tem que desembolsar R$ 160,21 a mais para comprar os mesmos produtos, um acréscimo de 16,76%. Em relação ao mês anterior (junho de 2022), houve um crescimento de 2,59% no preço da cesta básica para o consumidor.

Os produtos com maior variação foram: muçarela fatiada (26,85%), leite longa vida (25,62%), creme dental (19,94%), frango (18,24%) e alho (18,01%). Apenas cinco dos 34 itens apresentaram queda no valor em relação ao mês anterior: a batata (-8,08%), a carne de 2ª (-1,94%); o óleo de soja (-1,86%), a carne de 1ª (-0,42%) e o açúcar refinado (-0,23%). O balanço é realizado pelo Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas da Uniso.

Impacto da cesta básica no INPC

Silvio Ferreira, presidente interino do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), explica que essa alta na cesta básica deve interferir na tendência de deflação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para o mês de julho, que é utilizado de parâmetro para negociações coletivas de diversas categorias, como a Campanha Salarial dos Metalúrgicos da CUT no Estado de São Paulo (FEM/CUT-SP). O índice será divulgado na próxima terça-feira, dia 9.

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Para Silvio Ferreira, presidente interino do SMetal, com unidade e mobilização, a categoria sairá vitoriosa da Campanha Salarial deste anoFoguinho/Imprensa SMetal
Ele esclarece que o INPC mede uma faixa salarial mais baixa (de até cinco salários mínimos) que o IPCA, considerado o índice oficial pelo governo federal, o que faz com que a alteração nos preços de itens dos grupos de alimentos e serviços repercuta ainda mais no bolso do trabalhador.

Outros itens, como o gás de cozinha (grupo habitação) e o preço das passagens de ônibus (grupo transporte) também têm maior peso no INPC. Enquanto isso, as variações nos preços de automóveis e da gasolina têm maior peso no IPCA.

“Não há como afirmar qual será o índice, muito menos se haverá mais alta na variação ou até mesmo deflação, já que houve redução no preço dos combustíveis, mas o trabalhador tem que estar sempre atento pois, além de afetar o seu dia a dia, garantir aumento real em cima do dessas perdas que foram acumuladas desde a última data-base não será uma tarefa nada fácil”, alerta.

Ele lembra que, de janeiro a junho, ao menos 43% das negociações coletivas ficaram abaixo da inflação, 35% se mantiveram iguais ao INPC e apenas 21% apresentaram ganhos reais para os trabalhadores. Em dez meses, o total de perdas da nossa categoria com a inflação está acumulado em 9,82%, mas ainda faltam os índices de julho e agosto.

“A nossa luta histórica é por aumento real e, claro, a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva. Mas nada vem de graça e só com a unidade e mobilização de toda a categoria sairemos vitoriosos”, enfatiza.

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