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Caravana de Solidariedade a Lula sai de Sorocaba

Trabalhadores de diversas entidades progressistas de Sorocaba e região estiveram reunidos no SMetal, na noite desta quinta-feira, 5, e decidem ir a São Bernardo em apoio a Lula e em vigília pela democracia

Quinta-feira, 05 de Abril de 2018 - 22:20 - Atualizado em 09/04/2018 10:25
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Militantes de movimentos sociais, sindicalistas e representantes de diversas entidades de Sorocaba e região prestarão solidariedade ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, nesta sexta-feira, 6.

A decisão pela caravana de solidariedade foi decidida pelos trabalhadores de diversos segmentos progressistas, no começo da noite desta quinta-feira, 5, após a ordenação da prisão de Lula pelo juiz Sérgio Moro.

“Já havia uma expectativa negativa em relação ao desfecho desse processo”, afirma o ex-deputado estadual Hamilton Pereira, que há mais de duas décadas acompanha a trajetória de Lula.

Para Hamilton, que assistiu a todo julgamento do habeas corpus de Lula, realizado na quarta, 4, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tanto no voto do ministro Lewandowski quanto no voto de Marco Aurelio Mello e de Celso de Mello ficou claro que a Constituição no seu artigo 5º, inciso 57 obriga, para se manter a ordem e a lei no Brasil, que se concedesse o habeas corpus ao ex-presidente Lula.

“Mas, nós sabemos que existe aí uma disputa de classe”, destaca Hamilton, que, assim como Lula, trabalhou como metalúrgico. Ele pontua que Lula afinal, tirou 40 milhões de brasileiros que estavam abaixo da linha de pobreza da condição de miseráveis, dando a dignidade de cidadãos brasileiros. “Para as elites, isso é imperdoável”.

Ele explica ainda o ódio das elites em relação ao ex-presidente: “o Lula implementou programas que trouxeram igualdade para o filho de pedreiro, para o filho da empregada doméstica, que poderiam entrar na universidade, através do Prouni, com o Ciências Sem Fronteiras. Enfim, o Lula levou o Luz para Todos para o campo, beneficiando os trabalhadores do campo. Destinou mais recursos do que todos os presidentes anteriormente para a agricultura familiar. Criou todos os conselhos, do Idoso, da Mulher, o Conselho da Igualdade Racial, até o Conselho de Moradores de rua e catadores. Democratizou as políticas e isso para as elites é imperdoável. É imperdoável alguém que veio debaixo, que eles afirmavam ser um ignorante, que não tinha escolaridade – e que hoje tem 54 diplomas doutor honoris causa. Nenhum outro presidente da história do Brasil conseguiu esse feito. Anda pelo mundo ensinando economia, política e colecionando diplomas e títulos honoris causa”.

O secretário de organização do SMetal, Izídio de Brito, salienta a importância e urgência dos movimentos irem para as ruas agora porque sucedendo-se à prisão de Lula a repressão descerá para os movimentos sociais e sindicais. “Já tem acontecido uma perseguição política e, coisas piores como o que aconteceu com Marielle, no Rio de Janeiro. É a fase do golpe que é o acirramento contra a inclusão de políticas voltadas para os que mais necessitam. Para eles, ou prendem o Lula ou ele vence a eleição”.

Nas universidades públicas, desde o golpe de 2016, que tirou Dilma Rousseff (PT) do governo federal, o sucateamento do ensino vem ocorrendo.

O professor da UFSCar, do campus de Sorocaba, Andre Cordeiro afirma que o Brasil já vive em um estado de exceção há algum tempo, desde o impeachment da Dilma. “Ninguém espera que depois de um golpe, no qual se tira uma presidente legítima que eles vão parar por aí. A ideia é realmente tirar o Lula da jogada, para poder eleger alguém vinculado ao capital especulativo e estrangeiro. Está muito na cara de que é uma continuidade do golpe”.

De modo geral, André, assim como outros trabalhadores e intelectuais progressistas enfatizam a necessidade da organização dos movimentos sociais, da mobilização nacional e aponta que faltou uma politização das políticas públicas no governo do PT. “Antes do golpe estávamos numa situação mais confortável, num governo mais progressista, com aumento de universidades públicas, aumento de vagas para alunos de escolas pública, nunca achávamos que fosse acontecer um processo como esse. Acho que também fomos um pouco ingênuos porque achamos que as instituições estavam estabelecidas que não haveria um golpe novamente no Brasil, muito menos de imaginar que prenderiam o melhor presidente que o Brasil já teve, sem prova nenhuma. O processo que o Moro fez foi um processo totalmente sem embasamento, que não tem nenhuma prova.

Diante esse contexto político e social do país, Hamilton Pereira desabafa: “assim como um dia se proclamou a independência no Brasil. Assim como um dia, na nossa história se proclamou a República, ontem (quarta, 4) o Supremo Tribunal Federal acabou por proclamar o regime fascista no Brasil, acabam-se os direitos, o direito à ampla defesa, ao contraditório. Justamente, o STF que tinha a obrigação de defender a Constituição, que se faça justiça e que se dê o direito de defesa a todas as pessoas que são julgadas. Esse direito foi negado a Lula, exatamente por ter sido o melhor presidente do Brasil e ter vindo debaixo”.

No Sindicato do ABC desde o início desta noite de quinta-feira, 5, milhares de brasileiros estão em vigília pela democracia, pela Constituição , por Lula. Uma solidariedade nunca antes vista.

O secretário-geral do SMetal, Silvio Ferreira, reafirma que a diretoria é contra todo esse processo golpista que tem um roteiro previsto e anunciado para acabar com os direitos, “mas estaremos representados no Sindicato do ABC em solidariedade ao maior líder que o Brasil já teve e também em luta pelo retorno da nossa democracia”.

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