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Censura e assédio moral no Cruzeiro do Sul são encabeçados por promotor

Episódio aconteceu durante a cobertura da greve geral, no dia 28 de abril. Desde o dia 29 de abril, o jornal circula sem assinatura do editor-chefe e dos jornalistas

Quarta-feira, 03 de Maio de 2017 - 09:02 - Atualizado em 03/05/2017 09:41
Diretoria da Regional Sorocaba do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP)

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Segundo informações, o promotor de Justiça Farto Neto, agrediu de forma destemperada os profissionais de imprensa do Cruzeiro do SulDivulgação
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) - Regional Sorocaba vem a público denunciar e repudiar a censura e o assédio moral sofridos por jornalistas, fotógrafos, diagramadores e editores da redação do jornal Cruzeiro do Sul, sediado no município de Sorocaba e mantido pela Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), quando da cobertura da greve geral, ocorrida no dia 28 de abril de 2017.

Segundo relatos que chegaram ao SJSP-Regional Sorocaba, estamos diante de primeiro caso no interior do Estado de São Paulo de censura explícita dentro de uma redação, com imenso aparato intimidatório, após o fim da ditadura civil-militar no Brasil.

Conforme denúncias recebidas, o promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Sorocaba, dr. Antônio Domingues Farto Neto, que é membro do Conselho Consultivo da FUA (mantenedora do jornal em questão), comandou um dos episódios mais tristes e repugnantes da história do centenário jornal Cruzeiro do Sul ao promover um verdadeiro aparato de agressão moral para censurar o trabalho jornalístico dos referidos profissionais de imprensa.

Ainda conforme informações levantadas pelo SJSP-Regional Sorocaba, o promotor Farto Neto esteve na redação no dia 28 de abril acompanhado alguns integrantes dos conselhos da FUA, entre eles Francisco Antônio Pinto (Chicão), Valdir Euclides Buffo Junior, César Augusto Ferraz dos Santos, Tiberany Ferraz dos Santos, diretores da Vila dos Velhinhos de Sorocaba e o presidente da FUNDEC, Luiz Antônio Zamuner. Também estavam presentes ao fatídico episódio o coronel Antônio Valdir Gonçalves Filho, comandante do Comando de Policiamento do Interior (CPI/7), e o atual secretário de Segurança e Defesa Civil da prefeitura de Sorocaba, José Augusto de Barros Pupin.

Segundo informações, o promotor Farto Neto, em sala fechada e na presença desse conjunto de autoridades, passou a agredir de forma destemperada os profissionais de imprensa, com direito a gritos, ofensas e ameaças. Dessa forma intimidatória, o promotor afirmou que o êxito da greve geral era responsabilidade da manchete do jornal Cruzeiro do Sul da sexta-feira, 28, e que era preciso “limpar o desserviço feito” e criar uma “agenda positiva” e, para isso, era primordial engrandecer o trabalho da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal. Segundo relatos, a manchete publicada no dia 29 “Paralisação prejudica o trabalhador sorocabano” foi ditada por Farto Neto, e o comandante do CPI-7 e o secretário Pupin foram entrevistados na presença de pessoas do grupo acima mencionado, mais uma forma de intimidação aos jornalistas.

Portanto, conclui-se que o objetivo de tamanha agressão era impor uma linha editorial que contemplasse apenas um posicionamento, o do interesse das pessoas que estavam junto ao promotor, nas matérias relacionadas à greve geral, deixando de lado até então o compromisso do centenário jornal Cruzeiro do Sul com a cobertura ética, imparcial e objetiva, ouvindo todos os lados da história como a sociedade espera de um veículo de imprensa.

O SJSP-Regional Sorocaba constatou que nesse dia 28 de abril, o presidente do Conselho Administrativo da FUA e diretor-presidente do jornal, José Augusto Marinho Mauad (Gugo), e o editor-chefe, José Carlos Fineis, não estavam presentes no jornal. Gugo estava fora da cidade e Fineis em licença saúde.

Ainda segundo relatos, nunca ocorreu episódio de tamanha agressão e intimidação na redação do jornal Cruzeiro do Sul.

Diante dos fatos denunciados, o SJSP-Regional Sorocaba lamenta profundamente que um promotor de Justiça, um homem público e com papel de grande responsabilidade na sociedade, se preste ao papel de intimidar profissionais da imprensa.

O SJSP-Regional Sorocaba lamenta também que o coronel Antônio Valdir Gonçalves Filho, do CPI/7, e o secretário de Segurança e Defesa Civil, José Augusto de Barros Pupin, tenham sido coniventes com o assédio moral aos jornalistas.

O SJSP-Regional Sorocaba lamenta que membros da Fundação Ubaldino do Amaral, instituição que tanto se orgulha de promover assistência social em nosso município, tenham praticado e presenciado tamanho desrespeito à liberdade de imprensa.

O SJSP-Regional Sorocaba lamenta que a credibilidade do centenário jornal Cruzeiro do Sul seja prejudicada por essa irresponsável e criminosa atitude e cobra um posicionamento da direção, pois acredita que a sociedade sorocabana e da região tem o direito de saber se teremos um veículo chapa-branca ou se teremos um veículo comprometido com o bom fazer jornalístico, que apura os fatos com isenção política e apresenta os diversos pontos de vista sobre as ocorrências.

Por último, o SJSP-Regional Sorocaba parabeniza o corpo de profissionais de imprensa e o editor-chefe por terem se mantido ao lado do bom fazer jornalístico e do compromisso com a sociedade em veicular informações condizentes com a realidade, mesmo diante de grande assédio e pressão. Parabenizamos a coragem dos jornalistas que não compactuaram com a interferência política violenta e que desde o dia 29 de abril não assinam expediente e matérias no jornal Cruzeiro do Sul.

O SJSP-Regional Sorocaba reconhece também a posição ética e comprometida do diretor-presidente José Augusto Marinho Mauad (Gugo), que desde o dia 29 de abril assina o jornal como diretor-presidente licenciado.

O SJSP-Regional Sorocaba está acompanhando o desenrolar dos fatos dentro do jornal Cruzeiro do Sul e está tomando as medidas necessárias para preservar o emprego e a integridade dos profissionais de imprensa.

O SJSP-Regional Sorocaba espera que esse triste episódio possa ser elucidado, se colocada a disposição das autoridades acima mencionadas para esclarecimentos dos ocorridos e que a FUA tenha a compreensão de preservar os profissionais do jornal e se mantenha ao lado do bom fazer jornalístico.

É fato que a credibilidade do jornal Cruzeiro do Sul está nas mãos dos jornalistas que, sendo o elo mais fraco na relação empregador-empregado, tiveram a coragem de se posicionar contra um feroz ataque à liberdade de imprensa.

Por fim, a sociedade sorocabana está ciente da crise ética instalada no jornal e, conforme o andamento, todos saberão se o Cruzeiro do Sul será um jornal chapa-branca, a serviço de apenas um grupo político e social, ou um jornal a serviço da sociedade.

 

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